Neste Dia

1984 (livro)

Livro de George Orwell

Anúncio

Mil novecentos e oitenta e quatro (em inglês: Nineteen Eighty-Four; também publicado como 1984) é um romance distópico do escritor inglês George Orwell. Foi publicado em 8 de junho de 1949 pela Secker & Warburg como o nono e último livro de Orwell concluído em vida. Tematicamente, centra-se nas consequências do totalitarismo, da vigilância em massa e da lavagem cerebral na sociedade. Orwell, um socialista democrático, modelou o Estado autoritário descrito no romance com base na União Soviética stalinista e na Alemanha Nazista. De forma mais ampla, o romance examina o papel da verdade e dos fatos nas sociedades e as formas como eles podem ser manipulados.

A história se passa em um futuro imaginado em um ano não especificado que se acredita ser 1984, quando grande parte do mundo está em um estado de guerra perpétua. A Grã-Bretanha, agora conhecida como Pista de Pouso Número 1, tornou-se uma província do superestado totalitário chamado Oceania, que é liderado pelo Grande Irmão, um líder ditatorial apoiado por um intenso culto à personalidade fabricado pela Polícia do Pensamento. O partido promove a vigilância governamental onipresente e, através do Ministério da Verdade, o negacionismo histórico e a propaganda estatal constante para perseguir a individualidade e o pensamento independente dos cidadãos.

Winston Smith, o protagonista da história, é um trabalhador mediano e aplicado do Ministério da Verdade, mas que secretamente odeia o partido e sonha com uma revolução. Smith também mantém um diário proibido e começa um relacionamento secreto com uma colega, Julia, com quem descobre sobre um obscuro grupo de resistência chamado Irmandade. No entanto, o contato deles dentro da Irmandade na verdade era um agente do partido e Smith e Julia acabam sendo presos. Ele é submetido a meses de manipulação psicológica e tortura pelo Ministério do Amor e é libertado assim que passa a amar o Grande Irmão.

Mil novecentos e oitenta e quatro tornou-se um exemplo literário clássico de ficção política e distópica. Também popularizou o termo "orwelliano" como adjetivo, com muitos termos usados no romance entrando em uso comum, incluindo "Grande Irmão", "duplipensar", "Polícia do Pensamento", "crime de pensamento", "Novilíngua" e "2 + 2 = 5". Paralelos foram traçados entre o tema do romance e exemplos da vida real de totalitarismo, vigilância em massa e violações da liberdade de expressão, entre outros temas. Orwell descreveu seu livro como uma "sátira" e uma exibição das "perversões às quais uma economia centralizada está sujeita", ao mesmo tempo que afirmou acreditar "que algo semelhante poderia acontecer" no mundo real. A Time Magazine incluiu a obra em sua lista dos 100 melhores romances em língua inglesa publicados de 1923 a 2005. O livro também foi incluído na lista dos 100 melhores romances da Modern Library, alcançando o número 13 na lista dos editores e número 6 na lista de leitores. Em 2003, foi listado em oitavo lugar na pesquisa The Big Read da BBC.

O Arquivo Orwell da University College London contém notas sem data sobre ideias que evoluíram até o livro 1984. Os cadernos foram considerados "improváveis de terem sido concluídos após janeiro de 1944" e "há uma forte suspeita de que parte dos materiais neles contidos remonte ao início da guerra".

Em 1948, Orwell afirma em uma carta ter "pensado no livro pela primeira vez em 1943", enquanto em outra diz que pensou em 1944 e cita a Conferência de Teerã, realizada no ano de 1943, como inspiração: "O que [o livro] realmente pretende é discutir as implicações de dividir o mundo em 'Zonas de Influência' (pensei nisso em 1944 como resultado da Conferência de Teerã), além de indicar, por meio de paródias, as implicações intelectuais do totalitarismo". Orwell viajou pela Áustria em maio de 1945 e, durante a viagem, observou manobras que, para ele, provavelmente levariam à separação das zonas de ocupação soviética e aliada.

Em janeiro de 1944, o professor de literatura Gleb Struve apresentou a Orwell o romance distópico Nós, de Evgeni Zamiatin, publicado em 1924. Orwell expressou interesse e disse a Struve que havia começado a esboçar ideias para uma obra desse tipo, "que pode ser escrita mais cedo ou mais tarde". Orwell começou a escrever 1984 alguns meses após ter lido uma tradução francesa de Nós e ter escrito uma resenha da obra. Há registros de Orwell ter dito que "iria tomá-la como modelo para seu próximo romance". Na introdução à tradução em inglês de 1993, o tradutor Clarence Brown diz que, para Orwell e outros autores, Nós "parece ser 'a' experiência literária crucial". Segundo Alex Shane, biógrafo de Zamiatin, "(…) não há como discutir a influência de Zamyatin em Orwell". Já o crítico Robert Russell, no livro Zamiatin's We, conclui que "1984 partilha tantas características com Nós que não pode haver dúvidas quanto à sua dívida geral com esta", embora haja alguns poucos críticos que consideram tais similaridades como "totalmente superficiais". Mais adiante, Russell observa que "o livro de Orwell é mais sombrio, esquemático e temático que o de Zamyatin, faltando-lhe o humor irônico que permeia a obra russa".

Em 1946, Orwell escreveu sobre o romance distópico Admirável Mundo Novo, de autoria de Aldous Huxley e publicado em 1931, em seu artigo "Liberdade e Felicidade" para a revista Tribune, onde notou as semelhanças com o livro Nós. A essa altura, Orwell já havia obtido sucesso comercial e de crítica com sua sátira política de 1945, Animal Farm, e se tornara conhecido. Decidiu então produzir a sua própria obra distópica.

Pouco antes do lançamento de Animal Farm, em uma reunião em junho de 1944 com Fredric Warburg, cofundador de sua editora britânica, a Secker & Warburg, Orwell anunciou que havia escrito as primeiras doze páginas de seu novo romance. No entanto, como ganhava a vida com jornalismo, previu que o livro não seria lançado antes de 1947. O progresso foi lento; no final de setembro de 1945, Orwell havia escrito por volta de 50 páginas. Orwell ficou desencantado com as restrições e pressões envolvidas na carreira de jornalismo e passou a detestar a vida urbana de Londres. Sua saúde também foi prejudicada, com o inverno rigoroso agravando seu caso de bronquiectasia e lesão em um pulmão.

Em maio de 1946, Orwell chegou à ilha escocesa de Jura. Há vários anos que ele queria retirar-se para uma ilha do arquipelágo das Hébridas. David Astor recomendou que Orwell ficasse em Barnhill, uma quinta remota na ilha de Jura, que era propriedade da sua família. O local não tinha eletricidade nem água quente, mas foi lá que Orwell redigiu e terminou intermitentemente 1984. Sua primeira estada durou até outubro de 1946, período durante o qual ele fez pouco progresso nas poucas páginas já concluídas e, a certa altura, não trabalhou no livro durante três meses. Depois de passar o inverno em Londres, Orwell voltou para Jura; em maio de 1947, ele relatou a Warburg que, apesar do progresso ser lento e difícil, ele havia percorrido cerca de um terço do caminho. Ele enviou sua "bagunça horrível" de um primeiro rascunho do manuscrito para Londres, onde Miranda Christen se ofereceu para digitar uma versão limpa. Entretanto, a saúde de Orwell mudou em setembro e ele ficou confinado à cama por conta de uma inflamação nos pulmões. Ele perdeu cerca de 12,7 quilos e tinha suores noturnos recorrentes, mas decidiu não consultar um médico e continuou escrevendo. Em 7 de novembro de 1947, ele completou o primeiro rascunho na cama e posteriormente viajou para East Kilbride, perto de Glasgow, para tratamento médico no Hospital Hairmyres, onde um especialista confirmou um caso crônico e infeccioso de tuberculose.

No verão de 1948, Orwell recebeu alta médica e retornou para a ilha de Jura, onde produziu um segundo rascunho completo de 1984, que concluiu em novembro. Ele pediu a Warburg que alguém fosse a Barnhill e redigitasse o manuscrito, que estava tão caótico que a tarefa só era possível se Orwell estivesse presente, pois só ele poderia compreender o que estava escrito. O voluntário anterior havia deixado o país e nenhum outro foi encontrado, então um impaciente Orwell redigitou por si mesmo, a uma taxa de cerca de 4 mil palavras por dia, durante crises de febre e ataques de tosse com sangue. Em 4 de dezembro de 1948, Orwell enviou o manuscrito finalizado para Secker & Warburg e deixou Barnhill para sempre em janeiro de 1949. Ele se recuperou em um sanatório localizado em Cotswolds.

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
1984 (livro) | World in Stories