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Óscar Romero

Óscar Arnulfo Romero Galdámez, conhecido como Santo Óscar Romero (Ciudad Barrios, San Miguel, 15 de agosto de 1917 — San

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Óscar Arnulfo Romero Galdámez, conhecido como Santo Óscar Romero (Ciudad Barrios, San Miguel, 15 de agosto de 1917 — San Salvador, 24 de março de 1980) foi um sacerdote católico salvadorenho, quarto arcebispo metropolitano de San Salvador (1977-1980), capital de El Salvador. Foi assassinado em 1980, em consequência dos conflitos da Guerra Civil de El Salvador, e reconhecido como mártir e santo pela Igreja Católica.

Filho de Santos Romero e Guadalupe de Jesús Galdámez, Romero nasceu em Ciudad Barrios, um povoado do Departamento de San Miguel onde se produzia café, a 156 quilômetros de San Salvador, no dia 15 de agosto de 1917, numa família de origem humilde.

Em 1931, com treze anos, ingressou no Seminário Menor de San Miguel e, em janeiro de 1937, no Seminário Maior San José de la Montaña, em San Salvador. Sete meses depois, viajou para estudar teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma, onde presenciou as calamidades da Segunda Guerra Mundial. Ele recebeu uma Licenciatura em Teologia cum laude em 1941, mas teve que esperar um ano para ser ordenado porque era menor do que a idade exigida. Em 4 de abril de 1942, foi ordenado padre. Sua família não pôde comparecer à sua ordenação devido às restrições de viagem impostas pela guerra.

Romero permaneceu na Itália para obter um doutorado em teologia, especializando-se em teologia ascética e perfeição cristã segundo Luís de la Puente. Antes de terminar, em 1943, aos 26 anos, foi chamado de volta da Itália pelo seu bispo. Viajou para casa com um bom amigo, o padre Valladares, que também fazia doutoramento em Roma. No caminho de volta, fizeram paragens em Espanha e Cuba, onde foram detidos pela polícia cubana, provavelmente por terem vindo da Itália fascista, e foram colocados em um campos de internação. Posteriormente, Valladares adoeceu e eles foram transferidos para um hospital. Pela intervenção de padres cubanos, eles foram libertos em 1943 e retornaram a El Salvador.

Ao retornar ao seu país, foi designado para a paróquia de Anamorós e depois para a de San Miguel, onde passou mais de vinte anos. Em 1966, fez um retiro sabático, procurando também um padre para se confessar e um psiquiatra. Foi diagnosticado com transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva, pelo psiquiatra, e com escrupulosidade, pelos padres. Posteriormente, foi nomeado reitor do seminário interdiocesano de San Salvador, diretor de revistas pastorais e secretário da Conferência Episcopal da América Central e do Panamá. Este último cargo, ocupou de 1967 a 1974.

Em 21 de junho de 1970, foi nomeado pelo Papa Paulo VI como bispo auxiliar de San Salvador, com a sé titular de Tambeae. Romero foi ordenado em 21 de junho de 1970, em San Salvador, pelo Arcebispo Girolamo Prigione, Núncio Apostólico em El Salvador e na Guatemala; os principais co-consagradores foram Dom Luis Chávez y González, Arcebispo de San Salvador, e Dom Arturo Rivera Damas, SDB, Bispo Auxiliar de San Salvador.

Em 15 de outubro de 1974, foi nomeado bispo de Santiago de María no Departamento de Usulután. Foi instalado em sua sede em 14 de dezembro daquele ano.

Em 3 de fevereiro de 1977, foi nomeado arcebispo de San Salvador. Ele foi escolhido por seu aparente conservadorismo, já que não concordava com a postura progressista de seu antecessor, Monsenhor Chávez y González. Embora esta nomeação tenha sido bem recebida pelo governo, muitos padres ficaram desapontados, especialmente aqueles abertamente apoiadores da ideologia marxista. Os padres progressistas temiam que sua reputação conservadora afetasse negativamente o compromisso da teologia da libertação com os pobres. Sua posse se deu em 22 de fevereiro.

Diante da escalada da violência do governo, a Conferência Episcopal Salvadorenha redigiu uma carta condenando as violações específicas dos direitos humanos, além das estruturas sociais fundamentalmente injustas. A carta deveria ser lida em todas as igrejas no domingo 13 de março, mas Romero desistiu um dia antes, afirmando que ela era tempestiva e tendenciosa. Contudo, algo aconteceu naquele dia 12.

Naquela tarde, um amigo seu, o padre jesuíta Rutílio Grande, junto com dois camponeses, foi assassinado. Esse incidente transformou Romero. Na noite do dia 12, ele foi a Aguilares, paróquia de Grande, e no dia seguinte, ele leu a carta preparada pela Conferência. O arcebispo passou a denunciar as injustiças sociais por meio da rádio católica Ysax e do semanário Orientación. Por isso, chegou a ser conhecido como "A voz dos sem voz". É acusado, até mesmo por bispos, de incitar "à luta de classes e à revolução", e é chamado pela direita como subversivo e comunista.

Ainda em 1977, ele se recusou a participar da posse presidencial do general Carlos Humberto Romero, após sua eleição fraudulenta, estabelecendo uma política de não comparecer a cerimônias oficiais até que o governo iniciasse uma investigação séria sobre os assassinatos de Aguilares.

Depois de dois anos como arcebispo, Monsenhor Romero contava com trinta padres mortos, expulsos ou fugidos da morte. Além disso, um sem número de catequistas das comunidades de base foram mortos pelos esquadrões da morte.

Defensor da não violência, chegou a ser comparado ao Mahatma Gandhi e a Martin Luther King. Óscar Romero denunciava, em suas homilias, as numerosas violações de direitos humanos em El Salvador e manifestou publicamente sua solidariedade com as vítimas da violência política, no contexto da Guerra Civil de El Salvador. Dentro da Igreja Católica, defendia a "opção preferencial pelos pobres".

Apesar de sua luta e da perseguição contra a Igreja, ele teve alguns problemas com o Vaticano. As elites, que faziam grandes doações à Igreja, estavam descontentes com ele, bem como alguns bispos, os quais faziam denúncias ao Vaticano. O Papa Paulo VI o apoiou, mas ele logo morreu. O Cardeal Baggio, Prefeito da Congregação para os Bispos, convidou Romero a Roma para uma “conversa fraterna e amigável”.

Mas sob o novo papa, Baggio enviou um visitador a El Salvador, que recomendou destituir Romero de suas funções. Ele precisou apelar ao Papa João Paulo II. Em 1979, na terceira visita de Romero a Roma como arcebispo, teve dificuldades para conseguir uma audiência com o Papa João Paulo II. Ele tentou, sem sucesso, obter uma condenação do Vaticano ao regime militar salvadorenho por cometer violações dos direitos humanos e por seu apoio a esquadrões da morte, e expressou sua frustração em trabalhar com clérigos que cooperavam com o governo. Ele foi encorajado pelo Papa João Paulo II a manter a unidade episcopal como prioridade máxima. Em janeiro de 1980, ele fez sua última visita ao Vaticano. Mais uma vez, sentiu-se abandonado.

Ainda nessa viagem, Romero denunciou a perseguição de membros da Igreja Católica que trabalharam em prol dos pobres: Em menos de três anos, mais de cinquenta padres foram atacados, ameaçados e caluniados. Seis já são mártires – foram assassinados. Alguns foram torturados e outros expulsos [do país]. Freiras também foram perseguidas. A rádio arquidiocesana e instituições de ensino católicas ou de inspiração cristã foram atacadas, ameaçadas, intimidadas e até bombardeadas. Diversas comunidades paroquiais foram invadidas. Se tudo isso aconteceu com pessoas que são os representantes mais evidentes da Igreja, imagine o que aconteceu com os cristãos comuns, com os camponeses, catequistas, ministros leigos e com as comunidades eclesiais de base. Houve ameaças, prisões, torturas, assassinatos, em números que chegam às centenas e aos milhares... Mas é importante notar por que [a Igreja] foi perseguida. Nem todos os padres foram perseguidos, nem todas as instituições foram atacadas. A parte da Igreja que foi atacada e perseguida foi aquela que se colocou ao lado do povo e saiu em sua defesa. Aqui encontramos novamente a mesma chave para entender a perseguição da igreja: os pobres.— Óscar Romero, Discurso na Université catholique de Louvain, Bélgica, 2 de fevereiro de 1980.

Em 17 de fevereiro de 1980, Romero anunciou ter enviado uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, pedindo que suspendesse a ajuda militar a El Salvador. No dia seguinte, uma bomba destruiu a estação de rádio YSAX.

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