Alexandre Rocha Santos Padilha (São Paulo, 14 de setembro de 1971) é um médico e político brasileiro, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) e atual ministro da Saúde do Brasil, cargo que exerceu anteriormente de 2011 a 2014, no governo Dilma Rousseff. É deputado federal por São Paulo, encontrando-se licenciado. Foi ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais de 2009 a 2010, no governo Lula II, e de 2023 a 2025, no governo Lula III.
Formado em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi coordenador geral da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina em 1990, coordenador do Diretório Central de Estudantes da Unicamp e membro do Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) de São Paulo entre 1991 e 1993. Foi membro da coordenação nacional das campanhas à presidência da República de Luiz Inácio Lula da Silva em 1989 e em 1994. Entre 2000 e 2004, foi coordenador de Projetos de Pesquisa, Vigilância e Assistência em Doenças Tropicais, no Pará, programa da Organização Mundial de Saúde (OMS). Por esse motivo, teve Santarém como seu domicílio eleitoral até junho de 2013.
Em 2004, durante o primeiro governo Lula, assumiu o cargo de diretor de Saúde Indígena da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). No ano seguinte, foi conduzido para a Secretaria de Relações Institucionais (SRI) da Presidência da República, onde permaneceu até 2010, primeiro como assessor e depois como ministro, assumindo a pasta no fim de setembro de 2009, após José Múcio Monteiro ser indicado pelo então presidente Lula à vaga aberta no Tribunal de Contas da União (TCU).
Nas eleições de 2014, foi candidato a governador do estado de São Paulo, sendo derrotado por Geraldo Alckmin e ficando em terceiro lugar com 18,22% dos votos válidos. Foi secretário municipal de Saúde de São Paulo de 2015 a 2017 na gestão de Fernando Haddad. Em 2018, concorreu nas eleições ao cargo de deputado federal e foi eleito para a legislatura de 2019-2022 com 87.576 votos, sendo reeleito em 2022.
Alexandre Padilha é filho único do casal Anivaldo Padilha e Macilea Rocha Santos Chaves. Nasceu no ano que em seus pais, militantes de movimentos de igrejas contra a ditadura no Brasil, foram forçados a se separar. Anivaldo Padilha foi preso durante onze meses. Quando ele saiu do Presídio Tiradentes, Macilea engravidou. A perseguição do regime militar continuou e o pai de Alexandre Padilha exilou-se no Uruguai, Chile, Argentina, Estados Unidos e Suíça, sem poder assistir ao nascimento do filho. A mãe de Padilha optou por permanecer no Brasil. Trancou o quinto ano de Medicina e ficou na clandestinidade por mais de dois anos. Por isso, nos primeiros anos de vida, Alexandre Padilha mora em diferentes bairros de São Paulo, depois em Belo Horizonte e em Maceió. Com a distensão da ditadura, mãe e filho se estabelecem no Butantã, bairro paulistano de classe média onde o menino brincava no ambiente do Instituto Butantã e da Cidade Universitária da USP. Padilha aprende a ler e escrever aos quatro anos, ajudado pela avó, Anita Padilha, que o incentiva a corresponder-se com o pai exilado. Somente aos oito anos, depois da Lei da Anistia, Alexandre Padilha pôde abraçar o pai pela primeira vez.
Alexandre Padilha fez a pré-escola em Maceió e em São Paulo, na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Monte Castelo. Cursou o primeiro grau na escola Joana d'Arc, no Butantã, e o segundo grau na escola experimental Pueri Domus, na Granja Julieta. Durante a infância, costumava acompanhar a mãe já formada médica e conhecida como Doutora Leia no trabalho voluntário de fim de semana que ela prestava no posto de saúde da paróquia do Parque Regina, no Campo Limpo, bairro pobre de São Paulo. Aos 15 anos, Padilha sai do Butantã para morar em uma casa no Campo Limpo, construída pela Dra. Leia junto com seu segundo marido, Felisbino Chaves, que havia sido padre na paróquia local.
Formação acadêmica e militância estudantil
Aos 17 anos, Padilha ingressa na Faculdade de Medicina da Unicamp e vai morar em república de estudantes em Campinas. Participa da política estudantil desde o início do curso. No segundo ano, já se torna o presidente da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (DENEM) e em seguida do DCE da Unicamp. Por três anos, cursou poucas matérias para dedicar mais tempo à militância estudantil e à construção da Juventude do PT. O líder estudantil ajuda a criar a Comissão Interinstitucional de Avaliação de Ensino Médico, cujo propósito principal era o de aproximar o estudante da saúde pública. O movimento resultou em uma profunda reestruturação do ensino médico brasileiro, que antecipou o contato dos estudantes com o SUS. As aulas, antes restritas ao quinto e ao sexto ano, passaram a acontecer já no primeiro semestre do curso. Nos anos de militante estudantil, Padilha também participou das discussões que geraram grandes mudanças na saúde pública: a humanização do tratamento manicomial, a integração da universidade com indústria e a inovação tecnológica, a criação de cursos de extensão para levar o serviço médico universitário a comunidades carentes.
Alexandre Padilha divide-se, no início dos anos 1990, entre a militância estudantil e a partidária. Filiado ao PT desde os 17 anos na zonal do Campo Limpo, participa das campanhas presidenciais de Lula em 1989 e 1994. E mais tarde, da campanha de Dilma.
Em 1992, ajuda a fundar e assume a direção da primeira Secretaria da Juventude do PT no Estado de São Paulo. Nesta função, discute políticas para a juventude junto a sindicatos e às primeiras prefeituras eleitas pelo PT, acompanhando gestões e demandas municipais.
Retoma o curso na Unicamp em 1995, diplomando-se em Medicina dois anos depois. Na sequência,ingressa na pós-graduação da USP. Faz Especialização em Infectologia atraído pela intensa discussão médica e ética provocada pela epidemia da AIDS. Cumpre os dois anos obrigatórios da Especialização, estendendo os estudos ao terceiro ano opcional.
Alexandre Padilha é casado com a jornalista brasiliense Thássia Alves desde 2012. Ainda não oficializaram a união no papel. Conheceram-se no Ministério da Saúde, onde Thássia trabalhava como assessora de imprensa. Quando começou o namoro, ela pediu demissão. Foi para a assessoria de imprensa da UnB e depois do Ministério do Desenvolvimento Social.
Em outubro de 2015, sua mulher, Thassia Alves, recebeu um cargo comissionado na EBC São Paulo (Empresa Brasileira de Comunicação), empresa subordinada diretamente ao ministro petista Edinho Silva. No geral, funcionários da EBC criticam largamente tal prática: "Falta de meritocracia. Mesmo que um profissional trabalhe bem e há muitos anos na empresa não é reconhecido/promovido, a não ser que seja político e faça parte de algum grupo de preferência das chefias. Os salários para quem é apenas concursado, sem gratificações, é muito baixo, principalmente para os profissionais de cidades como Brasília, São Paulo e Rio, onde o custo de vida é bastante alto."
O STF também impediu o chamado nepotismo cruzado, que ocorre quando um agente público contrata parentes de outro a fim de empregar seus próprios familiares no gabinete do colega.
Durante a especialização, Alexandre Padilha é convidado pela Universidade de São Paulo (USP) para participar, em Santarém no Pará, da montagem do Núcleo de Extensão em Medicina Tropical do Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias, da Faculdade de Medicina da USP. No ano seguinte, assume o comando do Núcleo, que já desenvolve protocolos de pesquisa em parceria com a Organização Mundial da Saúde. O Núcleo de Extensão funciona recebendo estudantes e médicos brasileiros e estrangeiros para trabalhar em pequenas comunidades ribeirinhas, assentamentos rurais e tribos indígenas combatendo a malária e outras epidemias como tuberculose, doença de chagas, aids, infecção hospitalar. Alexandre Padilha se reveza entre o Pará e São Paulo, trabalhando e estudando. Na capital paulista, assume a supervisão técnica do ambulatório de Doenças dos Viajantes do HC. No interior do Pará convive e cuida de comunidades da Amazônia, entre elas a tribo Zo’é, que estava quase dizimada pela malária e pneumonia. Em 2000, conclui o curso de Especialização em Infectologia recebendo o registro CRM-SP 91136. Logo concorre e é aprovado no concurso para o HC. Alexandre Padilha, porém, opta por continuar no núcleo da USP na região amazônica dedicando-se, em parceria com a OMS, à pesquisa para desenvolver o Coartem, medicamento que atualmente é o mais eficaz na cura da malária grave, e que seria o trabalho de campo para o seu futuro doutorado.