Adriana Esteves Agostinho Brichta (Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 1969) é uma atriz brasileira. Considerada pela crítica como uma das maiores atrizes do país, venceu diversos prêmios ao longo de sua carreira, incluindo duas indicações ao Emmy.
Ganhou notoriedade na década de 1990, com participações em novelas como Meu Bem Meu Mal (1990), Pedra sobre Pedra (1992), Renascer (1993) e A Indomada (1997). Após enfrentar um período de depressão de três anos, retornou à televisão em Razão de Viver (1996), do SBT, e voltou à TV Globo em 1997, com A Indomada. Posteriormente, integrou o elenco de outras produções de destaque, como as novelas Torre de Babel (1998), O Cravo e a Rosa (2000), Coração de Estudante (2002) e Kubanacan, as sitcoms Toma Lá, Dá Cá (2007–2009) e Morde & Assopra (2011), além das séries Justiça (2016), Assédio (2018) e Os Outros (2023). A partir da década de 2010, destacou-se também pela interpretação de vilãs em novelas do horário nobre da TV Globo, como Avenida Brasil (2012), Babilônia (2015), Segundo Sol (2018), Amor de Mãe (2019) e Mania de Você (2024).
Internacionalmente, foi indicada ao Emmy Internacional na categoria de Melhor Atriz pela sua interpretação como Dalva de Oliveira na minissérie Dalva e Herivelto: Uma Canção de Amor (2011), e pela minissérie Justiça (2016). No cinema, também foi premiada fora do país pelo filme As Meninas (1995), vencendo como Melhor Atriz no Festival Internacional de Cinema de Cartagena.
Adriana Esteves Agostinho nasceu e cresceu no Méier, no subúrbio carioca, em 15 de dezembro de 1969. É filha da artista plástica Regina Esteves Agostinho e do médico Paulo Felipe Agostinho. Estudou balé e teatro quando criança e iniciou sua carreira artística aos 15 anos, na adolescência, como modelo, após desistir de ser bailarina. Formou-se em publicidade pela Universidade Gama Filho.
1988–1997: Início e primeiros papéis
Em 1988, Adriana estreou na televisão após ser aprovada em testes com outras 30 garotas para apresentar o Fórmula 1, na Band, um boletim de 15 minutos exibido aos domingos sobre as corridas, que ficou apenas dois meses no ar. Nesse mesmo ano, Adriana teve sua primeira aparição nas novelas em Vale Tudo, onde foi figurante em duas cenas, encenando ao lado de estrelas como Glória Pires e Marcello Novaes, que se tornariam grandes amigos. Logo após apresentou o Evidência, programa que mostrava as opções culturais para o fim de semana, exibido às sextas-feiras às 13h30. Em 1989, passou nos testes da TV Globo para estrelar o quadro "Controle Remoto", no Domingão do Faustão, junto com Cassio Scapin, porém a dupla só permaneceu uma edição e foi substituída pelos humoristas Stella Freitas e Pedro Cardoso. No mesmo ano participou do concurso "Melhor de Três", também do Domingão, no qual a vencedora — que foi Flávia Alessandra — assinou com a Globo e ganhou um papel de destaque na novela Top Model. O diretor Ricardo Waddington, no entanto, também incluiu no elenco da novela em papéis menores Adriana, bem como as outras finalistas Gabriela Duarte, Maria Mariana e Lisandra Souto.
Em 1990, ganhou destaque em Meu Bem Meu Mal como a fria Patrícia, que seduzia o personagem de José Mayer para vingar sua família. Em 1992 viveu Marina, a coprotagonista de Pedra sobre Pedra, que vivia um romance proibido entre famílias rivais com o personagem de Maurício Mattar, inspirado em Romeu e Julieta. Em 1993, interpretou sua primeira protagonista, Mariana, em Renascer, que vivia um triângulo amoroso entre pai e filho, personagens de Marcos Palmeira e Antônio Fagundes. A controversa personagem foi duramente criticada pelo público, em uma rejeição que a atriz tomou para si, culminando em um quadro de depressão. Ela então pediu demissão da Globo no fim de 1993, recusando a personagem Babalu de Quatro por Quatro no ano seguinte. Adriana manteve-se reclusa por três anos, fazendo raras aparições e recorrendo à terapia para superar o trauma.
Em 1996, surpreendeu ao voltar às novelas como a protagonista Zilda de Razão de Viver, no SBT — que na época investia em uma dramaturgia elogiada — contracenando com seu então marido Marco Ricca. Adriana alegou que aceitou a proposta após ver atores consagrados como Lucélia Santos, Irene Ravache, Osmar Prado e Paulo Goulart sendo premiados em novelas da emissora como Éramos Seis e Sangue do Meu Sangue. Com a novela, Adriana foi elogiada e restabeleceu sua imagem perante ao público, sendo indicada ao Prêmio Contigo! e Prêmio APCA. Em 1997, retornou à TV Globo revitalizada como a protagonista Lúcia Helena de A Indomada, uma moça prometida ao milionário da cidade por sua ardilosa tia, interpretada por Eva Wilma.
1997–2011: Avanço e sucesso nacional
Em 1998, interpretou a vilã Sandra na novela Torre de Babel, uma garçonete que se envolve com Alexandre Toledo (Marcos Palmeira), interessada em seu dinheiro, e foi considerada a melhor atriz daquele ano, fazendo sucesso nas rádios com a música "Só no Sapatinho", música tema de sua personagem.
Em 2000, atuou em O Cravo e a Rosa, onde viveu a feminista Catarina Batista, uma mulher dos anos 1920, que vive um romance entre amor e ódio com Petrúchio (Eduardo Moscovis). Sua personagem é considerada uma de suas mais importantes atuações na teledramaturgia nacional.
Em 2002, viveu a vilã cômica Amelinha na novela Coração de Estudante, a ardilosa filha do poderoso fazendeiro João Mourão (Cláudio Marzo) que se apaixona por Edu (Fábio Assunção). Logo depois protagonizou Kubanacan, onde começou a namorar seu atual marido Vladimir Brichta, com quem tem um filho. Adriana viveu a cantora de cabaré, Lola de autoria de Carlos Lombardi. A primeira opção do autor foi a atriz Letícia Spiller, mas a atriz estava envolvida nas gravações de Sabor da Paixão e por isso não pôde aceitar o convite.
Em 2004, participou da primeira fase de Senhora do Destino como a vilã Nazaré Tedesco. Atuou ainda em A Lua Me Disse, como a mocinha Heloísa, moradora do Beco da Baiúca, se apaixona pelo bondoso Ricardo, filho da milionária Esther Bogari (Zezé Polessa), uma mulher implacável e sócia do Banco Benate Bogari que não admite o namoro do filho com uma moça pobre. Em 2006 também faz uma breve — porém importante — participação em Belíssima como Stella Assumpção, mãe da protagonista Júlia (Glória Pires). Além da televisão, também atuou no teatro. No cinema, encarnou a cômica faxineira Olímpia no longa Trair e Coçar É só Começar, baseado na peça homônima.
Em 2005, deu vida à dona de casa Celinha no especial de fim de ano Toma Lá, Dá Cá. Quando o programa entrou para a grade da Globo, em 2007, Adriana, após a licença-maternidade de seu segundo filho, retomou a personagem Celinha, uma dona de casa, ex-mulher de Arnaldo (Diogo Vilela) e atual esposa de Mário Jorge (Miguel Falabella), que vive se intrometendo na vida de Arnaldo e de sua esposa Rita (Marisa Orth), que é ex-mulher de Mário Jorge, interpretando-a até 2009.
Enquanto ainda gravava Toma Lá, Dá Cá, Adriana gravou a minissérie Dalva e Herivelto: uma Canção de Amor interpretando a cantora Dalva de Oliveira, papel pelo qual foi indicada ao Prêmio Emmy Internacional de melhor atriz em 2011. A minissérie foi exibida em janeiro de 2010, quando já estava completamente gravada. No mesmo ano protagonizou o episódio "A Vingativa do Méier" da série As Cariocas. Em 2011 foi escalada para viver a paleontóloga Júlia, protagonista de Morde & Assopra, no qual faz então seu terceiro trabalho com Marcos Pasquim.
2012–2016: Avenida Brasil, Babilônia e Justiça
Em 2012 despontou como a vilã Carminha em Avenida Brasil, novela de João Emanuel Carneiro, colhendo elogios da crítica especializada, sendo eleita a melhor atriz de 2012 e ganhando diversos prêmios, entre eles o Melhores do Ano e Troféu Imprensa. Carminha, uma mulher má, moradora de uma casa de luxo no subúrbio do Rio de Janeiro, foi abandonada pelos seus pais, ainda criança, no lixão. Sendo então criada por Mãe Lucinda (Vera Holtz), Carminha cresce e se casa com Genésio, com um plano para acabar com ele. Sua filha, Rita, descobre tudo e Genésio morre atropelado em plena Avenida Brasil pelo craque do futebol Jorge Tufão (Murilo Benício), que acabara de vencer o Campeonato Carioca pelo Flamengo. Cheio de culpa, Tufão, se casa com Carminha e a mesma, cheia de ódio de Rita, a leva para o lixão, onde é criada por Mãe Lucinda. Carminha passa a morar numa luxuosa mansão no fictício bairro suburbano do Divino, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Pouco tempo depois que Rita sai do lixão, Carminha adota Batata, que na verdade é seu filho biológico com Max (Marcello Novaes), e que ela havia abandonado no lixão logo após o nascimento, já que não tinha condições de criá-lo. O garoto é muito bem recebido na casa de Tufão, e inclusive passa a ser chamado de Jorginho. Ele, porém, jamais se esqueceu de Rita, assim como esta jamais se esqueceu de Jorginho. Treze anos depois, em 2012, Nina (Débora Falabella) cresceu e se tornou uma excelente chefe de cozinha na Argentina, mas quando perde seus pais resolve voltar ao Brasil para iniciar seu plano de vingança, abandonando seu namorado e suas duas irmãs. Pela internet ela conhece Ivana (Letícia Isnard), irmã de Tufão, e consegue ser contratada pela família, assim aproximando-se para vingar-se de Carminha. Sua personagem foi então considerada uma das maiores vilãs da teledramaturgia brasileira. Ainda em 2012, Adriana foi eleita pela revista Época uma das 100 personalidades mais influentes do Brasil no ano. A atriz declarou que não realizaria nenhum trabalho em 2013, que pretendia apenas descansar.