Alessandra Vidal de Negreiros Negrini (São Paulo, 29 de agosto de 1970) é uma atriz brasileira. Ela chegou à fama na década de 1990 com papéis importantes na televisão, onde tornou-se conhecida por sua versatilidade e tipos marcantes. Negrini é ganhadora de vários prêmios, incluindo um APCA e um Prêmio Guarani, bem como os prêmios dos festejados Festival de Brasília e Festival do Rio, além de ter recebido indicações ao Grande Otelo, dois Troféus Imprensa e três Prêmios Qualidade Brasil.
Negrini fez sua estreia como atriz profissional na série Retrato de Mulher (1993), na TV Globo, seguido de sua participação na novela Olho no Olho (1993). Entretanto, sua descoberta deu-se ao protagonizar a minissérie Engraçadinha: Seus Amores e Seus Pecados (1995), no papel da jovem Engraçadinha, pela qual foi eleita Revelação do Ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Nos anos seguintes, ela se tornou figura frequente na televisão, com destaque nas novelas Anjo Mau (1997), Meu Bem Querer (1998) e Desejos de Mulher (2002). Negrini também esteve em evidência na minissérie histórica A Muralha (2000) no papel da guerreira Isabel.
Ela teve sua carreira marcada ao protagonizar a novela Paraíso Tropical (2007) como as gêmeas Taís e Paula, com êxito de público e crítica. No cinema, é reconhecida por protagonizar produções expressivas. Estrelando Cleópatra (2007), recebeu o prêmio de Melhor Atriz pelo Festival de Cinema de Brasília. Foi internacionalmente premiada por sua performance no drama O Abismo Prateado (2011), que lhe valera também o Prêmio Guarani de Melhor Atriz. Ela é reconhecida pela versatilidade, tendo atuado nos mais diversos gêneros, com destaque na ação 2 Coelhos (2012), na comédia Mulheres Alteradas (2018) e no drama Acqua Movie (2021), pelo qual foi nomeada ao Grande Otelo de Melhor Atriz por sua atuação.
Nos anos recentes, fez uma sequência de antagonistas em telenovelas que a fizeram ficar conhecida pelo perfil de personagens descompensadas, como a perversa Catarina Ribeiro em Lado a Lado (2012), a tresloucada Susana Bueno em Boogie Oogie (2014), a golpista atrapalhada Susana Adonato em Orgulho e Paixão (2018) e, mais recentemente, a vingativa Guida em Travessia (2022). Ela também obteve grande repercussão e reconhecimento internacional ao interpretar a bruxa Inês na série de fantasia Cidade Invisível (2021-23), distribuída mundialmente pela Netflix.
Alessandra Vidal de Negreiros Negrini nasceu em São Paulo no dia 29 de agosto de 1970, descendente de italianos e portugueses, filha do engenheiro Luiz Eduardo Osório Negrini e da pedagoga Neusa Vidal de Negreiros. Durante sua infância, viveu na cidade de Santos, no litoral paulista, onde permaneceu até a adolescência.
Após concluir o ensino médio, Alessandra ainda não tinha certeza sobre a profissão que seguiria. De volta à São Paulo, inicialmente, ingressou no curso de Jornalismo, mas logo se transferiu para Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, onde estudou por três anos. No entanto, foi ao se matricular no curso de Teatro Antunes Filho que ela encontrou sua verdadeira paixão e decidiu se dedicar à carreira de atriz. Após sua formação, ingressou na Oficina de Atores da Rede Globo, e rapidamente foi convidada para integrar o elenco de produções televisivas, dando início a sua trajetória de sucesso na televisão.
Trabalho inicial e sucesso definitivo (1993—1999)
Ainda na Oficina de Atores, Negrini foi convidada pela diretora Denise Saraceni para contracenar como filha de Regina Duarte no seriado Retrato de Mulher. Apesar de já ter mais de vinte anos, sua personagem tinha apenas quinze anos, e ela contracenou também com o ator Caio Blat. Em seguida, ela voltou para São Paulo e foi escalada para o elenco da novela Olho no Olho, de Antônio Calmon, entrando na reta final da trama e, assim, iniciando sua carreira em telenovelas no personagem de Clara. Em entrevista para o Memória Globo, a atriz revelou que gostava de improvisar e atuar de uma forma naturalista, o que agradou o diretor Ricardo Waddington, também em início de carreira.
O grande marco inicial na carreira de Negrini ocorreu em 1995, com sua atuação na minissérie Engraçadinha: Seus Amores e Seus Pecados. Baseada no romance de Nelson Rodrigues, a trama a colocou no papel da jovem protagonista, um papel que inicialmente parecia reservado para outra atriz por ela não se assemelhar fisicamente com Cláudia Raia, que interpreta a personagem em fase mais adulta. Após alguns testes e a recusa da atriz escolhida, Alessandra foi indicada pelo diretor Boni e surpreendeu ao dar vida à personagem, conquistando o público com sua interpretação sensual e intensa. Sua versão de Engraçadinha, envolvida em um amor proibido e marcada pela tensão da sociedade carioca, destacou as contradições e hipocrisias da classe média brasileira, características típicas do universo de Nelson Rodrigues, e ela foi considera a atriz revelação do ano.
Logo após, ainda em 1995, é escalada para a novela das sete Cara e Coroa, sua segunda parceria com o autor Antônio Calmon. Na trama, ela surge como a comportada e caseira Natália, neta de Guilhermina (Marilena Ansaldi) e irmã de Leninha (Mônica Fraga). Seu comportamento muda repentinamente quando ela se apaixona pelo vilão Mauro (Miguel Falabella).
Em 1997, interpreta sua primeira vilã em telenovelas, a ambiciosa Paula Novaes, no remake Anjo Mau, adaptação de Maria Adelaide Amaral. Sua personagem é a principal rival da protagonista Nice (Glória Pires). Cruel, interesseira e vingativa, inicialmente ela é noiva de Rodrigo (Kadu Moliterno), mas o trai com o irmão dele, Ricardo (Leonardo Brício). Os dois são desmascarados por meio de uma armação de Nice e ela luta para reconquistar o bom partido e separá-lo de Nice. No mesmo ano, ela fez sua estreia no cinema atuando no filme O Que É Isso, Companheiro?, dirigido por Bruno Barreto, filme esse que foi indicado ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, interpretando Lília.
Depois, em 1998, foi escalada para protagonizar a novela Meu Bem Querer, de Ricardo Linhares, dando vida à doce e apaixonada Rebeca Maciel, formado par romântico com o seu então marido Murilo Benício. Sua personagem é uma moça evangélica, filha do pastor Bilac (Mauro Mendonça) e irmã de Lívia (Flávia Alessandra), que tem o temperamento oposto do seu.
Ascensão ao horário nobre (2000—2009)
Em 2000, Alessandra Negrini interpretou a guerreira Isabel Olinto na minissérie A Muralha, produzida pela TV Globo para comemorar os 500 anos do Brasil. Ambientada no ano de 1600, a trama acompanhava a jornada dos bandeirantes em busca de novas terras e riquezas, e as disputas que surgiam ao longo do caminho. Sua personagem era uma mestiça, vivendo entre indígenas, e se destacava por ser uma mulher rude e de comportamento rebelde, com uma aura de fatalidade. Para viver Isabel, Alessandra gravou cenas em tribos indígenas na Chapada dos Veadeiros, usando uma maquiagem bronzeada e, em algumas ocasiões, contracenou com uma jaguatirica. Por conta do apelo sensual da personagem na minissérie, estampou a capa da edição brasileira da revista Playboy de abril daquele ano, num ensaio da autoria de Bob Wolfenson.
Em 2002, Negrini colheu muitos elogios pela interpretação de sua segunda vilã: a sexy Selma Dumont, da novela Desejos de Mulher, de Euclydes Marinho, tornando-se uma das personagens de maior apelo junto aos telespectadores e protagonizando aquelas que foram consideradas as melhores cenas do folhetim. Em 2003, participou de alguns episódios da série infantil Sítio do Picapau Amarelo, interpretando Rapunzel. Em 2004, fez uma participação especial na novela Celebridade, de Gilberto Braga, onde interpretou Marília Prudente da Costa, a mãe falecida da grande vilã Laura (Cláudia Abreu) que aparecia em flashbacks de suas memórias de infância.
No cinema, atuou na comédia Sexo, Amor e Traição (2004), com a direção de Jorge Fernando, que trata de conflitos amorosos entre os sete protagonistas. Em 2006, Negrini superou seu medo de cavalgar para interpretar uma amazona na minissérie JK, escrita por Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira. Sua personagem, Yedda, era uma figura real, apaixonada por montaria, rica e dona de dois cachorros, com um jeito afetuado de falar. A atriz destacou a diversão de interpretar uma personagem tão diferente de si mesma, o que lhe permitiu criar gestos e comportamentos únicos. Yedda era direta e não hesitava em dizer o que pensava, sempre falando a verdade na cara das pessoas.