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Aílton Graça

Ator brasileiro

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Aílton Graça (São Paulo, 9 de setembro de 1964), é um ator, cenógrafo, bailarino e palhaço brasileiro. Recebeu aclamação da crítica por interpretar Majestade no filme Carandiru (2003), que o tornou conhecido. Consagrou-se nos anos seguintes por sua versatilidade e interpretação de tipos populares e boêmios. Ele é vencedor de vários prêmios, incluindo um Grande Otelo, um Prêmio Guarani e dois Prêmios Qualidade Brasil, além de ter recebido o festejado prêmio Kikito do Festival de Gramado.

Graça iniciou sua carreira em oficinas de teatro ao mesmo tempo em que trabalhava nos mais variados empregos para se sustentar. Somente em 2003, aos 39 anos, teve reconhecimento ao interpretar o traficante Majestade no filme policial Carandiru, de Hector Babenco, sendo elogiado pela crítica com a indicação o Prêmio Guarani de Melhor Revelação. Ele viu sua carreira alcançar novos ares ao ser convidado para atuar em América, novela exibida em 2005 pela TV Globo, na pele do desbocado Feitosa, que ficou popular entre a audiência e lhe rendeu diversos prêmios de revelação na televisão, incluindo o Melhores do Ano e os Prêmios Qualidade Brasil.

Ele, ao longo de sua carreira, especializou-se em personagens bon vivant e de personalidade mulherenga e boêmia. Mas, também, é reconhecido por sua versatilidade, sobre tudo em séries e filmes policiais. Recebeu sua primeira indicação ao Grande Otelo por seu trabalho no filme Contra Todos (2004), que também lhe rendeu seu primeiro Prêmio Guarani. Na televisão, esteve em destaque nas novelas Cobras & Lagartos (2006), Sete Pecados (2007), Cama de Gato (2009), Avenida Brasil (2012) e Flor do Caribe (2013), além das séries Na Forma da Lei (2010), O Caçador (2014), Cidade Proibida (2017) e Carcereiros (2018).

Recebeu as distinções do Melhores do Ano e o Prêmio Extra na categoria de Melhor Ator Coadjuvante por sua performance como Xana Summer na novela Império, de 2014, que se tornou um de seus maiores sucessos da carreira. Nos anos recentes, destacou-se em Totalmente Demais (2015), O Sétimo Guardião (2018) e Volta por Cima (2024). Mas foi na pele do humorista Mussum na cinebiografia Mussum, o Filmis (2023) que consagrou sua atuação de múltiplas camadas ao receber o Grande Otelo de Melhor Ator, além do prestigiado prêmio do Festival de Cinema de Gramado.

Desde o ano de 2019, Aílton Graça é presidente da escola de samba Lavapés Pirata Negro, a mais antiga agremiação do carnaval de São Paulo.

No carnaval de 2026, o ator será o tema enredo da escola de samba Unidos de Vila Isabel de Viamão/RS, que desfila pelo principal grupo das escolas de samba de Porto Alegre/RS. Com o enredo Ninguém Pode Roubar Nossos Sonhos, o desfile promete destacar a trajetória de Ailton Graça como símbolo de resistência, fé e transformação por meio da arte.

Jornada profissional e formação artística

Nascido em São Paulo, em 9 de setembro de 1964, sua mãe era dona de casa e seu pai trabalhava como porteiro em um hospital. Cresceu no bairro de Americanópolis, na periferia da capital paulista.

Embora Aílton tenha passado um período como camelô, seu amor pelo carnaval sempre foi uma constante em sua vida, influenciado pela vibrante cultura de sua cidade natal. Desde os tempos de escola, sua paixão pela dramaturgia se destacou, levando-o a se envolver no universo teatral por meio de diversas produções amadoras. Antes de se consolidar nas artes, Aílton exerceu várias funções, como fiscal de lotação e vendedor em uma loja de sapatos, experiências que moldaram sua visão de mundo. Sua conexão com a arte se aprofundou ao se tornar servidor público no IAMSPE, onde se engajou em um projeto artístico voltado para o lazer dos pacientes, colaborando com talentosos atores da renomada Escola de Artes Dramáticas da USP.

Nos anos 80, Aílton decidiu aprimorar suas habilidades, formando-se na Oficina Vocal do Centro Cultural de São Paulo e aventurando-se no fascinante universo das técnicas circenses no Circo Escola Picadeiro. Durante dois anos, entre 1986 e 1988, teve a honra de ser aluno do célebre diretor Antunes Filho, participando dos ensaios de clássicos como Macunaíma e A Hora e a Vez de Augusto Matraga, embora não tenha se apresentado oficialmente nessas montagens. Além de sua notável trajetória nas artes, Aílton Graça sempre se destacou por seu comprometimento com causas sociais. Suas origens humildes e a vivência na periferia de São Paulo o tornaram profundamente sensível às questões sociais e econômicas enfrentadas pelas comunidades menos favorecidas, refletindo um engajamento que transcende sua carreira artística.

2001—05: Primeiros trabalhos e reconhecimento

Em 2001, reatou seu contato com os palcos do teatro em Babilônia, do grupo Folias d'Arte, após cerca de oito anos de oficinas esporádicas. Em 2002, foi mestre-sala e coreógrafo de comissão de frente das escolas de samba Gaviões da Fiel e União Independente da Zona Sul. No entanto, foi em 2003 que viu sua carreira deslanchar. No papel do traficante Majestade, ele fez sua estreia no cinema com o o premiado filme de drama Carandiru, dirigido por Hector Babenco, conta algumas das histórias dos detentos do presídio homônimo, que foi a maior prisão da América Latina. O ator disputou o papel com cerca de 2.700 outros candidatos nos 16 testes realizados para a escolha do ator. Sua atuação no filme lhe rendeu elogios da crítica e, além de ganhar um prêmio coletivo de atuação no Festival de Cinema de Cartagena, na Colômbia, ainda recebeu indicações como melhor ator coadjuvante no Prêmio Qualidade Brasil e melhor revelação no Prêmio Guarani.

Ainda em 2003, vive um grande momento no teatro ao protagonizar o espetáculo Otelo, em parceria com o grupo Folias d'Arte, onde interpreta seu primeiro personagem shakespeariano, o emblemático Otelo, o mouro negro que eleva sua condição de plebeu a estrategista militar do governo de Veneza. A participação no filme Carandiru, lhe rendeu convite para atuar na televisão em uma participação especial no episódio "Sábado" da série Cidade dos Homens, na TV Globo, em 2003. Ainda celebrando suas primeiras conquistas na carreira, ele logo foi convidado pelo diretor Roberto Moreira para protagonizar o filme Contra Todos, em 2004, no papel do matador de aluguel Waldomiro. Inicialmente, o personagem seria um homem branco, mas o diretor mudou o perfil do papel após conhecer Aílton e querer o ator em sua obra. Mais uma vez viu seu trabalho ser reconhecido pela crítica. Ele recebeu indicação da Academia Brasileira de Cinema ao Grande Otelo de Melhor Ator e venceu o Prêmio Guarani de Melhor Ator Coadjuvante, além de ser eleito melhor ator pelo Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria.

Em 2004, faz uma participação especial no filme dramático Nina, de Heitor Dhalia, no papel de um policial. No mesmo ano, atua em mais um sucesso comercial no cinema em Meu Tio Matou um Cara, de Jorge Furtado, atuando com Lázaro Ramos e Dira Paes, onde ele interpreta o pai do protagonista Duca (Darlan Cunha), um jovem que quer provar a inocência de seu tio (Lázaro Ramos) do assassinato de um homem. É convidado para participações especiais no seriado A Diarista, estrelado por Cláudia Rodrigues, atuando como o porteiro Valdir, o namorado da protagonista Marinete no episódio piloto e no episódio "Mulheres que Enchem o Saco Demais" da primeira temporada.

Em 2005, destacou-se em sua primeira telenovela, América, de Glória Perez, interpretando o carismático Feitosa, um homem falante que vive sob a proteção excessiva de sua mãe, Diva (Neusa Borges), que se intromete em sua vida, especialmente em suas questões amorosas. No início da trama, Feitosa namora a batalhadora Islene (Paula Burlamaqui), que não é bem aceita por Diva, que duvida de sua fidelidade e faz de tudo para separá-los. Para complicar a situação, a falsa evangélica Creusa (Juliana Paes) seduz Feitosa com o apoio de Diva, com quem acaba se casando. A novela ampliou a visibilidade de Aílton na televisão, abrindo portas para sua carreira na teledramaturgia. Ele foi reconhecido como a revelação do ano em várias premiações, incluindo o Melhores do Ano, Prêmio Qualidade Brasil e Prêmio Contigo! de TV, que também indicou sua parceria com Paula Burlamaqui na categoria de Melhor Par Romântico.

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