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Alboíno

Alboíno ou Alboim (em latim: Alboinus; Panônia, década de 530 - Verona, 28 de junho de 572) foi rei dos lombardos por vo

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Alboíno ou Alboim (em latim: Alboinus; Panônia, década de 530 - Verona, 28 de junho de 572) foi rei dos lombardos por volta de 560 até 572. Durante seu reinado os lombardos colocaram um fim às suas migrações e se assentaram de maneira permanente na Itália, cuja parte setentrional foi conquistada por Alboíno entre 569 e 572. Esta colonização lombarda teve um efeito duradouro na Itália e na planície da Panônia; na primeira, marcou o início de séculos de domínio lombardo, enquanto na segunda, sua derrota contra os gépidas e seu abandono da Panônia puseram um fim ao domínio dos povos germânicos na região.

O reinado de Alboíno sobre a Panônia, após a morte de seu pai, Audoíno, foi marcado pelos confrontos e conflitos entre os lombardos e seus principais vizinhos, os gépidas. Estes tinham obtido uma vantagem inicial, porém em 567, graças à sua aliança com os ávaros, Alboíno derrotou de maneira decisiva seus inimigos, cujas terras foram ocupadas subsequentemente pelos ávaros. O poder crescente de seus vizinhos, no entanto, começou a incomodar Alboíno, e ele decidiu migrar da Panônia para a Itália, aproveitando-se da capacidade reduzida do Império Bizantino de defender seu território, devido à Guerra Gótica.

Após reunir um grande conglomerado de povos, Alboíno cruzou os Alpes Julianos em 568, entrando em território italiano sem encontrar praticamente nenhuma oposição. Rapidamente tomou controle da maior parte da Venécia e da Ligúria. Em 569, também sem enfrentar resistência, conquistou a principal cidade do norte da Itália, Milão. Pavia, no entanto, resistiu bravamente, e só foi conquistada após um sítio que durou três anos; durante este período Alboíno voltou suas atenções para a Toscana, porém indícios de divisões faccionais entre seus seguidores e uma redução gradual do controle sobre suas tropas começaram cada vez mais a se manifestar.

Alboíno foi assassinado em 28 de junho de 572, durante um golpe de Estado instigado pelos bizantinos, organizado por seu irmão adotivo, Helmiques, com o apoio da esposa de Alboíno, Rosamunda, filha do rei gépida que Alboíno tinha assassinado alguns anos antes. O golpe fracassou, no entanto, diante da oposição da maioria dos lombardos, que elegeram Clefo como sucessor de Alboíno, forçando Helmiques e Rosamunda a fugir para Ravena sob proteção imperial. A morte de Alboíno privou os lombardos do único líder que podia ter mantido unida a entidade germânica recém-surgida, na medida em que foi o último duma linhagem de reis-heróis que lideraram os lombardos durante suas migrações do vale do Elba até a Itália. Por muitos séculos após a morte de Alboíno, seu heroísmo e seus sucessos em combate foram celebrados pela poesia épica saxã e bávara.

Os lombardos, sob o rei Vacão (r. 510–539), haviam migrado para o leste rumo à Panônia, aproveitando-se das dificuldades enfrentadas pelo Reino Ostrogótico da Itália após a morte de seu fundador, Teodorico, o Grande (r. 493–526), em 526. A morte de Vacão, em 540, levou seu filho Valtário (r. 540–547) ao trono, porém como o último ainda era menor de idade seu reino foi governado pelo pai de Alboíno, Audoíno, do clã gáusio. Sete anos depois Valtário morreu, dando a Audoíno a oportunidade de se coroar e derrubar a dinastia reinante, os Letingos.

Alboíno provavelmente nasceu na década de 530, na Panônia, filho de Audoíno e sua esposa, Rodelinda. Sua mãe pode ter sido sobrinha do rei Teodorico, e teria sido prometida a Audoíno por intermédio do imperador Justiniano (r. 527–565). Como seu pai, Alboíno foi criado como um pagão, embora Audoíno tenha se declarado católico como forma de conquistar apoio bizantino contra seus vizinhos. Alboíno teve como primeira esposa a católica Clodosvinda, filha do rei franco Clotário I (r. 511–558). Este casamento, ocorrido pouco após a morte do líder franco Teodebaldo (r. 548–555), em 555, teria refletido a decisão de Audoíno de se distanciar dos bizantinos, aliados tradicionais dos lombardos, por não terem lhe oferecido apoio contra os gépidas. A nova aliança com os francos era importante devido à célebre hostilidade dos francos com o Império Bizantino, o que daria aos lombardos mais de uma opção. A Prosopografia do Império Romano Tardio, no entanto, interpreta de maneira diferente os eventos e fontes, afirmando que Alboíno teria se casado com Clodosvinda quando já havia sido coroado, ou pouco antes de 561, ano da morte de Clotário.

Alboíno se destacou pela primeira vez no campo de batalha durante um confronto com os gépidas. Durante a Batalha de Asfeld, em 552, ele matou Turismodo, filho do rei gépida Turisindo (r. 548–560), numa vitória que resultou na intervenção de Justiniano, visando manter o equilíbrio entre as potências regionais rivais. Após a batalha, de acordo com uma tradição relatada por Paulo, o Diácono, para receber o direito de se sentar à mesa com seu pai, Alboíno teve de pedir a hospitalidade de um rei estrangeiro, e conseguir que ele lhe doasse suas armas, como era de costume. Para esta iniciação, ele foi até a corte de Turisindo, onde o rei gépida lhes deu as armas de Turismodo. O historiador alemão Walter Goffart acredita que seja possível que nesta narrativa Paulo esteja usando uma tradição oral, e vê com ceticismo a possibilidade de que o fato possa ser descartado como o típico topos de um poema épico.

Alboíno subiu ao trono após a morte de seu pai, entre 560 e 565. Como era o costume dos lombardos, Alboíno recebeu a coroa após uma eleição realizada pelos homens livres da tribo, que tradicionalmente escolhiam o rei dentre os membros do clã do soberano morto. Pouco tempo depois, em 565, eclodiu uma nova guerra contra os gépidas, esses agora sob a liderança de Cunimundo, filho de Turisindo. A causa do conflito é incerta, já que as fontes se dividem; o lombardo Paulo, o Diácono acusa os gépidas, enquanto o historiador bizantino Menandro Protetor põe a culpa em Alboíno, interpretação preferida pelo historiador austríaco Walter Pohl.

Um relato da guerra feito pelo historiógrafo Teofilato Simocata sentimentaliza as razões por trás do conflito, alegando que ele teria se originado depois de Alboíno fazer a corte, sem sucesso, à filha de Cunimundo, Rosamunda, e posteriormente sequestrá-la e casar-se com ela. O conto é tratado, no entanto, com ceticismo por Walter Goffart, que comenta que esta versão entraria em conflito com a que é narrada pelo Origo Gentis Langobardorum, no qual ela teria sido capturada apenas após a morte de seu pai. Os gépidas obtiveram o apoio do imperador bizantino em troca da promessa de cessão da região de Sirmio (atual Sremska Mitrovica), sede do trono dos reis gépidas. Assim, em 565 ou 566, o sucessor de Justiniano, Justino II (r. 565–578), enviou seu genro, Baduário, no cargo de mestre dos soldados, à frente de tropas bizantinas para auxiliar Cunimundo contra Alboíno; os lombardos foram completamente derrotados.

Diante da possibilidade de aniquilação, Alboíno fez uma aliança, em 566, com os ávaros, liderados por Beano I, às custas de duras condições: os ávaros exigiram um décimo de todo o gado dos lombardos, metade de seu butim de guerra, e, com o fim dos combates, todas as terras que eram dominadas anteriormente pelos gépidas. Os lombardos utilizaram-se da hostilidade preexistente entre os ávaros e os bizantinos, alegando que estes haviam se aliado aos gépidas. Cunimundo, por outro lado, se deparou com hostilidade quando pediu novamente assistência militar aos bizantinos, por não ter cumprido a promessa de ceder Sirmio a eles, como havia concordado. Além disso, Justino II estava procurando se afastar da política externa de Justiniano, e acreditava poder lidar de maneira mais firme com os estados e povos vizinhos. As tentativas de convencer Justino II através de tributos não foram bem-sucedidas, e os bizantinos acabaram por assumir uma posição neutra, ou até mesmo de apoio assumido aos ávaros.

Em 567, os aliados fizeram seu último avanço contra Cunimundo; Alboíno invadiu as terras gépidas a partir do noroeste, enquanto Beano atacou-os vindo do nordeste. Cunimundo tentou evitar que os dois exércitos se unissem, avançando contra os lombardos e enfrentando Alboíno em algum lugar entre os rios Tibisco e Danúbio. Os gépidas foram derrotados nas batalhas que se seguiram, e seu rei foi morto por Alboíno; a filha de Cunimundo, Rosamunda, foi capturada, de acordo com as referências no Origo. A destruição total do reino gépida foi finalizada pelos ávaros, que os derrotaram no leste. Como resultado do confronto, os gépidas deixaram de existir enquanto povo independente, sendo parcialmente absorvidos pelos lombardos e pelos ávaros. Em algum ponto antes de 568, a primeira esposa de Alboíno, Clodosvinda, morreu, e após sua vitória contra Cunimundo, Alboíno se casou com Rosamunda, estabelecendo um laço com os gépidas restantes. A guerra também marcou um divisor de águas na história geopolítica da região, já que, juntamente com a migração lombarda do ano anterior, ela marcou o fim de seis séculos de dominância germânica na planície da Panônia.

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