Jennie Kim nasceu em 16 de janeiro de 1996 em Bundang, no distrito de Seongnam, na região metropolitana de Seul, na Coreia do Sul. Filha única de uma família com situação econômica confortável — seu pai é dono de um hospital e sua mãe é acionista da empresa de entretenimento CJ E&M — ela cresceu numa bolha de afeto e possibilidades, mas foi numa decisão simples, durante uma viagem familiar à Oceania, que seu destino começou a tomar forma. Quando sua mãe perguntou se ela gostaria de ficar na Nova Zelândia, a resposta foi um "sim" que mudaria tudo.
Com aproximadamente nove anos, Jennie foi enviada para Auckland, onde estudou na Waikowhai Intermediate School vivendo com uma família anfitriã. A experiência de aprender inglês do zero numa terra estrangeira foi intensa o suficiente para aparecer num documentário do canal MBC, que abordava exatamente esse desafio. Na Nova Zelândia, ela sonhava em ser bailarina, frequentou o ACG Parnell College e foi apresentada ao K-pop, especialmente à música produzida pela YG Entertainment, que logo se tornou sua grande paixão artística.
Aos quatorze anos, com a mãe planejando levá-la para a Flórida para continuar os estudos, Jennie resistiu à ideia de se mudar mais uma vez para um país desconhecido e decidiu voltar para a Coreia do Sul. A decisão era também uma aposta: ela queria tentar ingressar na indústria musical. Naquele mesmo ano de 2010, fez a audição para a YG Entertainment cantando "Take a Bow", de Rihanna. Apesar da timidez — ela mal conseguiu se apresentar —, a gravadora viu potencial e a aceitou como trainee.
Os anos de treinamento foram longos e exigentes. Inicialmente vocalista, Jennie foi direcionada para o papel de rapper pela gravadora, que reconheceu nela uma aptidão natural para o ritmo e a dicção, acentuada pela fluência em inglês — ela era a única estagiária completamente fluente na língua estrangeira na época. Em paralelo, aprendeu japonês básico e estudou francês. Cada mês de treino era avaliado pelo CEO da gravadora, produtores e artistas, uma pressão constante que moldou a artista que ela viria a ser.
Em 2016, após anos de preparação, o momento chegou. Jennie foi a primeira integrante revelada do novo girl group da YG Entertainment, o Blackpink, o primeiro grupo feminino do selo em sete anos desde o 2NE1. Em 8 de agosto de 2016, o grupo estreou com o single álbum "Square One", trazendo os singles "Boombayah" e "Whistle". O impacto foi imediato e avassalador: o Blackpink se tornou um fenômeno global num ritmo que poucos grupos haviam alcançado na história do K-pop.
Dentro do grupo, Jennie era conhecida como alguém que assumia responsabilidades coletivas, da tomada de decisões ao gerenciamento das tarefas cotidianas do quarteto. Em novembro de 2018, ela deu um passo ainda mais ousado ao lançar seu single solo "Solo", que liderou a Gaon Digital Chart da Coreia do Sul e a Billboard World Digital Songs dos Estados Unidos. O videoclipe ultrapassou um bilhão de visualizações no YouTube, tornando-se o primeiro de uma solista feminina de K-pop a atingir essa marca.
Nos anos seguintes, sua presença no cenário musical e na moda se expandiu de maneira praticamente inédita para uma artista coreana. Ela se tornou embaixadora global da Chanel, fashion house que a adotou com entusiasmo tão grande que a mídia a apelidou de "Chanel Humana". O apelido não era hiperbólico: Jennie dominava as passarelas do mundo com uma naturalidade e uma presença que poucos artistas de qualquer origem conseguem projetar.
Em 2023, ela estreou como atriz na polêmica série da HBO "The Idol", usando o nome artístico Jennie Ruby Jane — uma escolha que demonstrava disposição para explorar territórios além da música. No mesmo ano, lançou o single "You & Me", que atingiu o primeiro lugar na Billboard Global Excl. U.S., e "One of the Girls", que entrou no top dez da Billboard Global 200 e se tornou a canção de maior sucesso de uma solista feminina de K-pop na Billboard Hot 100 americana. Para coroar esse período de independência artística, fundou em novembro de 2023 sua própria gravadora, a Odd Atelier.
Jennie Kim acumulou ao longo da carreira prêmios como o Golden Disc e o Gaon Chart Music Award, tornou-se a pessoa coreana mais seguida no Instagram e teve seu canal no YouTube como o mais rápido da história a superar um milhão de inscritos. Sua trajetória — de uma garota tímida que mal conseguiu fazer sua audição a um dos nomes mais reconhecidos da cultura pop mundial — é um dos capítulos mais fascinantes da história da indústria musical do século 21.

