Alberto II, o Degenerado, também conhecido como o Indisciplinado (em alemão: Albrecht II., der Entartete) (Meissen, 1240 — Erfurt, 20 de novembro de 1314, segundo outras fontes, em 13 de novembro de 1314 ou em 1315), da dinastia Wettin, foi inicialmente conde da Turíngia e, mais tarde, também marquês de Meissen.
Alberto nasceu como filho mais velho de Henrique, o Ilustre, marquês de Meissen e de Constança da Áustria. Com a divisão de terras realizada por seu pai em 1265, Alberto recebeu a Turíngia e o condado palatino da Saxônia, tornando-se conde da Turíngia. Seu irmão Teodorico recebeu o marquesado de Landsberg e a região de Osterland, enquanto o próprio pai permaneceu na posse do marquesado de Meissen e do marquesado da Lusácia como um poder formal sobre seus filhos.
Na juventude, Alberto ficou noivo de Margarida, filha do imperador Frederico II, que era também Rei da Sicília, e de Isabel da Inglaterra, e o casamento provavelmente foi realizado em junho de 1255. Como dote, Pleissnerland, uma região histórica no oeste da Saxônia e no leste da Turíngia, foi prometido para a Casa Wettin.
Os notáveis vícios e defeitos de Alberto, a falta de qualquer senso de família e a prodigalidade desenfreada, provocaram, porém, logo em seguida, complicações com seus parentes mais próximos, que assumiram proporções crescentes. Primeiro, ele levantou a mão contra seu irmão Teodorico, depois contra seu próprio pai e, logo em seguida, forçou sua esposa a fugir de Wartburg em 24 de junho de 1270 e ir para Frankfurt am Main, devido ao tratamento indigno que lhe dispensava. Margarida deu ao conde três filhos e uma filha; antes mesmo de sua fuga, ele já havia gerado uma filha, Isabel, em 1269, e um filho, Alberto ("Apitz"), em 1270, com uma das damas de companhia dela, Cunegunda de Eisenberg, e a própria amante foi elevada à condição de esposa de Alberto quando a condessa morreu em 8 de agosto do mesmo ano em Frankfurt am Main.
Mas a paz não voltou à casa do conde, justamente porque os erros mencionados de Alberto se tornavam cada vez mais evidentes. Sobretudo devido à sua propensão para o esbanjamento, ele entrou em conflito com um após o outro de seus filhos do primeiro casamento, Henrique, Frederico e Teodorico. O primogênito, que era casado com uma filha do duque Henrique III da Silésia, desapareceu da Turíngia em 1283 e seus rastros se perderam na corte da Silésia, em Breslau. Os dois filhos mais novos, Frederico e Teodorico foram criados por seu tio, Teodorico de Landsberg.
Alberto casou com Cunigunda em 1274 e fez com que o rei legitimasse o filho que teve com ela, Apitz (Alberto). Quando Alberto planejou deixar para Apitz, o condado da Turíngia e compensar seus dois filhos do primeiro casamento, somente com a Osterland (que era herança de sua mãe), e o condado palatino da Saxônia, eles iniciaram uma guerra contra seu pai. Frederico foi capturado por seu pai e ficou preso no castelo de Wartburg. Porém, fugiu um ano depois e continuou a guerra contra seu pai, juntamente com Teodorico. Durante este tempo, em 1284, seu tio Teodorico de Landsberga morreu, deixando um filho, Frederico Tuta e quatro anos depois, em 1288, Henrique, o Ilustre, pai de Alberto, também morreu. Estas mortes aumentaram as disputas familiares.
Com a morte de seu pai, Alberto tornou-se marquês de Meissen, enquanto o seu sobrinho Frederico Tuta, filho de Teodorico de Landsberg, herdou o marquesado da Lusácia, que foi vendida pelo filho de Alberto, Teodorico em 1303. A divisão da herança provocou uma amarga disputa entre Alberto e seu filho Frederico, na qual o pai ficou temporariamente prisioneiro do filho. As finanças arruinadas do marquês são a causa incessante dessa confusão.
Nessa época (1289–1290) ocorreu a aparição do Rei dos Romanos, Rodolfo, na Turíngia, que tinha, entre outros, o objetivo de restaurar a ordem no país em ruínas; a atividade do rei também contribuiu para o estabelecimento ou fortalecimento da paz na Casa Wettin e, especialmente, na casa do conde. Além disso, o conde continuou com seu estilo de vida. Em 1290, ele se casou pela terceira vez com Isabel de Orlamünde, herdeira de Nordhalben, viúva do senhor Oto de Lobeck-Arnshaug, após a morte de sua segunda esposa, Cunigunda de Eisemberg em 31 de outubro de 1286. Seu filho Apitz, do segundo casamento, foi aparentemente legitimado pelo rei Rodolfo e, com a aprovação dos irmãos mais velhos, recebeu o domínio de Tenneberg. O próprio Alberto, porém, foi forçado pelo conde palatino Frederico, que se considerava guardião dos interesses de sua casa, a renunciar a grande parte dos direitos sobre terras e pessoas no Tratado de Eisenach (1 de janeiro de 1289), sob os olhos do rei Rodolfo.
No entanto, logo após a saída do rei Rodolfo da Alemanha Central, ocorreu um acontecimento que destruiu completamente a paz que havia sido alcançada com muito esforço na Turíngia e na casa dos Wettin. O neto de Henrique, o Ilustre, sobrinho do conde Alberto, Frederico Tuto, marquês de Meissen e Landsberg, morreu em agosto de 1291 sem deixar descendentes, e a disputa por sua herança foi o que provocou, com a culpa especial de seu tio Alberto, um complô que superou em importância e alcance todos os anteriores. Inicialmente, porém, chegou-se a um acordo pacífico entre o pai e os dois filhos, no qual, pelas razões acima mencionadas, Alberto teve que se contentar com a parte menor. Mas suas necessidades financeiras inesgotáveis o levaram a violar esse acordo.
Para obter dinheiro, ele vendeu a parte que lhe cabia aos condes de Brandemburgo. Entretanto, o conde Adolfo de Nassau havia sido elevado ao trono alemão como sucessor do rei Rodolfo I da Germânia, que desde o início voltou sua atenção para as terras dos Wettin, ou seja, a herança do recém-falecido marquês Frederico Tuto, Meissen e Osterland, que ambos os filhos de Alberto haviam dividido entre si. Baseando-se nos princípios do direito feudal imperial, ele considerava Meissen e Osterland como feudos caducados e os irmãos Frederico e Teodorico como senhores ilegítimos dessas terras, como usurpadores. Mas o rei também incluiu o condado da Turíngia em seus planos, sem poder fundamentar um direito semelhante sobre ele. Nesse seu desejo, ele contava com a falta de princípios e a necessidade de dinheiro do conde Alberto, que, além disso, se sentia prejudicado por seus dois filhos naquela divisão. E assim, ele realmente se deixou convencer a fazer um acordo com o rei, no qual, por uma quantia desproporcionalmente baixa, cedeu a ele seu principado da Turíngia em caso de sua morte, sem considerar o direito indiscutível de herança de seus dois filhos mencionados. Aliás, esse contrato não impediu o conde de fazer logo em seguida um acordo com seu filho Teodorico (em Triptis, em 1293), que tinha como objetivo, na intenção deste último, antecipar-se às intenções do rei em relação à Turíngia.
Entretanto, Adolfo começou a executar as reivindicações do Império sobre Meissen e Osterland. Como é sabido, ele realizou duas campanhas militares contra esses territórios e os conquistou: a resistência dos irmãos Frederico e Teodorico foi em vão. O rei também já havia colocado as mãos sobre a Turíngia e agia como senhor e soberano na região. A última hora da casa de Wettin parecia ter chegado, e era evidente que a culpa por isso era principalmente de Alberto.
A queda e morte do rei Adolfo I de Nassau na Batalha de Göllheim e a ascensão do rei Alberto I pareciam trazer uma reviravolta nessa confusão. Os filhos do conde esperavam, com essa oportunidade, recuperar de forma amigável a posição que haviam perdido e, aliás, estavam decididos a reivindicá-la com violência, se necessário. No que diz respeito a Meissen e Osterland, o sucessor do rei Adolfo, o rei Alberto I, manteve a política de seu antecessor no reino, mas deixou de lado, pelo menos por enquanto, as reivindicações sobre a Turíngia. Nestas circunstâncias, o conde Alberto aproximou-se novamente de seus filhos e chegou-se a um acordo: ele lhes cedeu o domínio de fato sobre a Turíngia. Ele não tinha mais motivos para não considerá-los seus herdeiros: ao que parece, ele via seu antigo contrato com o rei Adolfo somente como um contrato celebrado com a pessoa daquele rei, e não com o império; de qualquer forma, o valor da compra já havia sido gasto há muito tempo.