Alan Oswald Moore (nascido em Northampton, Inglaterra, Reino Unido, em 18 de novembro de 1953) é um escritor britânico conhecido principalmente por seu trabalho em histórias em quadrinhos, incluindo obras que foram adaptadas para o cinema como Watchmen, V de Vingança e Do Inferno. Frequentemente descrito como o melhor escritor de quadrinhos de toda história, ele também já foi descrito como um dos escritores britânicos mais importantes dos últimos cinquenta anos. Moore ocasionalmente usa pseudônimos como Curt Vile, Jill de Ray, Translucia Baboon e The Original Writer.
Alan Moore começou a adquirir notoriedade nos anos 1980 com as séries V de Vingança e Marvelman, ambas publicadas na revista britânica Warrior. Mais tarde, o autor ficou conhecido no mercado americano quando se tornou roteirista da série Monstro do Pântano para a DC Comics. Pela mesma editora, Moore publicou os quadrinhos A Piada Mortal e Watchmen. Este último ganhou diversos prêmios, como o Eisner e o Hugo. No final dos anos 1980, por questões de direitos autorais, o autor rompeu com a DC Comics e se distanciou dos quadrinhos mainstream. Durante esta época, ele publicou HQs independentes pelo seu próprio selo, Mad Love, e pela editora Image Comics.
Além de roteirista, Alan Moore também é romancista, tendo publicado dois romances: A Voz do Fogo e Jerusalém.
Politicamente, o autor descreve a si mesmo como alinhado ao anarquismo.
Moore nasceu em 18 de novembro de 1953, no hospital St. Edmond's em Northampton. Sua família era de classe operária e Moore acreditava que eles viviam na cidade há várias gerações. Moore cresceu numa parte de Northampton conhecida como The Boroughs, uma área indigente, com altos índices de analfabetismo. Ele, contudo, "amava lá. Eu amava as pessoas. Amava a comunidade e... Eu não sabia que existia outra coisa além daquilo." Na casa de seus pais, moravam o próprio Moore, sua mãe, Sylvia Doreen, que trabalhava numa gráfica, seu pai, Ernest Moore, que trabalhava numa cervejaria, seu irmão caçula, Mike, e sua avó materna. Ele "lia onivoramente" desde os cinco anos de idade, pegando livros emprestados na biblioteca local.
Moore estudou na escola primária Spring Lane. No mesmo período, começou a ler tirinhas. Inicialmente, eram tirinhas inglesas, como Topper e The Beezer, mas, eventualmente, também começou a ler HQs americanas como The Flash, Detective Comics, Quarteto Fantástico e Falcão Negro. Depois, ele passou no exame 11-plus (teste aplicado ao final do ensino primário) e foi admitido na Northampton Grammar School, onde, pela primeira vez, ele encontrou pessoas de classe média e mais instruídas. Ele se chocou pela maneira como se transformou num dos piores alunos da classe no ensino médio depois de ter sido um dos melhores alunos no ensino primário. Mais tarde, não gostando da escola e não tendo "nenhum interesse em estudos acadêmicos", ele diria que acreditava que havia um "currículo secreto" sendo ensinado, cujo objetivo era doutrinar crianças com "pontualidade, obediência e aceitação da monotonia".
No final dos anos 1960, Moore começou a publicar poesia e ensaios autorais em fanzines, eventualmente montado seu próprio fanzine, Embryo. Por meio dele, Moore se envolveu com o grupo Northampton Arts Lab. Este, mais tarde, fez consideráveis contribuições à revista.
Moore começou a traficar LSD na escola, sendo expulso por fazê-lo em 1970. Mais tarde, ele se descreveu como "um dos mais ineptos traficantes de LSD do mundo". Depois disso, Moore relata que o diretor da escola "entrou em contato com vários outros estabelecimentos acadêmicos nos quais me inscrevi e disse a eles que não me aceitassem porque eu era um perigo para o bem-estar moral do resto dos estudantes, o que possivelmente era verdade."
Por alguns anos, Moore ainda morou na casa de seus pais ao mesmo tempo que passou por diversos empregos, incluindo limpador de banheiros e curtidor de couro. No final de 1973, ele conheceu e iniciou um relacionamento com outra nativa de Northampton: Phyllis Dixon, com quem ele se mudou para um "pequeno flat de um cômodo na área da Barrack Road em Northampton". Eles se casaram logo em seguida e mudaram-se para uma council house no distrito leste da cidade. Ao mesmo tempo, Moore estava trabalhando no escritório de um sub-contractor para o conselho de combustível local, mas não estava se sentindo realizado neste trabalho. Decidiu, então, tentar ganhar a vida fazendo algo mais artístico.
Depois de abandonar seu emprego no escritório, ele decidiu, ao invés, escrever e ilustrar seus próprios quadrinhos. Moore já havia produzido algumas tirinhas para diversas revistas e fanzines alternativos, como Anon E. Mouse, para o jornal local Anon, e St. Pancras Panda, uma paródia do personagem Paddington Bear, para o Back Street Bugle de Oxford. Seu primeiro trabalho pago foi por alguns desenhos que foram publicados na revista de música NME. Pouco tempo depois, conseguiu publicar uma série sobre um detetive particular conhecido como Roscoe Moscow na revista de música semanal Sounds. Moore publicou a série sob o pseudônimo Curt Vile (um trocadilho com o nome do compositor Kurt Weill), ganhando £35 por semana. Paralelo a isso, ele e Phyllis, com sua filha recém-nascida Leah, começaram a receber a jobseeker's allowance, uma espécie de seguro-desemprego da Inglaterra, para complementar sua renda. Pouco tempo depois, em 1979, também começou a publicar uma nova tirinha chamada Maxwell the Magic Cat (Maxwell, o Gato Mágico no Brasil) no jornal Northants Post, sob o pseudônimo Jill de Ray (um trocadilho com o infanticida medieval Gilles de Rais, o que Moore considerou uma "piada sardônica"). Ganhando mais £10 por semana deste trabalho, ele decidiu sair da seguridade social. Ele continuaria a escrever Maxwell the Magic Cat até 1986. Moore disse que ficaria feliz em continuar as aventuras de Maxwell indefinidamente, mas terminou a tirinha depois que o jornal publicou um editorial negativo acerca do lugar de homossexuais na comunidade. Nesse meio tempo, Moore decidiu se dedicar mais a somente escrever quadrinhos ao invés de escrever e desenhá-los, afirmando que "depois que eu estava fazendo [isso] há alguns anos, eu percebi que nunca seria capaz de desenhar bem e/ou rapidamente o suficiente para conseguir de fato uma vida decente como artista."
No intuito de aprender como escrever um roteiro de quadrinhos de sucesso, ele pediu ajuda ao seu amigo, o roteirista de quadrinhos Steve Moore, que ele conhecia desde os 14 anos. Interessado em escrever para a 2000 AD, uma das revistas em quadrinhos mais importantes do Reino Unido, Alan Moore enviou-lhes um roteiro para Juiz Dredd, uma das séries mais antigas e bem sucedidas da revista. Embora não tivesse necessidade de outro escritor em Juiz Dredd, que já estava sendo escrita por John Wagner, Alan Grant, editor da 2000 AD, viu potencial no trabalho de Moore, chegando a comentar mais tarde que "este cara é realmente um puta escritor bom", e, ao invés, pediu-lhe que escrevesse alguns contos para a série Future Shocks, publicada pela 2000AD. Apesar dos primeiras contos terem sido rejeitados, Grant aconselhou Moore sobre melhorias. Eventualmente aceitou a primeira história de muitas. Enquanto isso, Moore também havia começado a escrever histórias menores para a revista Doctor Who Weekly. Sobre isso, comentou posteriormente que "queria demais um quadrinho regular. Não queria escrever contos, mas não era isso que me estava sendo oferecido. Estavam me oferecendo de histórias curtas de quatro ou cinco páginas, onde tudo deveria ser feito naquelas cinco páginas. E, pensando bem, foi a melhor educação possível que eu poderia ter tido sobre como construir uma história."
Marvel UK, 2000AD e Warrior: 1980–1984
De 1980 até 1984, Moore trabalhou como escritor freelancer e foi oferecido uma enxurrada de trabalhos de diversas empresas de quadrinhos do Reino Unido, nomeadamente, a Marvel UK e as editoras de 2000 AD e Warrior. Posteriormente, comentou que "lembrava-se que o que estava geralmente acontecendo era que todo mundo estava me oferecendo trabalho, por medo que eu fosse oferecido trabalho por seus rivais. Então, todo mundo estava me oferecendo coisas." Foi uma era na qual os quadrinhos estavam aumentado sua popularidade no Reino Unido e, de acordo com Lance Parkin, "a cena de quadrinhos britânica estava se fortalecendo como nunca antes, e estava claro que o público acompanhava a revista à medida que amadureciam. Quadrinhos não eram mais somente para garotos infantis: adolescentes - mesmo estudantes de primeira linha e universitários - também estavam lendo quadrinhos agora."