Adriana Soares, mais conhecida como Adriana Bombom (Rio de Janeiro, 8 de janeiro de 1974), é uma repórter e atriz brasileira.
Ganhou projeção nacional ao atuar como assistente de palco e dançarina nos programas Xuxa Hits e Planeta Xuxa, na TV Globo, na segunda metade da década de 1990, sendo frequentemente citada como uma das primeiras assistentes de palco negras em programas infantis e de auditório de grande audiência no país.
Em sua infância, Adriana viveu em um orfanato no Rio de Janeiro, período em que relatou ter enfrentado dificuldades materiais e episódios de preconceito relacionados ao cabelo e à cor da pele. Antes da projeção televisiva, trabalhou como babá, empregada doméstica e balconista de loja.
A entrada na televisão ocorreu em meados da década de 1990, inicialmente como figurante em programas de auditório. De acordo com a própria artista, foi durante uma gravação em que dançou em um quadro musical que chamou a atenção da diretora Marlene Mattos, sendo convidada a integrar o elenco do Xuxa Hits em 1996 como assistente de palco e dançarina. Permaneceu ao lado de Xuxa Meneghel no Xuxa Hits e, posteriormente, em Planeta Xuxa (1997–2002), onde se consolidou como uma das figuras mais reconhecidas do balé e do elenco de apoio.
Além da participação como dançarina, Bombom lançou um single com canções utilizadas em intervalos do programa, como "Dança da Bombom" e "Bom Apetite". Nos anos seguintes, atuou como atriz convidada em programas humorísticos da TV Globo, entre eles Malhação, A Turma do Didi, Zorra Total e Sob Nova Direção. Na Rede Bandeirantes, trabalhou como repórter em atrações como Melhor da Tarde, comandado por Leão Lobo e Leonor Corrêa, e em 2008 integrou o elenco do humorístico Uma Escolinha Muito Louca como a personagem Ana Balanço.
Em 2006, apresentou a versão local do programa de variedades Bom Demais, exibido pela Rede Record do Rio de Janeiro. Paralelamente, desenvolveu carreira no cinema, com participações em filmes da franquia de Xuxa Meneghel, como Xuxa Requebra (1999), Xuxa Popstar (2000) e Xuxa e os Duendes (2001), e no curta-metragem A incrível história da mulher que mudou de cor (2004), do diretor Allan Ribeiro, no qual interpretou a protagonista Mercedes.
Entre 2009 e 2019, Bombom ficou conhecida também como repórter do programa de celebridades TV Fama, da RedeTV!, assinando quadros como Bombando com Bombom e cobrindo bastidores de festas, desfiles e eventos ligados ao entretenimento.
Ligada ao samba desde o fim dos anos 1990, Adriana Bombom tornou-se presença constante nos desfiles do Carnaval do Rio de Janeiro e do Carnaval de São Paulo. Foi rainha de bateria de escolas como Tradição e Tom Maior, em São Paulo, e ocupou o posto de rainha de bateria da Portela da Zona Sul entre 2006 e 2008, período em que desfilou à frente da bateria comandada pelo mestre Mug.
Após alguns anos afastada dos desfiles, foi anunciada em 2019 como musa da Acadêmicos do Grande Rio, marcando sua volta oficial à Marquês de Sapucaí. Matérias na imprensa destacam sua trajetória como uma das sambistas e personalidades televisivas que investiram na “vitrine carnavalesca” como extensão da visibilidade conquistada na TV.
Imagem pública e representatividade
Sua presença nos programas de Xuxa, em especial em Planeta Xuxa, foi discutida em estudos sobre representação racial e padrões de beleza na televisão brasileira. A antropóloga Patricia Pinho, em capítulo publicado na coletânea Beautiful Ugly: African and Diaspora Aesthetics, observa que a produção do programa buscou responder a críticas de ausência de artistas negros atribuindo a uma dançarina negra um “papel secundário, mas muito visível”, marcado por figurinos sensuais e associação a produtos de beleza para cabelos "étnicos".
Em entrevistas, a própria Bombom já ressaltou o impacto simbólico de sua participação em programas populares, relatando que era percebida pelo público como uma espécie de “paquita negra” e como referência visual para meninas negras que não se viam representadas no elenco principal.
Uma aparição sua na capa da revista Sexy, em setembro de 2004, também foi objeto de análise acadêmica. Uma dissertação discute a edição em que Bombom estampa a capa como exemplo de como a publicação negocia erotização, raça e padrões de beleza ao apresentar uma modelo negra em posição ainda minoritária no conjunto das capas da revista.
A trajetória de Bombom é por vezes associada, na imprensa, a narrativas de superação social e de afirmação da identidade negra, seja por meio da dança, da presença na televisão ou do samba, sendo citada em colunas e reportagens sobre empoderamento feminino e representatividade no carnaval.
Adriana Bombom tem uma irmã gêmea, Andréa, que morreu em julho de 2024, aos 50 anos. Em entrevistas, a artista relatou que a passagem pelo orfanato na infância e as experiências de discriminação racial marcaram sua formação pessoal, mas também fortaleceram sua decisão de seguir carreira artística.
Em 2001, casou-se com o sambista Dudu Nobre, com quem teve duas filhas, Thalita e Olívia. O casal se separou em 2009, em processo acompanhado pela imprensa de celebridades.