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Abraham Weintraub

Economista e professor brasileiro, ex-ministro da Educação do Brasil

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Abraham Bragança de Vasconcellos Weintraub (São Paulo, 11 de outubro de 1971) é um economista, ex-professor e político brasileiro, atualmente sem partido. Foi ministro da Educação do Brasil entre 2019 e 2020 e diretor executivo do 15.º Distrito do Conselho Administrativo do Banco Mundial, de 2020 a 2022. Também é ex-docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), de onde foi demitido em 2024 por abandono de cargo.

Em 2022, candidatou-se ao cargo de deputado federal por São Paulo, não sendo eleito.

O pai de Abraham, o psiquiatra Mauro Weintraub, foi professor da Universidade de São Paulo (USP) e na década de 1980 escreveu um livro sobre cannabis, defendendo a dissociação da relação entre uso e criminalização, algo extremamente progressista para a época. O próprio Abraham já chegou a afirmar que o pai sofreu perseguição na época da ditadura militar por defender alunos que desapareceram durante o regime. Diferentemente do pai, Abraham e o irmão Arthur Weintraub possuem uma postura mais conservadora; ambos participaram do Governo Bolsonaro. Arthur foi assessor especial da presidência da República.

Em 2011, os irmãos Abraham e Arthur entraram com uma demanda na Justiça de São Paulo pedindo para tornarem-se tutores de seu pai, Mauro Weintraub. O pedido foi julgado e indeferido pelo juiz Rui Porto Dias, que entendeu que não havia elementos suficientes que justificassem a interdição de Mauro Weintraub. Os irmãos recorreram da sentença, mas o tribunal negou provimento à apelação em março de 2016.

Abraham Weintraub graduou-se em ciências econômicas pela Universidade de São Paulo (USP) em 1994, tendo realizado MBA Executivo Internacional e mestrado em administração (área de finanças) na Fundação Getulio Vargas (FGV).

Executivo do mercado financeiro com mais de vinte anos de experiência, atuou como economista-chefe e diretor do Banco Votorantim e como sócio na Quest Investimentos. Também foi membro do Comitê de Negociação da BM&F Bovespa e do Comitê de Macroeconomia da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro. Foi integrante da equipe de transição do governo Jair Bolsonaro e em 1º de janeiro de 2019 foi nomeado secretário-executivo da Casa Civil.

Foi professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Em abril de 2023, Abraham Weintraub e sua esposa Daniela tiveram os salários suspensos da Unifesp por não comparecerem ao trabalho, e em dezembro do mesmo ano a Controladoria-Geral da União (CGU) instaurou uma sindicância para apurar a ocorrência de abandono de cargo. Após a conclusão do processo administrativo disciplinar, Weintraub foi demitido da Unifesp em 7 de fevereiro de 2024.

Em 8 de abril de 2019, foi nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro para o cargo de ministro da Educação, após a demissão do ex-ministro Ricardo Vélez Rodríguez. Pouco após uma reunião no Palácio do Planalto entre Bolsonaro e Vélez, o presidente afirmou:

Comunico a todos a indicação do Professor Abraham Weintraub ao cargo de Ministro da Educação. Abraham é doutor, professor universitário e possui ampla experiência em gestão e o conhecimento necessário para a pasta. Aproveito para agradecer ao prof. Velez pelos serviços prestados

Weintraub foi muito ativo na rede social Twitter durante seu tempo a frente do Ministério da Educação, onde fez declarações controversas e ataques ao Partido dos Trabalhadores (PT), à imprensa e à esquerda. Por causa das suas polêmicas declarações nas redes sociais, o escritor Ignácio de Loyola Brandão caracterizou Weintraub como um "ministro da educação sem educação, grosso, horrendo, nojento" e o colunista Demétrio Magnoli como "um seguidor inculto de Olavo de Carvalho". O presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM) classificou o ministro como um "desqualificado", "um desastre" e que "traduz a bandeira do ódio". Por fim, Weintraub em resposta diz "não querer brigar", "quero permanecer em paz". Não há no currículo de Weintraub formação ou experiência em gestão de políticas educacionais.

Cortes no orçamento das universidades federais

Logo após assumir o Ministério da Educação, foi anunciado um "corte" (termo utilizado pela mídia brasileira) de 30% em recursos destinados às despesas discricionárias de algumas universidades federais. "Universidades que, em vez de procurar melhorar o desempenho acadêmico, estiverem fazendo balbúrdia, terão verbas reduzidas", disse o então ministro ao jornal O Estado de S. Paulo. Posteriormente a medida se estendeu a todas as universidades federais para o 2.º semestre de 2019, sob a forma de bloqueio ou congelamento. As despesas discricionárias correspondem a 13,83% do total orçamentário, havendo então um contingenciamento (termo usado pelo ministro e pelo Governo Federal) de 3,5% deste total — o que de fato representa 30% das despesas não-obrigatórias — que devem ser liberados após setembro. “O contingenciamento vai voltar agora, a partir de setembro. Isso vai gerar um alívio, e vai ser a prova de que houve contingenciamento e não corte. E aí quem falou que teve corte vai ter que se explicar”, disse o ministro na Câmara dos Deputados, no dia 4 de setembro do mesmo ano.

Fazendo-se cumprir sua promessa, no dia 30 de setembro, o ministro Abraham Weintraub anunciou por meio de seu perfil oficial no Twitter e posteriormente em coletiva de imprensa o descontingenciamento de R$ 2 bilhões. Após o desbloqueio de verba a imprensa passou a denominar o desbloqueio como descontingenciamento, atitude não adotada antes quando disse que o contingenciamento foi um corte.

Em maio de 2019, uma notícia afirmava que os contingenciamentos estariam afetando a reconstrução do Museu Nacional, com um corte de 13,9 milhões da verba de 55 milhões reais destinada ao museu, a notícia tinha como base um levantamento feito pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Weintraub reagiu à notícia no dia seguinte em um vídeo publicado nas redes sociais. Com a música Singin' in the Rain de fundo, afirmou no vídeo que "está chovendo fake news", argumentando que a verba de 55 milhões de reais era originária de uma emenda parlamentar no Rio de Janeiro.

Em meados de 2019, protestos estudantis foram organizados pela União Nacional dos Estudantes, manifestando indignação com o corte de verbas, segundo os críticos, ou contingenciamento, no vocabulário do ministro nas verbas às universidades federais. O ministro incentivou denúncias contra alunos e professores que divulgassem e promovessem os protestos dentro de escolas e faculdades. A declaração foi polêmica e foi repudiada por políticos e estudantes.

Em 18 de outubro de 2019 anunciou a liberação das verbas contingenciadas das universidades e institutos federais.

Carteirinha Estudantil Digital

Em setembro de 2019, o governo assinou uma medida provisória que criava uma "carteirinha" estudantil digital para estudantes do ensino fundamental, médio e superior, liberada noventa dias após a assinatura da medida provisória para o ensino superior e em até seis meses para o ensino básico. A emissão da carteirinha seria gratuita por meio de aplicativos de celular e, no caso de uma emissão física, por meio da Caixa Econômica Federal. Uma lei de 2013 prevê que a carteirinha seja emitida por entidades como a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e outras entidades estudantis municipais. Essas entidades cobram pela emissão da carteira, e essa medida foi vista por elas como uma retaliação pelos protestos estudantis, que as mesmas organizaram contra medidas relacionadas à educação no governo Bolsonaro. A medida provisória não foi apreciada pelas casas legislativas, e perdeu a validade em 16 de fevereiro de 2020, não tendo efeito portanto, para a emissão de novas carteirinhas digitais. Apesar disto, as carteirinhas estudantis emitidas naquele período permaneceram válidas.

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