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Lizzie Borden

Norte-americana suspeita de cometer assassinato (1860–1927)

4 min de leitura05/08/2026
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Lizzie Andrew Borden, nascida em 19 de julho de 1860 na cidade de Fall River, Massachusetts, tornou-se uma das figuras mais enigmáticas e controversas da história criminal norte-americana. Herdeira de uma família abastada, mas com uma trajetória marcada por tensões familiares e mistérios jamais resolvidos, Lizzie foi acusada de cometer um dos crimes mais brutais do século XIX nos Estados Unidos: o assassinato de seu pai, Andrew Jackson Borden, e de sua madrasta, Abby Durfee Gray, em 4 de agosto de 1892. O caso, envolto em boatos, evidências mal interpretadas e uma cobertura midiática sem precedentes, jamais teve seu desfecho esclarecido, deixando dúvidas sobre a culpa ou inocência de Lizzie até os dias de hoje.

Filha de Sarah Morse Borden e Andrew Borden, um homem que, apesar de sua origem humilde, construiu um império através de negócios na indústria de móveis e tecelagens, Lizzie cresceu em uma casa de aparente conforto material. Contudo, a vida doméstica não refletia a mesma tranquilidade. A morte de sua mãe, quando Lizzie tinha apenas três anos, deixou um vazio na família, e o casamento de seu pai com Abby Gray, anos depois, parece ter acirrado ainda mais as tensões. Lizzie e sua irmã mais velha, Emma, mantinham uma relação distante com a madrasta, a quem chamavam apenas de "Sra. Borden", e havia rumores de que Abby estaria interessada na fortuna da família.

A relação entre pai e filha também não era harmoniosa. Andrew Borden era conhecido por sua avareza e por tomar decisões financeiras questionáveis, como vender propriedades da família por valores abaixo do mercado para beneficiar parentes de Abby. Um episódio particularmente memorável ocorreu meses antes dos assassinatos, quando Borden matou diversos pombos no quintal, acreditando que eles atraíam crianças. A atitude revoltou Lizzie, que via os animais como parte da memória de sua mãe. Na época, ela chegou a viajar para New Bedford em protesto, retornando apenas uma semana antes do dia fatídico.

No dia 3 de agosto de 1892, o tio de Lizzie, John Morse, chegou à casa dos Borden para uma visita de negócios com Andrew. A presença dele pode ter exacerbado as já frágeis relações familiares, segundo especulações de biógrafos. Nos dias que antecederam os assassinatos, os moradores da casa adoeceram gravemente, com suspeitas de intoxicação alimentar — Abby, inclusive, temia estar sendo envenenada, embora nenhuma evidência concreta tenha sido encontrada. O clima de desconfiança e ressentimento parecia prestes a explodir.

Na manhã de 4 de agosto, Andrew Borden saiu de casa para tratar de assuntos na cidade e retornou por volta das 10h30, deitando-se no sofá para uma soneca. Menos de uma hora depois, Lizzie teria descoberto seu corpo, chamando a empregada doméstica, Bridget Sullivan, para avisar que "alguém entrou e o matou". Enquanto a polícia era acionada, o corpo de Abby foi encontrado no andar de cima, ambos mortos por golpes violentos de uma arma pesada e afiada. A cena, marcada pela brutalidade, chocou a comunidade e deu início a uma investigação que duraria anos.

A polícia, ao vasculhar a casa, encontrou um machado no porão, cuja alça havia sido cortada, supostamente para esconder manchas de sangue. Embora o objeto fosse suspeito, nunca foi confirmado como a arma do crime, e as evidências ao redor dele eram inconclusivas. Outro detalhe perturbador foi o descuido da polícia ao ignorar vestígios que poderiam incriminar ou inocentar Lizzie: ela estava menstruada no dia dos crimes, o que poderia explicar a ausência de sangue em suas roupas, mas também levantou suspeitas sobre sua capacidade de cometer os assassinatos sem sujar suas vestes.

Um dos episódios mais intrigantes ocorreu dias depois, quando Lizzie queimou um vestido azul-claro em sua lareira, alegando que havia derramado tinta nele. Testemunhas no julgamento, no entanto, não entraram em consenso sobre a cor ou o estilo da roupa que Lizzie usava naquele dia, criando mais um ponto de discórdia no caso. A governanta Bridget Sullivan, única outra pessoa na casa no momento dos crimes, testemunhou que Lizzie agiu de forma calma e controlada, mas sua versão foi contestada por outros relatos.

O julgamento de Lizzie, iniciado em junho de 1893, foi um espetáculo midiático que dividiu a opinião pública. A acusação não conseguiu apresentar provas definitivas, enquanto a defesa argumentou que a falta de evidências físicas e a condição emocional de Lizzie — que, segundo testemunhas, havia sofrido com crises de ansiedade após a morte da mãe — tornavam-na inocente. Após apenas 90 minutos de deliberação, o júri a absolveu, e Lizzie retornou para uma vida de relativo isolamento em Fall River. Até sua morte em 1927, ela permaneceu uma figura polarizadora, admirada por alguns como uma mulher vítima das circunstâncias e temida por outros como uma assassina impune.

O caso Lizzie Borden transcendeu o crime e se tornou um fenômeno cultural, inspirando livros, peças teatrais, filmes e até mesmo lendas urbanas. A casa onde os assassinatos ocorreram, hoje transformada em museu, atrai visitantes interessados em desvendar os segredos daquele verão de 1892. Embora a identidade do verdadeiro assassino nunca tenha sido revelada, a história de Lizzie permanece como um lembrete de como a verdade pode se perder entre boatos, preconceitos e a voracidade da imprensa. Seja culpada ou inocente, sua trajetória continua a fascinar aqueles que buscam entender os mistérios por trás dos crimes mais famosos da história.

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