biografias

Mark Bosnich

Futebolista australiano

4 min de leitura01/01/2024
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Mark Bosnich nasceu em Sydney, na Austrália, em 13 de janeiro de 1972, filho de imigrantes croatas, e cresceu em meio à comunidade que frequentava o Sydney Croatia, clube que o revelou para o futebol profissional. Desde cedo, seu porte físico imponente e seus reflexos excepcionais chamavam atenção, e não tardou para que olheiros europeus percebessem o talento do jovem goleiro que defendia as cores do clube da colônia croata em Sydney.

Em 1989, ainda adolescente, Bosnich foi contratado pelo Manchester United, um dos maiores clubes do mundo, e estreou pela equipe em 1990, numa partida contra o Wimbledon. A experiência em Old Trafford, contudo, foi breve. A concorrência interna era feroz: Gary Walsh, Jim Leighman e Les Sealey disputavam pela titularidade, e questões burocráticas relacionadas ao status de trabalho do australiano acabaram precipitando sua saída do clube antes que pudesse se firmar.

De volta à Austrália, Bosnich retornou ao Sydney Croatia para disputar a National Soccer League antes de embarcar numa das passagens mais marcantes de sua carreira, pelo Aston Villa, em Birmingham. Os primeiros anos foram de paciência e aprendizado. Nigel Spink e Michael Oakes eram os titulares preferenciais, e Bosnich precisou esperar sua chance. Ela chegou de maneira espetacular: numa semifinal da Copa da Liga Inglesa contra o Tranmere Rovers, o australiano defendeu três pênaltis em uma disputa dramática que levou o Villa à decisão. O próprio goleiro admitiu, anos mais tarde, que deveria ter sido expulso antes do tempo extra por ter cometido falta sobre John Aldridge, astro anglo-irlandês do adversário.

A temporada 1993-94 foi também o ano de sua primeira convocação para a seleção australiana, dando início a uma carreira internacional que se estenderia por quase duas décadas. No Villa, a temporada 1994-95 foi sua primeira como titular absoluto, embora o clube tenha lutado contra o rebaixamento. Bosnich foi um dos poucos a sair com a reputação intacta daquela campanha decepcionante. A virada veio em 1995-96, quando o goleiro foi amplamente reconhecido como um dos melhores da Premier League, ajudando o Villa a terminar em quarto lugar no campeonato e a conquistar a Copa da Liga em Wembley, com uma vitória contundente de 3 a 0 sobre o Leeds United. Foi o ápice de sua passagem pelo clube de Birmingham.

Entretanto, nem tudo foram glórias. Em 1996, Bosnich foi multado em mil libras esterlinas e condenado pela FA por má conduta, após provocar torcedores do Tottenham com uma saudação nazista, episódio que manchou sua imagem pública e gerou polêmica considerável no futebol inglês.

Após mais três temporadas pelo Villa com o contrato encerrado, Bosnich retornou ao Manchester United em 1999, desta vez com a missão de ocupar o espaço deixado pela saída do lendário Peter Schmeichel. Sua segunda passagem começou de forma promissora: foi o grande destaque da final da Copa Europeia e Sul-Americana daquele ano, quando o United venceu o Palmeiras por 1 a 0, com Bosnich realizando três defesas espetaculares. Também protagonizou um histórico empate sem gols contra o Real Madrid na Liga dos Campeões. Uma lesão o tirou do jogo de volta contra os madridistas, que acabaram avançando.

A chegada de Fabien Barthez, goleiro francês e campeão do mundo, mudou completamente o cenário. Bosnich foi rebaixado a terceiro goleiro e sua segunda passagem pelo clube terminou de forma acanhada, muito aquém das expectativas. O treinador Martin O'Neill, do Celtic, chegou a solicitar seu empréstimo, mas o australiano se recusou, apostando na chance de retomar a titularidade nos Red Devils. A teimosia custou caro: aos 28 anos, foi cortado da seleção australiana, perdendo a vaga para Mark Schwarzer.

Em 2001, assinou com o Chelsea, também em transferência livre, mas lesões constantes limitaram sua participação a apenas sete jogos. Quando finalmente parecia recuperado, um teste antidoping revelou resultado positivo, e Bosnich foi demitido pelos londrinos e suspenso do futebol inglês por nove meses, a punição mais longa aplicada a um jogador naquele país até então. O episódio precipitou uma espiral de problemas pessoais que manteve o goleiro afastado dos gramados por anos.

Após cumprir a suspensão, recusou propostas de times modestos, incluindo o Walsall, comandado por seu ex-companheiro Paul Merson. Somente em 2007, já aos 35 anos, Bosnich tentou uma volta, treinando no Queens Park Rangers depois de perder 15 quilos durante o verão e afirmando ter recuperado grande parte dos reflexos. A tentativa de retorno rendeu um amistoso fechado contra o Barnet, vencido pelo QPR por 2 a 0.

A aposentadoria definitiva chegou de forma discreta pelo Central Coast Mariners, da Austrália. A estreia pelo clube foi contra o Sydney FC, em 27 de julho de 2008, quando Bosnich defendeu um pênalti cobrado por Steve Corica, sendo ovacionado pela torcida. Em 2009, ainda atuou em oito partidas pelo Sydney Olympic, equipe do subúrbio de Sydney na Liga de Nova Gales do Sul, antes que uma lesão no tendão o obrigasse a pendurar definitivamente as chuteiras.

Pela seleção australiana, sua trajetória foi marcada por frustrações amargas. Estreou em 1993 contra a Nova Zelândia e viveu dois momentos dolorosos nas repescagens mundialistas: a derrota para a Argentina, quando um gol contra de Alex Tobin, que desviou um cruzamento de Gabriel Batistuta e encobriu o próprio goleiro Robert Zabica, eliminou os Socceroos para a Copa de 1994; e a partida contra o Irã, quando a Austrália chegou a estar vencendo por 2 a 0 em Melbourne, com gols de Harry Kewell e Aurelio Vidmar, mas viu os iranianos empatarem com Khodadad Azizi e Karim Bagheri, avançando à Copa de 1998 pelo critério dos gols fora. Bosnich descreveu esse jogo como o pior momento da história do futebol australiano. Ao todo, disputou apenas 17 partidas pelos Socceroos, ficando na sombra de Mark Schwarzer por grande parte da carreira internacional.

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