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Alain Delon

Ator francês (1935-2024)

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Alain Fabien Maurice Marcel Delon (Sceaux, 8 de novembro de 1935 – Douchy-Montcorbon, 18 de agosto de 2024) foi um ator e empresário franco-suíço. Reconhecido como um protagonista cultural e cinematográfico do século XX, Delon emergiu como um dos principais atores europeus das décadas de 1960, 1970 e 1980, e tornou-se um símbolo sexual internacional.

No cinema, Delon alcançou aclamação da crítica por seus papéis em filmes como O Sol por Testemunha (1960), Rocco e Seus Irmãos (1960), O Eclipse (1962), O Leopardo (1963), La Tulipe noire (1964), O Samurai (1967), La Piscine (1969), Le Cercle Rouge (1970), Un flic (1972) e Monsieur Klein (1976). Ao longo de sua carreira, trabalhou com muitos diretores, incluindo Luchino Visconti, Jean-Luc Godard, Jean-Pierre Melville, Michelangelo Antonioni, Louis Malle e Agnès Varda. Delon recebeu diversos prêmios de cinema e entretenimento ao longo de sua carreira. Em 1985, ganhou o Prêmio César de Melhor Ator por sua atuação em Notre Histoire (1984). Em 1991, tornou-se membro da Legião de Honra da França. No 45º Festival Internacional de Cinema de Berlim, ganhou o Urso de Ouro Honorário. No Festival de Cinema de Cannes de 2019, recebeu a Palma de Ouro Honorária .

Ele é considerado uma das figuras mais conhecidas da paisagem cultural francesa. Seu estilo, aparência e papéis, que fizeram dele um ícone pop internacional, lhe renderam popularidade duradoura. É considerado um dos maiores atores franceses de todos os tempos.

Alain Delon nasceu na região da Borgonha, próximo a Paris. Quando tinha apenas quatro anos, seus pais, Edith e Fabian, se divorciaram. Delon foi adotado por um casal, mas pouco tempo depois o casal foi assassinado, e Delon retornou para sua mãe verdadeira, agora casada com um outro homem. Neste ponto, tinha uma meia-irmã e dois meios-irmãos. Teve uma infância problemática, sendo expulso de várias escolas. Aos 15 anos parou de estudar e, aos 17 anos alistou-se na marinha francesa, lutando na Indochina.

Em 1956, passou a viver em Paris. Sem dinheiro, trabalhou como porteiro, garçom e vendedor e, nessa época, conhece e se torna vizinho da futura cantora Dalida. Delon revelou há pouco tempo que os dois haviam tido um caso nessa época, mas mesmo assim se tornaram grandes amigos.

Em 1957, foi ao Festival de Cannes com o amigo Jean-Claude Brialy, onde chamou a atenção dos presentes pela sua beleza, entre eles David O. Selznick, que lhe ofereceu um contrato, desde que aprendesse a falar inglês. Delon, então, retornou a Paris para aprender inglês, mas lá conheceu o cineasta Yves Allégret, que o convenceu a começar sua carreira na França.

Com ele, Delon fez seu primeiro filme, Uma tal Condessa (Quand la femme s'en mele, 1957). No filme Christine contracenou com a atriz Romy Schneider, e por ela se apaixonou. Em 1959, foram morar juntos, e o relacionamento deles durou cinco anos.

O primeiro grande papel de Delon no cinema foi como Tom Ripley no clássico suspense O Sol por Testemunha (1959), dirigido pelo cineasta francês René Clément, baseado num livro da escritora Patricia Highsmith. Em 1960, Delon atuou em Rocco e Seus Irmãos, dirigido por Luchino Visconti, um dos filmes mais adorados da história do cinema. Ator e diretor tornaram-se amigos e trabalhariam juntos mais uma vez em outro clássico O Leopardo (1963), vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes.

A beleza física de Delon transformou-o em símbolo sexual dos anos 60 e 70. Apesar disso, sempre lutou para ser reconhecido como um grande ator, e não apenas um rostinho bonito. Em 1962, trabalhou com o cineasta Michelangelo Antonioni, no filme O Eclipse, última parte da célebre trilogia da incomunicabilidade desse diretor. Com o cineasta Jean-Pierre Melville, atuou em filmes como Le samouraï (1967), O Círculo Vermelho (1970) e O Expresso para Bourdeaux (Un flic, 1971). Trabalhou ainda com outros grandes cineastas, como Valerio Zurlini, em A primeira noite de tranquilidade (1972), Joseph Losey, em Cidadão Klein (1976) e O Assassinato de Trotsky (1972) (filme anti-Stalin), Jean-Luc Godard, em Nouvelle vague (1990).

Em 1964, casou-se com a atriz Nathalie Delon (1941-2021), separando-se em 1969, tiveram um filho o ator Anthony Delon. Nos anos seguintes, teve um longo relacionamento com a atriz Mireille Darc. Durante o período em que estava casado com Nathalie ocorreu um escândalo. Em 1968, um dos seus guarda-costas, Stevan Markovic, apareceu morto com um tiro, e as investigações pareciam mostrar envolvimento de Delon e outras personalidades da época no ocorrido.

Em 1973, sua amiga de longa data, a cantora Dalida convida Delon para fazer um dueto com ela, na canção Paroles, paroles, que se tornou um enorme sucesso na época. Em 1974, durante as filmagens de A Marca do Zorro, posou para foto ao lado de Léon Degrelle.

Em 1987, conheceu a modelo holandesa Rosalie Van Bremen, durante a exibição do videoclipe de uma canção interpretada por Delon, Comme au cinéma. Os dois iniciaram um relacionamento, mesmo com a diferença de 32 anos entre os dois. Tiveram dois filhos: Anouchka (1990) e Alain-Fabien (1994).

Em 1997, para tristeza dos fãs, Delon anunciou que pararia de atuar, decepcionado com os rumos do cinema francês.

Em 2001, Delon divorciou-se de Rosalie. A separação foi muito difícil para ele, que passou a enfrentar períodos de depressão e confessou ter pensado inclusive em suicídio.

Em 2008, retornou ao cinema no filme Astérix nos Jogos Olímpicos, no papel do conquistador romano Júlio César. Em 2012 sofreu um AVC, sendo acometido por um segundo, em 2019, após receber uma Palma de Ouro honorária em Cannes.

Durante uma entrevista em 2013, Delon manifestou apoio aos avanços eleitorais da Frente Nacional, partido de extrema-direita francês, afirmando: “A Frente Nacional, como o MCG em Genebra, é muito importante... Eu a encorajo e a entendo perfeitamente”. No entanto, em entrevista concedida em 2018, negou ter votado em Marine Le Pen.

Em março de 2022, o ator anunciou publicamente a intenção de se submeter a um procedimento de suicídio assistido, o que é legalmente permitido na Suíça, país onde vivia. Em setembro do mesmo ano, iniciou um tratamento paliativo experimental, que foi posteriormente interrompido. Ainda em 2022, o ator foi convidado por Volodymyr Zelensky a viajar à Ucrânia, vindo a receber, em abril de 2024, a mais alta condecoração civil do país, em reconhecimento ao seu apoio declarado à causa ucraniana.

Em janeiro de 2023, foi diagnosticado com um linfoma não Hodgkin de células B e voltou a manifestar o desejo de recorrer ao suicídio assistido. No mesmo ano, seus filhos moveram uma ação judicial contra a assistente Hiromi Rollin, por suposta violência física e psicológica e sequestro de pessoa vulnerável. Rollin, por sua vez, apresentou uma denúncia contra os filhos de Delon, alegando que eles teriam colocado a vida do ator em risco.

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