Adriana da Cunha Calcanhotto (Porto Alegre, 3 de outubro de 1965) é uma cantora, compositora, musicista e professora brasileira, além de atuar como professora tornou-se embaixadora da Universidade de Coimbra, em Portugal.
A artista considerada cosmopolita e tropicalista iniciou a trajetória artística em meados da década de 1980, com apresentações em bares e casas noturnas de Porto Alegre. No ano de 1990 lançou seu primeiro álbum de estúdio denominado Enguiço que lhe rendeu o Prêmio Sharp de Revelação Feminina. Trabalho dedicado a Maria Bethânia. Após dois anos lança o álbum seguinte chamado Senhas (1992): a obra foi o primeiro trabalho concebido e produzido totalmente pela cantora. O projeto posterior consiste numa obra musical de estúdio, cujo título é A Fábrica do Poema (1994) considerado pela imprensa "o disco do ano".
Em seu primeiro disco ao vivo, Adriana se voltou para o formato de voz e violão, presente no início da carreira. Público (2000) deu origem a um DVD e centenas de shows pelo Brasil em uma turnê que durou dois anos. Cantada (2002) foi o novo álbum de estúdio e estabeleceu parcerias com músicos da nova geração.
Em 2004, surgiu o heterônimo infantil Adriana Partimpim, que estreou em disco homônimo e rendeu um show teatral registrado em DVD. Com o projeto recebeu o Grammy Latino na categoria Melhor Álbum Infantil. Partimpim voltaria a aparecer em outros dois trabalhos de estúdio, Partimpim Dois (2009) e Partimpim Tlês (2012). E rendeu mais um DVD ao vivo Partimpim Dois é Show.
O sexto álbum de estúdio, Maré (2008), foi o segundo da trilogia marítima. Durante a excursão portuguesa de lançamento do disco escreve “Saga Lusa – O Relato de Uma Viagem”, lançado nesse ano ainda. Em 2011, produziu o seu primeiro disco inteiramente autoral: O Micróbio do Samba, cujo título faz alusão a uma expressão do conterrâneo Lupicínio Rodrigues. A safra de composições era contaminada pelo ritmo e rendeu um aclamado show, eternizado em DVD no ano seguinte.
“Loucura”, lançado em julho de 2015, ganhou no ano seguinte o Prêmio da Música Brasileira na categoria Melhor DVD. Em dezembro de 2015 faz recital de poesia portuguesa e brasileira na Biblioteca Joanina, em Coimbra, com o violonista Arthur Nestrovski como convidado, ocasião em que foi nomeada Embaixadora da Universidade de Coimbra. Em 2017 fez residência artística e deu aulas na Universidade de Coimbra sobre poesia portuguesa e brasileira, trovadores provençais e galegos, sobre a invenção da língua portuguesa e a canção popular do Brasil. Nos anos 2018 e 2019 ministrou o curso de composição “Como escrever canções” a convite da Universidade de Coimbra. Em 2019 lançou o terceiro álbum da sua trilogia marítima, Margem, com turnê de shows no Brasil, Europa e Estados Unidos. Em 2020 a turnê Margem seguiria por Portugal e Europa no primeiro semestre.
É filha de Carlos Calcanhoto, baterista de jazz e bossa nova, e de Morgada Assumpção Cunha, bailarina e professora de Educação Física. Aos seis anos ganha da avó o primeiro instrumento: um violão. Aprendeu a tocar o instrumento e também, mais tarde, a cantar. Logo emergiu nas influências musicais (MPB) e literárias (Modernismo Brasileiro). Ficou fascinada pelo Movimento antropofágico de Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e outros nomes daquele movimento cultural.
A vida artística iniciou-se em bares de Porto Alegre, como o Fazendo Artes, situado próximo à 1ª Companhia de Guardas do Exército, próximo ao Parque Farroupilha, e o Porto de Elis, na avenida Protásio Alves. Também trabalhou em peças teatrais e depois se lançou em concertos e festivais por todo o país no estilo voz e violão.
De 1988 a 1997: As primeiras gravações
A carreira de Calcanhotto gravando música se inicia em 1988, ao gravar a versão brasileira de "Perfect Isn't Easy" ("Perfeição Existe"), da trilha sonora do filme da Disney Oliver e Sua Turma, lançado em novembro de 1988. Neste mês, ela grava duas faixas para o álbum independente com artistas gaúchos Geração Pop, lançado em 1989. As faixas eram: "Suspeito" (releitura de Arrigo Barnabé) e "Viu?", primeira composição própria lançada comercialmente. Em 1989, ela aparece no álbum A Trilha Sonora África Brasil, com composições do cineasta André Luiz Oliveira, cantando "Navio Negreiro IV", sobre poema de Castro Alves.
Em seguida, Calcanhotto é contratada pela gravadora CBS, por quem lança Enguiço, lançado em 1990. O álbum trouxe canções de autoria (a faixa título e "Mortaes") e regravações de clássicos da MPB ("Sonífera Ilha", do grupo Titãs, "Caminhoneiro" de Roberto e Erasmo Carlos, Disseram que Voltei Americanizada, gravada por Carmem Miranda, e "Nunca", do conterrâneo Lupicínio Rodrigues). "Naquela Estação", por sua vez, integrou a trilha sonora da telenovela global Rainha da Sucata (1990), de Sílvio de Abreu. Tal música lançou a carreira da cantora e tornou-a conhecida. No ano seguinte, recebeu o Prêmio Sharp de revelação feminina.
No segundo trabalho, Senhas, de 1992, o repertório estava focado nas canções de autoria, com destaque para "Esquadros" e "Mentiras"; esta última foi incluída na trilha da novela Renascer, de Benedito Ruy Barbosa.
Em 1994, a fórmula dá sinais de cansaço e desgaste devido à exposição excessiva na mídia. Por isso, nesse mesmo ano lançou o LP A Fábrica do Poema, com algumas doses de experimentalismo (poemas de Augusto de Campos, Gertrude Stein, textos do cineasta Joaquim Pedro de Andrade e parcerias com Waly Salomão, Arnaldo Antunes, Antônio Cícero e Jorge Salomão). Neste disco, que também foi o último a ter versão em vinil, os destaques foram "Metade" e "Inverno".
Em 1996, Calcanhotto gravou uma versão de "E... O Mundo não Se Acabou", popularizada por Carmen Miranda, para a trilha de O Fim do Mundo.
De 1998 a 2003: Ápice do sucesso
Prosseguiu com o álbum Maritmo, que simulou uma incursão pela dance music (Pista de dança, Parangolé Pamplona), samplers (Vamos comer Caetano), e a regravação de Quem vem para beira do mar, de Dorival Caymmi, além dos hits radiofônicos Vambora, de sua autoria, e a regravação Mais Feliz, de Cazuza.
Uma das participações foi uma performance na livraria Argumento, no Rio de Janeiro, musicando poemas do poeta português Mário de Sá Carneiro em 1996. Um deles, O Outro acabou por entrar no CD Público (2000), que trazia regravações dos antigos sucessos entre outras canções consagradas e também rendeu um DVD, lançado no ano seguinte pela gravadora BMG.
No mesmo ano, a canção "Devolva-me" integrou a trilha da telenovela Laços de Família como tema de Clara (Regiane Alves) e Fred (Luigi Baricelli). A música também estava presente no álbum Público.