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Afonso Dhlakama

Político e militar revolucionário e líder da RENAMO

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Afonso Macacho Marceta Dhlakama (Mangunde, Sofala, 1 de Janeiro de 1953 — Gorongosa, 3 de Maio de 2018), foi um político e militar revolucionário e líder da RENAMO (Resistência Nacional Moçambicana), o principal partido político da oposição em Moçambique. Afonso Dhlakama foi ex-vice-presidente da Internacional Democrata Centrista, uma associação internacional, fundada em 1961 e sediada em Bruxelas, da qual a RENAMO é membro.

Afonso Dhlakama foi casado com Rosária Xavier Mbiriakwira Dhlakama e teve oito filhos

Início da vida e carreira militar

Em 1974, após a Revolução do 25 de abril em Portugal e, consequentemente, o fim da guerra colonial, o jovem Dhlakama ingressou na FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique). No entanto, pouco tempo depois abandonou esse movimento para se tornar, em 1976, um dos fundadores da RNM (Resistência Nacional de Moçambique), um movimento armado criado com o apoio do regime minoritário da então Rodésia do Sul. Após a morte do primeiro presidente, André Matsangaíssa em combate, e depois de uma luta pela sucessão, Dhlakama tornou-se presidente deste movimento de oposição ao regime, que se começou a designar RENAMO. A guerra civil em Moçambique, que envolvia a FRELIMO (no Governo), e a RENAMO (na oposição), durou 16 anos, durante os quais Dhlakama se manteve a liderar a guerrilha. Em 1984 a República Popular de Moçambique, sob o governo da FRELIMO, e a República da África do Sul, sob o regime minoritário da Apartheid, assinaram o Acordo de Nkomati que previa que cada país acabasse com o apoio aos movimentos armados de oposição do outro e assim eventualmente terminar com a guerra, mas o acordo fracassou.

Pós-guerra e carreira política

Depois de, em 1990, o governo moçambicano ter adotado uma Constituição que instaurava o multi-partidarismo, Dhlakama assinou um acordo de paz com o presidente do país, Joaquim Chissano (líder da FRELIMO), a 4 de outubro de 1992, em Roma, na Itália. Após longo período de negociação, a 4 de Outubro de 1992 assinou com Joaquim Chissano (na altura Presidente de Moçambique), em Roma, o Acordo Geral de Paz, pondo fim a uma guerra civil que durou cerca de 16 anos e que destruiu a economia e infraestruturas do país, tendo provocado centenas de milhares de mortos. Desde então a RENAMO passou a ser um partido político, o segundo maior partido político de Moçambique. A assinatura do Acordo Geral de Paz criou alicerces para a instauração de democracia e a realização das primeiras eleições multipartidárias, abandono da política comunista, e liberalização do mercado e da economia.

Em Julho de 1994, Nelson Mandela, aquando da sua visita a Moçambique, na qualidade de presidente da África do Sul, encontrou-se com o presidente da RENAMO, Afonso Dhlakama. Mandela pediu apoio protocolar a Chissano que tratasse de organizar o encontro com o líder da Renamo, mas Chissano considerou que o gesto de Mandela de encontrar-se com Dhlakama iria dar credibilidade indevida ao líder da Renamo. A tentativa de Mandela de se encontrar com Dhlakama esteve envolta numa situação de incerteza até que decidiu avançar por sua iniciativa e meios, para se encontrar com Afonso Dhlakama,o que veio a consumar-se. O interesse de Mandela em encontrar-se com Afonso Dhlakama não visava algo substancial, senão mostrar a sua neutralidade, quando faltavam cerca de dois meses para as primeiras eleições multipartidárias em Moçambique.Depois do encontro que Mandela manteve com Dhlakama, numa casa de hóspedes oficial em Maputo, Nelson Mandela afirmou que o líder da RENAMO fora bastante cordial, que não lhe transpareceu um líder rebelde. Dhlakama manifestou-se satisfeito pelo encontro, segundo disse na altura Mandela, etdno afirmado o seguinte: “É muito bom que o Mandela concilia a minha pessoa e a de Joaquim Chissano, seguindo o mesmo processo de reconciliação nacional em curso na África do Sul”. Na entrevista que na altura concedeu ao “WeekendStar” Mandela enalteceu a preocupação de Dhlakama com a paz e o comprometimento dele e de Chissano neste sentido. Entretanto, o gesto de Mandela de encontrar-se com Dhlakama, sem a indiferença a que Chissano lhe aconselhava, só revelou a importância que o líder da RENAMO tem para a democracia e a estabilização de Moçambique. O percurso de Nelson Mandela não é semelhante ao de Dhlakama, mas coincidem nalguns pontos: a violência ou recurso a armas para a solução das diferenças, como o foi em 1976 quando aos seus 23 anos o líder da “perdiz” toma parte da guerrilha para lutar contra a política marxista comunista em Moçambique. No caso de Mandela, ele foi detido pelo facto em 1964, permaneceu na prisão até 1990.

Candidato Presidencial: 1994-2009

Em outubro de 1994, Afonso Dhlakama concorreu às primeiras eleições presidenciais de Moçambique, mas só obteve 33,7 % dos votos, contra 53,3 de Chissano. Nas eleições legislativas, a RENAMO também perdeu ao somar 37,7 % dos votos, contra os 44,3 da FRELIMO. Em 1998 reuniu com Chissano para debater a situação no país. Em dezembro de 1999 voltaram a realizar-se eleições presidenciais e de novo Dhlakama perdeu para Chissano. Desta vez a margem foi menor já que o líder da RENAMO somou 47,71 % e o da FRELIMO 52,29%. A RENAMO contestou a validade destas eleições e, cerca de um ano depois, em novembro de 2000, houve violentas manifestações por todo o país, fomentadas pela RENAMO. Dhlakama e Chissano reuniram antes do final do ano, mas logo no início de 2001, o líder da RENAMO reafirmou que não reconhecia o seu homólogo da FRELIMO como presidente da República de Moçambique. Acusou o governo de organizar massacres no norte do país. Entretanto, nunca deixou de pedir a recontagem dos votos das eleições legislativas e presidenciais de 1999. A 19 de novembro de 2003,a RENAMO perdeu novamente para a FRELIMO. Afonso Dhlakama solicitou, mais uma vez, ao Conselho Constitucional Moçambicano, a impugnação dos resultados, alegando irregularidades no processo eleitoral autárquico.

Em 2008, no dia 25 de Março, na sua qualidade de Vice-presidente da Internacional Democrata Centrista, a que pertence o Partido Social Democrata (Portugal), o Presidente Afonso Dhlakama recebeu e conversou com o Presidente Português, Cavaco Silva, na cidade de Maputo. Embora os contactos políticos em Moçambique do chefe de Estado português sejam claramente com a FRELIMO, este encontro permitiu ao Presidente Afonso Dhlakama expor ao chefe de estado português a sua opinião sobre a governação em Moçambique, com maior realce para a incapacidade do actual governo de responder às preocupações do povo, a problemática da partidarização do Estado, e apelou ao mais alto magistrado do Estado Português, para continuar com as iniciativas de apoio ao desenvolvimento de Moçambique. Além disso, Afonso Dhlakama apontou a necessidade de os apoios canalizados a Moçambique serem acompanhados por iniciativas de responsabilização e transparência.

Instabilidade político-militar: 2013-2014

Contudo, como resultado do não cumprimento do Acordo Geral de Paz pelo governo, houve degradação e partidarização da infraestrutura e dos órgãos do estado, o que levou a sua descredibilização. Contrariamente ao previsto nos protocolos do Acordo Geral de Paz, as Forças de Defesa e Segurança, o sistema judicial, o conselho constitucional, e outros órgãos do estado foram partidarizados. Estes aspectos aliados as sucessivas irregularidades nos processos eleitorais, e a ridicularização da oposição e de todos os cidadãos críticos ao regime, levaram o líder da RENAMO, o presidente Afonso Dhlakama, a abandonar a capital do país, onde residia, e deslocar-se para Nampula, província nortenha de Moçambique. Após um dialogo fracassado com Armando Emilio Guebuza, ex-presidente do país (e da FRELIMO), o governo enviou forças militares e paramilitares para as proximidades da sua residência, na cidade de Nampula. Este e outros acontecimentos levaram a que o líder da RENAMO abandonasse mais uma vez a sua residência na cidade de Nampula, tendo-se dirigido para o seu quartel-general no povoado de Sathundjira, localidade de Vunduizi, distrito de Gorongosa, na província central de Sofala.

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