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Ronaldinho Gaúcho

Futebolista brasileiro

6 min de leitura22/08/2026
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Ronaldinho Gaúcho, nome artístico de Ronaldo de Assis Moreira, é uma das figuras mais emblemáticas do futebol brasileiro e mundial, reconhecido por sua genialidade com a bola nos pés, sua personalidade cativante e seu estilo único de jogar. Nascido em Porto Alegre, em 21 de março de 1980, no bairro de Restinga, ele cresceu em Vila Nova, onde o futebol era mais do que um passatempo: era uma paixão que moldaria sua vida. Desde criança, brincava com a bola nas ruas, tornando-se uma atração nos campos de várzea e nas escolinhas infantis. Seu talento precoce chamou a atenção do Grêmio, time pelo qual iniciou sua trajetória profissional, ingressando na escolinha de futebol aos 7 anos. Essa fase inicial foi marcada pela perda precoce do pai, que faleceu em um acidente doméstico quando Ronaldinho tinha apenas 8 anos. A tragédia o aproximou ainda mais da mãe e da irmã, enquanto seu irmão mais velho, Assis, assumiu um papel de figura paterna, influenciando diretamente no seu desenvolvimento pessoal e esportivo.

A carreira de Ronaldinho no Grêmio foi rápida e impactante. Em 1997, aos 17 anos, ele já brilhava na equipe Sub-17, mas foi em 1998, quando estreou profissionalmente, que o mundo do futebol começou a perceber o que estava por vir. Seu estilo de jogo, repleto de dribles desconcertantes, visão de jogo e criatividade, logo o destacou entre os colegas. Um momento simbólico ocorreu nas finais do Campeonato Gaúcho de 1999, quando, diante do rival Internacional, ele realizou um drible espetacular em Dunga, então capitão da seleção brasileira e ídolo do rival. O feito não só garantiu o título para o Grêmio como também chamou a atenção de Vanderlei Luxemburgo, então técnico da Seleção Brasileira, que o convocou pouco depois. A convocação, no entanto, teve um detalhe curioso: Ronaldinho só foi chamado após Luxemburgo dispensar Edílson, atacante do Corinthians, após uma briga no Campeonato Paulista. Essa decisão abriu espaço para que o jovem talento gaúcho mostrasse ao mundo o seu potencial.

O auge de Ronaldinho no Grêmio consolidou sua fama no Brasil, mas o salto para a Europa era inevitável para um jogador de seu calibre. Em 2001, após anos de negociações tensas, ele finalmente deixou o clube gaúcho para se transferir ao Paris Saint-Germain, da França, por um valor que, na época, foi considerado alto para um jogador ainda em ascensão. A transferência, no entanto, não foi tranquila. O Grêmio, que já havia recusado propostas milionárias — incluindo uma de 75 milhões de reais do Leeds United e outra de 60 milhões de reais de empresários italianos —, viu-se em uma batalha judicial com o Paris Saint-Germain após Ronaldinho assinar um pré-contrato às escondidas. O impasse deixou o jogador parado por meses, adiando sua estreia oficial até agosto daquele ano. A situação gerou tensão entre o clube e a torcida, que via o jogador como um patrimônio a ser preservado, mas também revelou um lado controverso da carreira de Ronaldinho, marcado por decisões que nem sempre agradaram a todos.

No Paris Saint-Germain, Ronaldinho enfrentou desafios tanto dentro quanto fora de campo. O treinador Luis Fernández, responsável por sua contratação, logo entrou em conflito com o jogador, acusando-o de priorizar a vida noturna parisiense em vez do foco nos treinamentos. A fama de Ronaldinho como um boêmio, que já começava a se espalhar, contrastava com a rigidez do futebol europeu na época, onde a disciplina era muitas vezes vista como sinônimo de sucesso. Apesar das críticas, ele conseguiu se destacar em momentos pontuais, como na Copa da UEFA, onde suas jogadas mágicas deixaram os torcedores encantados. Contudo, sua passagem pelo clube francês foi irregular, e muitos analistas da época questionavam se ele conseguiria se adaptar ao estilo europeu de jogo. Ainda assim, foi nesse período que ele começou a desenvolver a técnica que o tornaria lendário: a cobrança de falta por baixo da barreira, uma marca registrada que surpreendia até os goleiros mais experientes.

O verdadeiro estouro de Ronaldinho, no entanto, aconteceu quando ele se transferiu para o Barcelona, em 2003. O clube catalão, em busca de renovação, apostou em um jogador que parecia fora dos padrões do futebol europeu tradicional. Na Espanha, ele não apenas ganhou títulos, como a Liga dos Campeões de 2006, mas também se tornou um fenômeno cultural. Seu estilo de jogo, marcado por alegria, ginga e uma criatividade sem limites, conquistou não só os torcedores do Barça como também o mundo inteiro. Em 2004 e 2005, ele foi eleito o Melhor Jogador do Mundo pela FIFA, período em que também faturou a Bola de Ouro da France Football, um feito raro que poucos haviam alcançado. Seu auge no Barcelona foi tão intenso que muitos passaram a considerá-lo o jogador mais talentoso de sua geração, superando até mesmo craques como Zidane e Figo.

Ronaldinho também deixou sua marca na Seleção Brasileira, onde foi peça fundamental em uma das gerações mais talentosas da história do futebol. Ao lado de Ronaldo, Rivaldo, Kaká e Adriano, ele fez parte do time que conquistou a Copa do Mundo de 2002, no Japão e Coreia do Sul. Embora não fosse o principal nome do torneio, sua habilidade em criar jogadas e seu entrosamento com os companheiros foram essenciais para o título. Além disso, ele se destacou em outras competições, como a Copa das Confederações, onde, ao lado do mexicano Cuauhtémoc Blanco, é o maior artilheiro da história do torneio, com nove gols. Seu desempenho nessas competições consolidou sua reputação como um dos maiores meio-campistas de todos os tempos, capaz de decidir jogos com passes milimétricos, dribles impossíveis e gols de falta inesquecíveis.

Fora dos gramados, Ronaldinho construiu uma imagem de homem alegre e descontraído, longe do estereótipo do atleta sério. Sua personalidade extrovertida, aliada a um sorriso contagiante, o tornou um ídolo popular não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Ele também explorou outras paixões, como a música, lançando canções e até mesmo se apresentando em shows. Essa dualidade entre o gênio do futebol e o artista descompromissado ajudou a criar uma imagem única, que transcendeu os limites do esporte. No entanto, sua carreira também teve momentos de instabilidade, especialmente após deixar o Barcelona em 2008, quando seu rendimento começou a declinar devido a questões físicas e extracampo.

Mesmo após os anos de glória, Ronaldinho continuou a ser uma figura relevante no futebol. Em outubro de 2024, foi anunciado como embaixador da cidade de Miami para a Copa do Mundo FIFA de 2026, um reconhecimento de sua influência duradoura no esporte. Sua trajetória, repleta de conquistas e controvérsias, serve como um exemplo de como o talento natural pode ser moldado pela personalidade e pelo carisma. Para muitos, ele não foi apenas um jogador extraordinário, mas um artista que mudou a forma como o futebol é jogado e apreciado. Seu legado, que inclui títulos, prêmios individuais e momentos inesquecíveis, permanece vivo na memória dos torcedores e nas conversas sobre os maiores ídolos do esporte.

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