Júlio César Delgado nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, no dia 18 de novembro de 1966. Advogado de formação, ele seguiu os passos políticos de seu pai, Tarcísio Delgado, que exerceu três mandatos como prefeito da cidade e também foi deputado federal. Formado em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em 1990, Júlio iniciou sua trajetória profissional como assessor parlamentar na Câmara dos Deputados, o que lhe abriu as portas para o mundo da política institucional. Casado com Luciana Moreira Borges, é pai de dois filhos, Matheus e Vinícius, e construiu sua carreira em meio a um ambiente familiar acostumado ao poder público, mas sempre buscou trilhar seu próprio caminho com independência.
Sua primeira tentativa de ingressar na política eleitoral aconteceu em 1994, quando concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados pela primeira vez, mas não obteve sucesso. No entanto, naquele mesmo ano, foi convidado para assumir o cargo de Secretário-Adjunto da Secretaria do Trabalho e Assistência Social do Estado de Minas Gerais, uma experiência que ampliou sua visão sobre gestão pública e políticas sociais. A oportunidade serviu como um degrau importante em sua trajetória, mostrando que a política para ele não se limitava apenas ao voto, mas também à construção de políticas que impactassem a vida das pessoas.
Em 1999, Júlio Delgado assumiu pela primeira vez um mandato como deputado federal suplente, uma posição que, embora temporária, foi fundamental para que ele ganhasse visibilidade e experiência no Congresso. A carreira, no entanto, só decolou de fato em 2002, quando foi eleito deputado federal pelo Partido Popular Socialista (PPS). Durante seu primeiro mandato, destacou-se como líder da bancada do partido, mas a trajetória política nem sempre é feita de consensos. Insatisfeito com a postura oposicionista radical adotada pelo então presidente do PPS, Roberto Freire, Delgado migrou para o Partido Socialista Brasileiro (PSB) em 2005, alinhando-se a figuras como o ex-deputado Ciro Gomes. Essa mudança refletiu sua disposição para buscar alianças estratégicas, mesmo que isso significasse romper com antigas filiações.
A reeleição em 2006 e 2010 pelo PSB consolidou sua presença no Congresso, mas foi em 2006 que ele mostrou sua capacidade de construir pontes além das fronteiras partidárias. Naquele ano, declarou apoio à candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) no segundo turno das eleições presidenciais, uma decisão que revelou sua habilidade de dialogar com setores políticos diversos. Em 2010, adotou uma postura mais neutra, evitando endossar candidatos, o que pode ser interpretado como um sinal de pragmatismo ou, até mesmo, de cautela diante das polarizações que ganhavam força naquele período. Sua trajetória parlamentar sempre esteve marcada por essa capacidade de adaptação, sem perder de vista seus princípios.
Entre suas atuações mais relevantes no Congresso, destaca-se o papel de relator no processo que resultou na cassação do então deputado federal José Dirceu, uma decisão que teve grande repercussão na política brasileira. Além disso, integrou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Sanguessugas, um escândalo de corrupção que abalou o país na década de 2000. Naquele contexto, sua participação como sub-relator contribuiu para os trabalhos de investigação, reforçando sua imagem como um parlamentar comprometido com a transparência e a responsabilização de agentes públicos. Essas experiências também demonstraram sua disposição para enfrentar temas polêmicos, mesmo quando isso pudesse gerar desgastes políticos.
Durante o exercício do cargo de 4ª Secretário da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, Delgado tentou pela primeira vez concorrer à presidência da Casa, em um pleito onde foi derrotado por Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), obtendo 165 votos. A derrota não o desanimou, e em 2015, já no auge de sua influência, tentou novamente chegar ao posto máximo da Câmara. Desta vez, obteve 100 votos, mas foi superado por figuras como Eduardo Cunha e Arlindo Chinaglia, em uma eleição marcada por disputas internas e alianças complexas. Esses momentos revelaram tanto sua ambição quanto os desafios de se posicionar em um ambiente político cada vez mais fragmentado e competitivo.
Nos anos seguintes, sua atuação parlamentar continuou a chamar atenção. Em 2016, votou a favor do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, um episódio que dividiu o país e marcou profundamente a política brasileira. Já durante o governo de Michel Temer, seu voto contrário à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Teto dos Gastos Públicos mostrou uma postura crítica em relação a medidas de austeridade, um tema que gerava intenso debate na sociedade. Em abril de 2017, sua oposição à Reforma Trabalhista também reforçou seu posicionamento em defesa dos direitos dos trabalhadores, enquanto, em agosto daquele ano, surpreendeu ao votar a favor da abertura de investigação contra o próprio Temer, demonstrando que sua atuação nem sempre seguia a lógica das alianças partidárias.
Reeleito deputado federal em 2018, Delgado enfrentou um revés em 2022, quando não conseguiu renovar seu mandato. A derrota, no entanto, não o afastou da política. Em 2024, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e lançou sua candidatura à prefeitura de Juiz de Fora, tendo como vice Débora Lovisi, do PSDB. A decisão de concorrer ao executivo municipal representa uma nova fase em sua carreira, onde ele busca transferir sua experiência federal para o contexto local, enfrentando desafios como a recuperação da economia, a melhoria dos serviços públicos e a reconstrução da imagem de uma cidade que já foi um polo econômico e político relevante em Minas Gerais.
A trajetória de Júlio Delgado é marcada por uma combinação de tradição política familiar e uma busca constante por renovação. Embora tenha começado seguindo os passos de seu pai, conseguiu construir uma identidade própria, marcada por alianças estratégicas, posições firmes em temas polêmicos e uma disposição para mudar de partido quando necessário. Sua história reflete os altos e baixos da política brasileira, onde a fidelidade partidária muitas vezes cede espaço para a sobrevivência política, mas também onde a experiência e a capacidade de negociação podem fazer a diferença. Seja como deputado, secretário ou candidato a prefeito, Delgado segue como uma figura que representa tanto as contradições quanto as potencialidades da política institucional no Brasil contemporâneo.