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Sophie Taeuber-Arp

Sophie Taeuber (Davos, Suíça, 1889 - Zurique, Suíça, 1943). Destacou-se como uma das princ

4 min de leitura01/01/2024
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Sophie Taeuber nasceu em 1889 em Davos, na Suíça, e cresceu num ambiente que misturava a austeridade alpina com a abertura cosmopolita característica da Suíça no início do século XX. Formada em artes pela Escola de Arte Aplicada de Hamburgo, ela retornaria ao país natal para se tornar professora na Escola de Artes e Ofícios de Zurique, cargo que ocuparia por mais de uma década. Nessa posição, ministrava aulas de design têxtil e arte aplicada, ensinando o que na época era considerado artesanato — atividade relegada a um status inferior em relação às chamadas belas-artes. Essa fronteira, no entanto, era algo que Sophie Taeuber trataria a vida inteira com visível desinteresse.

Em 1915, Sophie entrou em contato com o Movimento Dada, que naquele período eclodia em Zurique como uma resposta radical à carnificina da Primeira Guerra Mundial e à falência dos valores burgueses que a haviam permitido. O Dada era ao mesmo tempo arte e antiarte, manifesto e nonsense, forma e destruição de forma. Naquele círculo efervescente, Sophie conheceu Jean Arp, escultor e poeta alsaciano com quem desenvolveria uma profunda parceria artística e afetiva; os dois se casariam em 1921. A colaboração entre ambos seria constante e fecunda, embora por muitos anos o nome de Jean Arp eclipsasse o de Sophie na consciência pública — uma injustiça que a história viria a corrigir tardiamente.

O trabalho de Sophie Taeuber-Arp distinguia-se desde cedo por sua orientação geométrica e pela busca de uma liberdade formal que não se curvava aos cânones estabelecidos. Ela era dissidente, mesmo dentro da vanguarda: enquanto o Neoplasticismo de Mondrian e o Construtivismo ortodoxo insistiam no rigor das relações ortogonais e na restrição às cores primárias, Sophie permitia-se maior mobilidade. Suas composições usavam ortogonais com dinamismo, cores variadas e uma riqueza inventiva que escapava à rigidez doutrinária. A simplificação que buscava não era empobrecimento, mas destilação — a máxima liberdade alcançada pela máxima eliminação do supérfluo.

A partir de 1928, Sophie passou a residir na França. Dois anos depois, em 1930, participou da exposição internacional "Arte Abstrata e Tendências Construtivas" associada ao Movimento Círculo e Quadrado, um dos grupos mais importantes de arte abstrata europeia do período entre guerras. Logo em seguida, ao lado de George Vantongerloo, fundou o Grupo Abstração-Criação, que reunia artistas não figurativos de toda a Europa em torno de um programa de pesquisa formal rigorosa e aberta. Sophie era uma das figuras centrais desse ecossistema, reconhecida por seus pares mesmo quando o grande público mal sabia seu nome.

Durante a Segunda Guerra Mundial, diante do avanço nazista pela Europa, Sophie e Jean Arp refugiaram-se em Grasse, no sul da França. Esse período, apesar das circunstâncias sombrias, foi de produção intensa. Sophie trabalhou em estreita colaboração com Alberto Magnelli, Jean Arp e a pintora Sônia Delaunay, formando um círculo de artistas que se sustentavam mutuamente no exílio. Nessas condições adversas, sua obra atingiu uma maturidade notável, combinando rigor geométrico com uma qualidade lírica que distinguia seu trabalho do construtivismo mais austero.

Em 1943, Taeuber-Arp foi incluída na exposição "Exhibition by 31 Women", organizada por Peggy Guggenheim em sua galeria Art of This Century, em Nova York — uma das raras mostras da época que deliberadamente colocava artistas mulheres no centro, reconhecendo que elas haviam sido sistematicamente marginalizadas. Tragicamente, Sophie não viveu para saber da repercussão desse reconhecimento: morreu em janeiro de 1943, vítima de um acidente ocorrido durante uma viagem à Suíça. Tinha 53 anos e estava no auge de suas capacidades criativas.

A morte precoce e o fato de ter passado décadas à sombra da reputação do marido retardaram o reconhecimento pleno de seu trabalho. Durante anos após a Segunda Guerra Mundial, Sophie Taeuber-Arp era mencionada mais como companheira de Jean Arp do que como artista por si mesma, um padrão lamentavelmente comum com artistas mulheres de sua geração. Apenas gradualmente, à medida que historiadores e curadores revisitaram o modernismo com olhos mais atentos às exclusões que havia praticado, Sophie emergiu como o que sempre foi: uma das figuras fundadoras da arte abstrata geométrica do século XX.

Hoje, seu valor de pesquisa e inovação é geralmente aceito como pertencente ao primeiro nível do modernismo clássico. Museus ao redor do mundo preservam e exibem seu trabalho. O Sophie Taeuber-Arp Research Project, uma iniciativa acadêmica dedicada a documentar e estudar sua obra, atesta o interesse crescente em compreender em toda a sua profundidade o que ela construiu. Sua trajetória é também uma reflexão sobre como a história da arte escolhe seus heróis e heroínas, e sobre o trabalho lento e necessário de reequilibrar essa narrativa.

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