Aimorés é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce e está situado a cerca de 490 km a leste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente 1 350 km², sendo que 6 km² estão em área urbana, e sua população foi estimada em 26 212 habitantes em 2025.
A sede tem uma temperatura média anual de 25,2 °C e na vegetação original do município predomina a Mata Atlântica, sendo conhecida como "a terra do sol eterno" por ser a cidade mais quente do estado. Com 79% da população vivendo na zona urbana, a cidade contava, em 2009, com 25 estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,684, considerando-se como médio em relação ao país.
A região começou a ser desbravada na segunda metade do século XIX, vindo a ser rapidamente povoada devido às terras férteis que favoreceram o desenvolvimento da agricultura e da pecuária. Foi emancipada oficialmente em 1915, sendo por muito tempo uma das principais cidades do Vale do Rio Doce. Hoje se destaca pelo complexo da Usina Hidrelétrica de Aimorés, a maior do leste mineiro, e pelo Instituto Terra, fundado por Sebastião Salgado, cujo objetivo é reconstituir o ecossistema florestal da região.
Até a década de 1850 a região era habitada exclusivamente pelos Aimorés. Por muito tempo ajudaram na preservação das matas do atual município, onde foram encontrados instrumentos de caça e de pesca que pertenciam à tribo com mais de 900 anos, porém seu primeiro contato com o homem branco foi pacífico, tendo ocorrido em uma área próxima dali. Em 1856 chega ao lugar uma expedição organizada pelos irmãos João e Luís de Aguiar e um cunhado de nome Inácio Mançores, vindos de Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro; atravessaram Manhuaçu até chegar ao ribeirão Pocrane e posteriormente ao rio Manhuaçu e à confluência deste com o rio Doce.
Como o lugar oferecia vantagens econômicas, com seu solo fértil, caça abundante e rios piscosos, estabeleceram-se como produtores rurais e mineradores em busca de ouro e pedras preciosas. Somente por volta de 1870 vieram para o município os desbravadores com o verdadeiro propósito de implantar o progresso por meio da agricultura e da pecuária. Entre esses destaca-se Paulo Martins dos Santos. Incentivaram a agricultura, a pecuária e foram aos poucos povoando o local. Outras pessoas foram atraídas pela notícia da fertilidade e riqueza da zona e para lá se dirigiram, crescendo assim a localidade. Inicialmente denominaram a nova terra de "Natividade", porém em 1910 passou a ter o nome de "Aimorés", em homenagem aos nativos, cujo nome prevalece atualmente.
Pela lei estadual nº 556, de 30 de agosto de 1911, o povoado, que até então pertencia ao estado do Espírito Santo, é transformado em distrito do município de Rio José Pedro (atual cidade de Ipanema). Em 18 de setembro de 1915 (confirmada pela lei estadual nº 673, de 5 de setembro de 1916) ocorre a emancipação política de Aimorés, que é instalado em 24 de fevereiro de 1917. O novo município é constituído de cinco distritos, sendo eles: Alto do Capim, Penha do Capim, São Benedito (atual Tabaúna), a Sede e Resplendor. Resplendor é desmembrado e transformado em município pelo decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, e nos anos seguintes ainda ocorre a criação de outros cinco distritos; Conceição do Capim e Expedicionário Alício (lei estadual nº 336, de 27 de dezembro de 1948), Mundo Novo de Minas e São Sebastião da Vala (lei estadual nº 2764, de 30 de dezembro de 1962) e Santo Antônio do Rio Doce (lei municipal nº 1499, de 31 de outubro de 1995).
Após a emancipação continuou a ocorrer o gradativo crescimento econômico e demográfico de Aimorés. Foi por muito tempo um importante centro regional, inicialmente em função da fertilidade da terra, que propiciou o desenvolvimento da agricultura, e da busca do ouro e pedras preciosas e por muito tempo devido ao grande número de serrarias e cerâmicas. No decorrer da década de 1990 em diante o comércio passou a ser a principal fonte econômica. Na década de 2000, o município veio a receber o complexo da Usina Hidrelétrica de Aimorés, que apesar de conceder à cidade ações sociais e renda, trouxe impactos com a relocação de habitantes para o alagamento de algumas áreas e o desvio do curso do rio Doce, que deixou de banhar a região central.
A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de 1 348,913 km², sendo que 5,58 km² constituem a zona urbana. Situa-se a 19°29'45" de latitude sul e 41°03'50" de longitude oeste e está a uma distância de 489 quilômetros a leste da capital mineira. Seus municípios limítrofes são Itueta, ao norte; Baixo Guandu, ao nordeste; Laranja da Terra, à leste; Afonso Cláudio, a sudeste; Brejetuba, ao sul; Mutum, a sudoeste; Pocrane, à oeste; e Santa Rita do Itueto, ao noroeste. Destes, Baixo Guandu, Laranja da Terra, Afonso Cláudio e Brejetuba situam-se no estado do Espírito Santo e as cidades de Mutum, Pocrane, Santa Rita do Itueto e Itueta estão em Minas Gerais.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Governador Valadares e Imediata de Aimorés-Resplendor. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Aimorés, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Rio Doce.
O relevo do município de Aimorés é predominantemente ondulado. Em aproximadamente 40% do território aimoreense há o predomínio de terrenos ondulados, enquanto que 30% é coberto por áreas acidentadas e os outros 30% restantes são lugares planos. A altitude máxima encontra-se na Serra da Mata Fria, situada a sul do município, que chega aos 1 118 metros, enquanto que a altitude mínima está no rio Doce, chegando a 83 metros acima do nível do mar, em um trecho a nordeste da cidade. Vários agrupamentos rochosos são alguns dos principais atrativos do município, tais como a pedra Bonita, a pedra da Fundanga, a pedra da Onça e a pedra Lorena. Análises geomórficas e fotografias registradas por satélites revelam ainda a existência de uma cratera a cerca de 5 quilômetros a norte da cidade, com aproximadamente 9,6 km de diâmetro.
O rio Doce é o principal curso hidrográfico que banha o município, ao lado dos rios Manhuaçu e Capim, que também fazem parte da bacia do rio Doce. As águas do rio Doce alimentam a Usina Hidrelétrica de Aimorés, que é o maior complexo hidrelétrico do leste mineiro. Por vezes, na estação das chuvas, os rios que cortam o município sofrem com a elevação de seus níveis, provocando enchentes em suas margens, o que exige a existência de um sistema de alerta contra enchentes eficaz. A cidade foi uma das mais afetadas pelas enchentes de 1979, que atingiram vários municípios do leste mineiro banhados pelo rio Doce e seus afluentes, e em 2003 e 2004 fortes chuvas provocaram novamente grandes inundações nas proximidades dos rios, bem como as chuvas de 2013, que desalojaram milhares de pessoas na cidade. Há uma série de estações pluviométricas e fluviométricas instaladas em Aimorés, que são administradas pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e que visam a alertar a população de uma possível enchente.
O clima aimoreense é caracterizado como tropical quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), com temperatura média compensada anual de 25 °C e pluviosidade média de 920 mm/ano, concentrados entre os meses de outubro e março. O município é conhecido por ser a cidade mais quente do estado de Minas Gerais e por isso recebe o apelido de "a terra do sol eterno". A estação chuvosa compreende os meses mais quentes, enquanto que a estação seca abrange os meses mornos. Outono e primavera, por sua vez, são estações de transição. A passagem entre os períodos seco e chuvoso é marcada por tempestades, sobretudo na primavera.
As precipitações caem principalmente sob a forma de chuva e, esporadicamente, de granizo, com registros desse fenômeno em 20 de outubro de 2014 e 4 de setembro de 2018, provocando danos em residências e estabelecimentos comerciais. As chuvas podem ainda vir acompanhadas de descargas elétricas e fortes rajadas de vento. De acordo com o Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (ELAT/INPE) em 2018, o município apresenta uma densidade de descargas de 1 raio por km²/ano, estando na 729ª posição a nível estadual e na 4 457ª a nível nacional.