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Érico Veríssimo

Escritor brasileiro (1905–1975)

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Érico Lopes Veríssimo (Cruz Alta, 17 de dezembro de 1905 – Porto Alegre, 28 de novembro de 1975) foi um escritor brasileiro.[carece de fontes?] Com uma prosa simples e de fácil leitura, tornou-se um dos escritores mais populares da literatura brasileira.

Em 1932, publicou seu primeiro livro, Fantoches, e em 1938 obteve sucesso com o romance Olhai os Lírios do Campo, que lhe deu projeção nacional como escritor. "Posso afirmar que só depois do aparecimento de 'Olhai os Lírios do Campo' é que pude fazer profissão da literatura". Seu trabalho mais conhecido, todavia, é a trilogia O Tempo e o Vento, publicada entre 1949 e 1962. Trata-se de um romance histórico que se situa em diversos momentos da história do Rio Grande do Sul. Embora não possuísse diploma de curso superior, Verissimo lecionou literatura brasileira nos Estados Unidos e foi diretor de revistas. Em 1971, lançou Incidente em Antares, uma obra crítica à ditadura militar brasileira.

Na periodização literária, Verissimo pode ser enquadrado na segunda fase do modernismo no Brasil, caracterizado pelos romances regionalistas. Verissimo retratou em suas obras aspectos sociais, políticos e históricos do Rio Grande do Sul. Seus romances são marcados pela abordagem realista dos personagens e da sociedade, explorando temáticas como as desigualdades sociais, as relações familiares, o contexto político e as transformações históricas. Um dos principais aspectos de sua escrita é a capacidade de retratar a psicologia dos personagens, explorando suas motivações, dilemas e conflitos internos. Além disso, Verissimo demonstra sensibilidade ao retratar o cotidiano, a vida simples e os dramas humanos.

Verissimo também escreveu obras em outros gêneros, como ficção didática (Viagem à Aurora do Mundo), literatura infantil (Os Três Porquinhos Pobres) e uma autobiografia (Solo de Clarineta).

Ele e seu filho, o também escritor Luis Fernando Veríssimo, foram tema enredo da escola de samba Unidos de Vila Isabel de Viamão/RS que desfila pelo principal grupo das escolas de samba de Porto Alegre/RS. O tema rendeu um dos mais belos sambas do carnaval gaúcho composto por Aryzinho Rodrigues.

Érico Veríssimo possui ascendência portuguesa tanto de parte do pai como da mãe. Seu avô por parte de pai, o Dr. Franklin Verissimo, possuía em Cruz Alta um Sobrado (escrito com S maiúsculo pelo escritor) que teve grande importância na vida de Érico e sua família, sendo chamado de "a sede do clã dos Verissimo".

Sebastião Verissimo, filho de Franklin, quando se casou com Abegahy, filha de um rico estancieiro que fora à falência, recebeu do pai uma casa e uma farmácia, uma ao lado da outra, no mesmo quarteirão do Sobrado. Foi nessa casa que nasceu Érico, e que hoje abriga um museu em homenagem ao escritor.p. 24

Érico cresceu em um ambiente em que certamente não faltava cultura. Seu pai possuía uma ampla biblioteca que, segundo estimativa do filho, contava dois mil volumes. Sebastião também era apreciador de música clássica, e a família possuía um gramofone e discos. Érico teve um único irmão de sangue, Ênio, nascido dois anos e meio depois do primogênito (1907), e uma irmã adotiva, Maria.[carece de fontes?]

O lado materno da família, também de origem portuguesa, era composto de mulheres descritas como enérgicas.

Creio que nesse lado [materno] da minha família as mulheres eram mais enérgicas e moralmente corajosas que os homens. Isso talvez explique a presença em meus romances de personagens femininas de caráter forte, como Olívia, Fernanda, Bibiana, Maria Valéria e principalmente Ana Terra.

Quando tinha quatro anos de idade, Érico ficou gravemente doente e, após ser levado a vários médicos, foi finalmente diagnosticado com meningite complicada com broncopneumonia pelo médico Olinto de Oliveira, cujo tratamento salvou sua vida. Durante sua infância, estudou no Colégio Venâncio Aires, em Cruz Alta, onde foi um aluno comportado e quieto, frequentava o cinema e observava o pai trabalhando. Por volta de 1914, com quase dez anos, Erico criou uma "revista", Caricatura, na qual fazia desenhos e escrevia pequenas notas.

Aos treze anos, Érico já lia autores nacionais, como Aluísio Azevedo e Joaquim Manuel de Macedo, e estrangeiros, como Walter Scott, Émile Zola e Fiódor Dostoiévski. Em 1920, foi matriculado no extinto Colégio Cruzeiro do Sul — atualmente Colégio IPA, um internato de orientação protestante de Porto Alegre, deixando sua namorada Vânia em Cruz Alta. No novo colégio, Verissimo foi por muito tempo o primeiro aluno de sua turma, embora tivesse aversão à matemática.[carece de fontes?] Em seu último ano letivo, o jovem Érico chegou a sofrer de claustrofobia e de pesadelos. Em dezembro de 1922, terminados os estudos do filho, seus pais se separaram; as diferenças do casal eram notáveis: Sebastião era um homem gastador e mulherengo e dona Bega, uma mulher econômica e reclusa. Érico, sua mãe e seus irmãos passaram então a morar na casa dos avós maternos. Endividado, o pai perdeu a propriedade da farmácia. No ano seguinte, Érico empregou-se como balconista no armazém do tio Américo Lopes e, depois, no Banco Nacional do Comércio. Durante esse tempo, transcrevia obras de Euclides da Cunha e de Machado de Assis, dentre outros escritores, e tomou gosto pela música lírica. Também aprofundou mais ainda a leitura de escritores nacionais e estrangeiros. Em 1924, para que o irmão Ênio pudesse frequentar o ginásio, a família mudou-se para a capital gaúcha, mas, após um ano de extremas dificuldades financeiras, retornou a Cruz Alta. Em 1926, Érico se tornou sócio da Farmácia Central, junto com um amigo de seu pai, mas o novo empreendimento faliu em 1930, deixando uma dívida que só conseguiria liquidar dezessete anos depois. Além de farmacêutico, Érico também trabalhou como professor de literatura e língua inglesa à época.[carece de fontes?]

Em 1927, Verissimo conheceu sua futura esposa, Mafalda Halfen Volpe, então com quinze anos, e os dois ficaram noivos em 1929. Nesse mesmo ano, Érico publicou seu primeiro texto: Chico: um Conto de Natal, na revista mensal "Cruz Alta em Revista". Em seguida, seu amigo Manuelito de Ornelas enviou os contos Ladrão de Gado e A Tragédia dum Homem Gordo à Revista do Globo. E o jornal Correio do Povo publicou o conto A Lâmpada Mágica.

Década de 1930: ida a Porto Alegre e ascensão literária

Em uma manhã de outubro de 1930, Érico despediu-se de seu pai Sebastião, que engajado na Revolução de 1930, resolveu mudar-se para Santa Catarina. Foi a última vez que se viram.[carece de fontes?]

Desempregado após a falência de sua farmácia, em dezembro de 1930, Érico mudou-se para Porto Alegre, disposto a viver de seus escritos. Mafalda, sua noiva, permaneceu em Cruz Alta. Verissimo então foi contratado como secretário de redação da Revista do Globo e, em seu tempo livre, encontrava-se com intelectuais da época, como Mário Quintana e Augusto Meyer, no bar Antonello, no centro da capital.[carece de fontes?] Em 1931, Érico regressa a Cruz Alta para se casar com Mafalda, e os dois passam a morar em Porto Alegre, onde Érico havia obtido certa estabilidade financeira.

Em 1933, Érico Veríssimo traduziu o célebre livro Contraponto (Point Counter Point), de Aldous Huxley, e publicou seu primeiro romance: Clarissa, cujos sete mil exemplares foram vendidos em cinco anos. Seu segundo romance, Caminhos Cruzados, publicado em 1935, chegou a ser considerado subversivo pela Igreja Católica e pelo Departamento de Ordem Pública e Social, levando seu autor a ser interrogado pela polícia a respeito de sua orientação política.[carece de fontes?] Inspirado no Counterpoint de Aldous Huxley, o livro introduziu a técnica do contraponto na literatura brasileira, segundo alguns críticos. Essa técnica, importada da música, consiste em uma narrativa simultânea e fragmentada; várias histórias, ou fragmentos da vida, independentes entre si.

Depois de anos de casados, Érico e Mafalda finalmente tiveram sua primeira filha, Clarissa, nascida em 1935. O nome foi dado em homenagem à personagem de seu primeiro romance. Luis Fernando nasceu no ano seguinte. O casamento foi duradouro, e Érico escreveu mais tarde que, sem a paciência e o bom senso da esposa, sua carreira de escritor teria sido impossível. No mesmo ano, Érico recebeu a notícia da morte de seu pai, vítima de um derrame. Morrera sozinho e na miséria.p. 258

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