Neste Dia

Édouard Louis

Escritor e sociólogo francês

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Édouard Louis (de seu nome original Eddy Bellegueule; 30 de outubro de 1992), é um escritor e tradutor francês.

Édouard Louis (de seu nome original Eddy Bellegueule) nasceu em Hallencourt, localidade da Picardia, Norte de França, em 30 de Outubro de 1992. Louis cresceu numa família pobre, apoiada por subsídios sociais do governo: o seu pai foi trabalhador de fábrica durante uma década até que um dia no trabalho, um contentor de armazém lhe caiu em cima e lhe esmagou as costas, deixando-o acamado e incapaz de trabalhar. Eddy fugiu de casa aos 16 anos, rompeu com seu passado e mudou de nome. Fez isso quando, em 2011, ganhou uma bolsa de estudos em Amiens. De lá, ingressou na Universidade da Picardia Jules Verne e, em seguida, na prestigiosa École Normale Supérieure, em Paris. Na sua família, Édouard Louis foi o primeiro a frequentar a universidade.

No seu primeiro romance, O fim de Eddy, descreve a sua infância e adolescência como filho de uma família operária pobre e num meio onde o racismo, a homofobia e o alcoolismo eram uma constante e violenta presença. O romance narra a infância e adolescência de Eddy Bellegueule numa aldeia da Picardia, a rejeição que sofre de pessoas da aldeia e da sua própria família por causa de seus modos efeminados, e a violência e humilhações que suporta num ambiente que detesta homossexuais.

As experiências do narrador retratam um mundo onde a pobreza e o álcool acompanham a reprodução social, que leva as mulheres a se tornar caixas depois de abandonar seus estudos e homens a passar da escola directamente para a fábrica. Eddy Bellegueule finalmente percebe sua atração sexual por homens, e sua aversão para as relações heterossexuais, mas tenta retornar à norma. Antes da conclusão de seu fracasso, ele decidiu fugir e acaba deixando o caminho que lhe foi traçado para se juntar a uma escola de Amiens, onde descobriu uma outra classe cujos códigos de conduta são diferentes. No livro seguinte, História da Violência, o escritor ficcionaliza um estupro que sofreu em Paris, quando finalmente sua vida parecia apontar para um caminho melhor.

Em 2013, dirigiu a obra colectiva dedicada a Pierre Bourdieu, Pierre Bourdieu, l’insoumission en héritage.

O seu livro, publicado em Portugal com o título Acabar com Eddy Bellegueule, mereceu elogiosas referências da crítica devido ao seu mérito literário, e provocou controvérsia pela forma como descreve a sua família e classe social. Em Portugal estão, ainda, publicados os livros História da Violência, Quem Matou o Meu Pai, O Colapso e Mudar: Método.

Esteve diversas vezes em Portugal. A 18 de junho de 2026, Louis esteve no Teatro São Luiz para uma conversa, conduzida por Leonor Rosas, a propósito da sua vida, obra e do lançamento de “Mudar: Método” em Portugal. Nesta apresentação houve leituras de excertos da obra do autor pela atriz Teresa Tavares.

Em 2024, esteve no Brasil participar da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) e foi entrevistado pelo programa Roda Viva da TV Cultura.

En finir avec Eddy Bellegueule (2014) apresenta, em chave autobiográfica, a infância e adolescência do autor em Hallencourt, no norte da França, tematizando pobreza, violência e homofobia como dispositivos de reprodução social; a recepção crítica destacou a força política e formal do romance de estreia.

Histoire de la violence (2016) reconstrói a noite em que o narrador é estuprado e quase assassinado, explorando trauma, racismo e o funcionamento da justiça por meio de uma narrativa fragmentada que contrapõe vozes e memórias.

Qui a tué mon père (2018) é uma carta contundente ao pai que transforma a intimidade filial em acusação política, responsabilizando políticas de diferentes governos franceses pela deterioração do corpo e da vida da classe trabalhadora.

Combats et métamorphoses d’une femme (2021) volta-se à trajetória da mãe do autor, retratando opressões de classe e de gênero e a conquista de autonomia na idade adulta; críticos destacaram o tom mais terno sem perder a dimensão estrutural das violências narradas.

Changer: méthode (2021) aprofunda a autoficção como relato de “mudança de pele”, examinando a mobilidade social como ruptura afetiva e corporal; a crítica sublinhou a ambição política do livro e seu ceticismo quanto ao mito da ascensão meritocrática.

Monique s’évade (2024) retoma a figura da mãe para narrar, em registro urgente, a operação de fuga de uma relação abusiva, refletindo sobre o custo da liberdade e as tramas de classe e gênero que aprisionam mulheres em situações de violência.

L’effondrement (2024) investiga a distância entre o autor e o irmão falecido, articulando luto, determinismos sociais e exame de consciência num romance de forte teor introspectivo que revisita os vínculos familiares da sua obra.

Au cœur de la violence, Éditions du Seuil, 2019 — Adaptação de seu livro Histoire de la violence.

, L'Insoumission en héritage, Paris, PUF, 2013. (com Pierre Bergougnioux, Annie Ernaux, Didier Eribon, Arlette Farge, Geoffroy de Lagasnerie e Frédéric Lebaron)

Dialogue sur l'art et la politique, PUF, 2021. (com Ken Loach)

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Édouard Louis | World in Stories