Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias, conhecida simplesmente como Tereza Cristina, é uma das figuras femininas mais influentes do cenário político brasileiro contemporâneo, especialmente no setor agropecuário. Nascida em 6 de julho de 1954 em Campo Grande — então parte do estado de Mato Grosso e hoje capital de Mato Grosso do Sul —, ela carrega em sua trajetória uma herança familiar profundamente ligada à história e ao desenvolvimento da região. Bisneta de Pedro Celestino Corrêa da Costa, ex-governador de Mato Grosso, e neta de um dos pioneiros no avanço agrícola do estado, Tereza Cristina nasceu em um ambiente onde o campo e a política se entrelaçavam desde cedo. Casada e mãe de um filho, ela conseguiu conciliar sua vida pessoal com uma carreira marcada por conquistas profissionais e públicas, sempre voltada para o fortalecimento do setor rural.
Formada em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal de Viçosa, uma das mais prestigiadas instituições de ciências agrárias do país, Tereza Cristina construiu sua reputação técnica antes de ingressar na política. Antes de ocupar cargos eletivos, trabalhou como empresária no agronegócio e atuou em secretarias estaduais de Mato Grosso do Sul, como as de Planejamento e Agricultura, nas décadas de 1990 e 2000. Nessas funções, coordenou projetos de infraestrutura rural, pecuária e desenvolvimento agrícola, adquirindo experiência prática e visão estratégica sobre os desafios do campo brasileiro. Sua trajetória inicial já revelava um perfil de gestora pública comprometida com a modernização do setor primário e a integração de políticas de desenvolvimento regional.
A entrada de Tereza Cristina na política partidária foi marcada por tentativas e aprendizados. Em 2004, candidatou-se à prefeitura de Terenos, no Mato Grosso do Sul, pelo PSDB, obtendo 38,31% dos votos, mas não foi eleita. Apesar do resultado, a campanha consolidou sua presença na política local e demonstrou sua capacidade de mobilização eleitoral. Mais tarde, durante o governo de André Puccinelli (MDB) no estado, assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Agrário, Produção, Indústria, Comércio e Turismo, onde teve a oportunidade de implementar políticas voltadas ao crescimento do agronegócio e ao apoio a pequenos produtores. Foi nesse período que se envolveu ativamente em discussões sobre a regulação de agrotóxicos, defendendo a aprovação de legislação que facilitasse a fiscalização e a comercialização de defensivos agrícolas, uma pauta que mais tarde se tornaria central em sua trajetória nacional.
Em 2014, Tereza Cristina foi eleita deputada federal pelo PSB, com mais de 75 mil votos, iniciando uma trajetória parlamentar que a levaria a se tornar uma das principais vozes do agronegócio no Congresso. Desde o início, destacou-se como líder da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), bancada suprapartidária que reúne parlamentares comprometidos com os interesses do setor rural. Em 2017, assumiu a liderança do PSB na Câmara dos Deputados, um cargo estratégico que ampliou sua influência dentro do partido. No entanto, divergências políticas a afastaram da legenda: em outubro de 2017, deixou o PSB ao discordar da posição contrária do partido ao governo de Michel Temer. Pouco depois, ingressou no Democratas (DEM), partido com o qual alinhava suas convicções de apoio ao desenvolvimento econômico e à desburocratização do setor agropecuário.
Sua trajetória parlamentar foi marcada por uma atuação incisiva em defesa do agronegócio. Em fevereiro de 2018, assumiu a presidência da FPA, cargo que ocupou durante um período crucial de articulações legislativas. Entre suas principais conquistas esteve a aprovação do projeto de lei que regulamenta o registro de agrotóxicos no Brasil, uma pauta controversa que dividiu opiniões entre ambientalistas e representantes do setor rural. Como presidente da bancada ruralista, Tereza Cristina atuou como ponte entre o Congresso e o Executivo, negociando a ocupação de cargos-chave em comissões parlamentares e influenciando diretamente na formulação de políticas públicas voltadas ao campo. Em 2018, foi reeleita deputada federal pelo DEM, reafirmando seu papel como uma das principais lideranças políticas do Mato Grosso do Sul.
Em janeiro de 2019, Tereza Cristina alcançou o auge de sua carreira política até então ao ser nomeada ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento pelo presidente Jair Bolsonaro. Sua indicação, proposta por vinte membros da FPA, refletiu a confiança do setor agropecuário em sua capacidade de representar e promover os interesses rurais no governo federal. No entanto, a nomeação também gerou críticas, especialmente de grupos ambientalistas que a alcunharam de “Musa do Veneno”, em referência à sua defesa da flexibilização das regras de agrotóxicos durante a tramitação da legislação pertinente. A ministra, por sua vez, defendeu que a modernização das normas poderia alavancar a produtividade sem comprometer a segurança alimentar ou o meio ambiente.
Durante sua gestão, que durou até março de 2022, Tereza Cristina conduziu políticas voltadas ao fortalecimento das exportações brasileiras, setor que registrou recordes históricos em 2021. Em um contexto de pandemia, o agronegócio mostrou-se essencial para a economia nacional, com as exportações aumentando cerca de dez por cento no primeiro semestre de 2020 em comparação ao mesmo período do ano anterior. A ministra participou de missões internacionais para atrair investidores e promover os produtos agrícolas brasileiros, especialmente nos Estados Unidos, consolidando o Brasil como um dos principais players globais do setor. Também priorizou a regularização de propriedades rurais por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR), buscando equilibrar a necessidade de expansão agrícola com a preservação ambiental.
No plano social, Tereza Cristina dedicou atenção especial aos produtores rurais afetados por crises climáticas, como a estiagem que atingiu o sul do país em 2020. Em novembro daquele ano, após receber representantes de Santa Catarina, agiu rapidamente para flexibilizar procedimentos de comprovação de perdas agrícolas, ampliando o acesso ao seguro rural e permitindo o retorno imediato ao plantio em áreas afetadas. Essas medidas, aliadas à abertura de novos limites de crédito, trouxeram alívio a milhares de pequenos e médios agricultores que lutavam contra as adversidades climáticas, demonstrando sua capacidade de resposta a emergências setoriais.
No entanto, sua gestão também foi palco de controvérsias, especialmente no que diz respeito ao uso de agrotóxicos e à relação com povos indígenas. A flexibilização de normas para registro e comercialização de defensivos agrícolas gerou protestos de organizações socioambientais, que argumentavam que as mudanças poderiam aumentar os riscos à saúde pública e à biodiversidade. Tereza Cristina, por outro lado, sustentou que as alterações buscavam modernizar a legislação, reduzir a burocracia e adequar o Brasil a padrões internacionais de competitividade, sem abrir mão da segurança necessária. A tensão entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental permaneceu como um dos principais desafios de sua atuação ministerial.
Após deixar o ministério em 2022, Tereza Cristina retornou à Câmara dos Deputados, mas logo foi eleita senadora pelo Mato Grosso do Sul nas eleições gerais daquele ano, consolidando sua presença no Congresso como representante do agronegócio. Com experiência em cargos executivos e legislativos, ela continua a atuar como uma das principais interlocutoras do setor no cenário político nacional. Seu histórico — que alia formação técnica, gestão pública e militância partidária — reflete a complexidade do Brasil contemporâneo, onde o debate entre crescimento econômico e sustentabilidade ambiental exige constantes negociações e inovações. Para além das polêmicas, Tereza Cristina personifica a trajetória de uma mulher que, partindo do interior do Centro-Oeste, conquistou espaços antes dominados por homens e se tornou uma voz decisiva nas definições do futuro do campo brasileiro.
