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Alan García

Político peruano, Presidente do Peru (1985-1990/2006-2011)

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Alan Gabriel Ludwig García Pérez (Lima, 23 de maio de 1949 – Lima, 17 de abril de 2019) foi um advogado e político peruano que serviu como Presidente do Peru por dois mandatos não consecutivos, de 1985 a 1990 e de 2006 a 2011. Foi o segundo líder da Aliança Popular Revolucionária Americana (APRA) e o único membro do partido a ter exercido a presidência. Sob a mentoria de Víctor Raúl Haya de la Torre, fundador da APRA, serviu na Assembleia Constituinte de 1978–1979. Eleito para o Congresso Peruano em 1980, chegou à posição de secretário-geral da APRA em 1982 e foi subsequentemente eleito presidente em 1985, numa vitória expressiva, tendo apenas 36 anos na época.

O primeiro mandato presidencial de García foi marcado por uma grave crise econômica, agitação social e violência. No final da sua primeira presidência, foi acusado e investigado por corrupção e enriquecimento ilícito. Em 1992, pediu asilo em decorrência do autogolpe do Presidente Alberto Fujimori e exilou-se com a sua família na Colômbia e em França durante os nove anos seguintes. Após a queda de Fujimori, regressou à vida política ao candidatar-se à presidência em 2001, embora tenha perdido no segundo turno para Alejandro Toledo. Em 2006, foi eleito para um segundo mandato, um feito considerado uma ressurreição política inesperada, tendo em conta o legado negativo do seu primeiro mandato.

No segundo mandato de García, o Peru experimentou uma economia estável, tornando-se a economia que mais cresceu na América Latina em 2008, superando até mesmo a China em termos de crescimento do PIB. O sucesso econômico de sua segunda presidência foi aclamado como um grande triunfo por líderes mundiais, e a pobreza foi reduzida de 48% para 28% no país. Além disso, o Peru assinou acordos de livre comércio com a China e os Estados Unidos durante sua gestão. No entanto, acusações de corrupção persistiram durante seu mandato e também no período pós-presidência. Ele foi sucedido por seu antigo rival no segundo turno de 2006, Ollanta Humala, nas eleições de 2011. García se afastou da política partidária após não conseguir chegar ao segundo turno das eleições gerais de 2016, ficando em quinto lugar em sua tentativa de um terceiro mandato pela Aliança Popular, uma coalizão entre seu partido e o Partido Popular Cristão, que incluía sua ex-rival Lourdes Flores como uma de suas candidatas à vice-presidência.

García morreu no dia 17 de abril de 2019, após atirar contra a própria cabeça enquanto policiais se preparavam para prendê-lo, a pedido da Promotoria, em decorrência do escândalo da Odebrecht. Ele foi transferido em estado grave para o hospital, onde permaneceu por mais de três horas em uma sala de cirurgia. Durante o procedimento, sofreu três paradas cardiorrespiratórias antes de falecer.

García é considerado um dos políticos mais controversos, porém talentosos, da história contemporânea do Peru. Ele era conhecido por ser um orador imensamente carismático.

Nascido na Clínica Maison de Santé, no distrito de Barranco, em uma família de classe média, García conheceu seu pai pela primeira vez aos cinco anos de idade, devido ao encarceramento deste na Prisão El Sexto por ser membro do Partido Aprista Peruano. Sua mãe fundou a base do partido na província de Camaná, na região de Arequipa. Desde muito jovem, García acompanhava o pai às reuniões do partido e tornou-se próximo de futuros líderes da Aliança Popular Revolucionária Americana (APRA), como Luis Alva Castro e Mercedes Cabanillas. Aos 14 anos, já era considerado um orador imensamente talentoso, tendo feito seu primeiro discurso em homenagem ao fundador do partido, Víctor Raúl Haya de la Torre, a quem admirava e seguia até sua morte.

García estudou Direito, inicialmente na Pontifícia Universidade Católica do Peru e, posteriormente, formou-se bacharel pela Universidade Nacional Maior de São Marcos, em 1971. Um ano depois, partiu para a Espanha, onde iniciou um doutorado em Direito Constitucional sob orientação de Manuel Fraga. Durante anos, García afirmou ter concluído o doutorado; contudo, em 2014, documentos da universidade comprovaram que ele jamais finalizou o trabalho necessário. Em 1974, mudou-se para a França, junto com outros membros da APRA, para estudar na Universidade Sorbonne Nouvelle Paris 3 e no Instituto de Altos Estudos da América Latina (IHEAL). Após obter um diploma em Sociologia pelo IHEAL, foi convocado por Víctor Raúl Haya de la Torre a retornar ao Peru para concorrer à Assembleia Constituinte de 1978. García foi eleito membro da Assembleia, onde impressionou os colegas por sua oratória e retórica habilidosa. Como Secretário de Organização da APRA, passou a conduzir os assuntos públicos do partido após a morte de Haya de la Torre, em 1979.

De seu primeiro casamento, García teve uma filha, Carla, que desde 2014 também atua na política peruana. Com sua segunda esposa, Pilar Nores, da qual se separou em 2010, teve quatro filhos. Ele também teve um filho fruto de um relacionamento extraconjugal com a economista Roxanne Cheesman.

Reconhecido como uma jovem liderança promissora no país, foi eleito para o Congresso em 1980. Dois anos depois, tornou-se Secretário-Geral do Partido Aprista Peruano. Foi eleito presidente da República nas eleições gerais de 1985.

Primeira presidência (1985–1990)

García ganhou a eleição presidencial em 14 de abril de 1985 com 45% dos votos. Por não ter recebido os 50% necessários para vencer já no primeiro turno, um segundo turno foi realizado entre ele e o ex-prefeito de Lima, Alfonso Barrantes, do Partido da Esquerda Unida. Barrantes, porém, retirou sua candidatura, dizendo que não queria prolongar a incerteza política no país. García então foi declarado presidente em 1º de junho e tomou posse em 28 de julho de 1985. Pela primeira vez em sua história de quase 60 anos, o APRA chegava ao poder no Peru. Com 36 anos, García foi chamado de "Kennedy da América Latina", tornando-se o presidente mais jovem da região naquela época, e o segundo mais jovem presidente da história peruana (sendo o mais jovem Juan Crisóstomo Torrico, em 1842, aos 34 anos).

Sua política econômica era baseada no pensamento anti-imperialista do seu partido, o APRA, com García distanciando o Peru dos mercados internacionais, resultando em pouco investimento no país. Apesar de sua popularidade inicial entre os eleitores, o mandato de García foi marcado por picos de hiperinflação, que chegou a 7.649% em 1990 e teve um total cumulativo de 2.200.200% ao longo dos cinco anos, desestabilizando completamente a economia peruana. A dívida externa do Peru no mandato de García aumentou para 19 bilhões de dólares em 1989. Devido à inflação crônica, a moeda peruana, o sol, foi substituída pelo inti em fevereiro de 1985 (antes de sua presidência iniciar), que, por sua vez, foi substituída pelo nuevo sol ("novo sol") em julho de 1991, quando o novo sol tinha um valor cumulativo de um bilhão (1.000.000.000) de velhos soles.

De acordo com estudos do Instituto Nacional de Estatística e Informática e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, no início da sua presidência, 41,6% dos peruanos viviam na pobreza. Durante a sua presidência, esta percentagem aumentou 13% (para 55%) em 1991. García também tentou nacionalizar os setores bancário e de seguros. O Fundo Monetário Internacional e a comunidade financeira reagiram mal depois de a administração de García ter declarado unilateralmente um limite para o pagamento da dívida igual a 10% do Produto Nacional Bruto, isolando assim o Peru dos mercados financeiros internacionais.

A presidência de García foi marcada por uma hiperinflação recorde mundial, com a taxa anual ultrapassando 13.000% ao ano. O governo devastou a economia local, bem como todas as instituições governamentais. A fome, corrupção, injustiça, abuso de poder, elitismo partidário e agitação social aumentaram para níveis extremos, se espalhando por toda a nação devido às falhas e incompetência de García, fomentando o terrorismo. A turbulência econômica agravou as tensões sociais e contribuiu, em grande parte, para o crescimento do movimento rebelde maoísta violento conhecido como Sendero Luminoso, que deu início ao conflito interno no Peru e começou a atacar torres elétricas, causando vários apagões em Lima. O período também viu o surgimento do Movimento Revolucionário Túpac Amaru (MRTA). O governo de García buscou, sem sucesso, uma solução militar para o crescente terrorismo, alegadamente cometendo violações dos direitos humanos, as quais ainda estão sendo investigadas. Entre essas violações estão o massacre de Accomarca, onde 47 camponeses foram mortos pelas forças armadas em agosto de 1985; o massacre de Cayara (maio de 1988), no qual cerca de trinta pessoas foram mortas e dezenas desapareceram; e a execução sumária de mais de 200 presos durante motins nas prisões de Lurigancho, San Juan Bautista (El Frontón) e Santa Bárbara em 1986. Segundo uma investigação oficial, estima-se que cerca de 1.600 desaparecimentos forçados ocorreram durante a presidência de García. O envolvimento pessoal de García nesses eventos não é claro. García foi supostamente ligado ao Comando paramilitar Rodrigo Franco, acusado de realizar assassinatos políticos no Peru durante sua presidência. Um relatório desclassificado dos EUA, escrito no final de 1987, dizia que o partido de García, o APRA, e altos funcionários do governo estavam dirigindo um grupo paramilitar, responsável pelo atentado contra o jornal El Diario, na época vinculado ao Sendero Luminoso, que havia enviado pessoas para treinar na Coreia do Norte e pode ter se envolvido em execuções. De acordo com a jornalista investigativa Lucy Komisar, o relatório deixou claro que acreditava-se que García havia dado as ordens.

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