Jair Messias Bolsonaro é uma das figuras mais controversas e polarizadoras da política brasileira contemporânea. Ex-militar e político de carreira, ele ocupou a Presidência da República entre 2019 e 2023, após uma trajetória marcada por polêmicas, confrontos públicos e um discurso agressivamente conservador. Nascido em 1955 em Glicério, interior de São Paulo, e criado em Eldorado, no mesmo estado, Bolsonaro ingressou na carreira militar após formar-se na Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, onde serviu em unidades de artilharia e paraquedismo antes de ser transferido para a reserva em 1988 com o posto de capitão. Sua trajetória política começou ainda na década de 1980, quando ganhou notoriedade ao criticar os baixos salários dos militares em um artigo para a revista *Veja*, ato que lhe rendeu prisão temporária. Anos depois, foi alvo de acusações de planejar atentados contra instalações militares, embora tenha sido absolvido no Superior Tribunal Militar.
Sua carreira como deputado federal pelo Rio de Janeiro, iniciada em 1991, durou 27 anos e consolidou sua imagem como um político de extrema-direita, conhecido por defender ideias reacionárias e confrontar pautas progressistas. Bolsonaro tornou-se uma voz ativa contra os direitos LGBTQIA+, chegou a defender a prática de tortura durante a ditadura militar e foi frequentemente acusado de disseminar discurso de ódio. Sua postura agressiva e declarações polêmicas não só atraíram um público fiel, como também geraram inúmeras críticas e investigações por supostas violações éticas e morais. Essa dualidade de admiradores e detratores ajudou a moldar o chamado "bolsonarismo", um movimento político que, embora não estruturado como partido, exerceu grande influência na política brasileira, especialmente após 2018.
A ascensão de Bolsonaro ao Palácio do Planalto foi marcada por uma campanha eleitoral que se apresentou como antissistema, pró-mercado e defensora de "valores tradicionais". Filiado inicialmente ao Partido Social Liberal (PSL), ele derrotou Fernando Haddad (PT) no segundo turno das eleições de 2018 com 55,13% dos votos, em uma disputa que dividiu profundamente a sociedade brasileira. Seu governo, que durou até 2023, foi caracterizado por uma série de políticas controversas, incluindo a nomeação de inúmeros militares para cargos-chave, um alinhamento internacional com líderes de direita populista e medidas agressivas contra políticas ambientais, indígenas e de controle de armas. Além disso, seu mandato foi palco de constantes ataques às instituições democráticas, perseguição à imprensa e disseminação sistemática de desinformação, estratégias que ampliaram ainda mais a polarização no país.
Um dos pontos mais criticados de sua administração foi a gestão da pandemia de COVID-19, quando ele minimizou a gravidade da doença, promoveu tratamentos sem comprovação científica, desestimulou o uso de máscaras e a vacinação, e chegou a classificar a doença como "gripezinha". Essas ações foram associadas a um número estimado de até 400 mil mortes evitáveis, levando organizações internacionais e tribunais a classificarem sua conduta como criminosa. A gestão da crise sanitária, somada a denúncias de corrupção envolvendo aliados e uma série de trocas constantes de ministros, contribuiu para desgastar sua imagem perante a população e a comunidade internacional.
Bolsonaro também foi alvo de inúmeras controvérsias éticas e jurídicas. Em 2020, foi nomeado "pessoa do ano" pelo *Organized Crime and Corruption Reporting Project* devido à proximidade com figuras acusadas de corrupção, ao enfraquecimento do sistema de justiça e ao favorecimento de grandes proprietários de terras na Amazônia. Seu governo promoveu um desmonte sistemático de políticas públicas nas áreas de cultura, ciência e educação, além de perseguir órgãos de fiscalização ambiental e indígenas. A fome, a inflação e a precarização do trabalho aumentaram durante seu mandato, enquanto a desigualdade social e a pobreza atingiram patamares recordes desde 2012, embora a criminalidade e o desemprego tenham mantido a tendência de queda herdada de governos anteriores.
Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022, Bolsonaro tornou-se o primeiro presidente reeleito a não conseguir se reeleger desde a criação da reeleição no Brasil. Após a derrota, foi alvo de investigações por suspeitas de abuso de poder político, crimes contra o patrimônio público e esquemas de corrupção no Ministério da Educação. Em 2025, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a cerca de 27 anos de prisão por sua participação nos atos golpistas que culminaram nos ataques de 8 de janeiro em Brasília, quando milhares de apoiadores invadiram sedes dos Três Poderes em uma tentativa de anular o resultado eleitoral. A pena inicial foi cumprida em regime domiciliar, mas foi convertida em prisão preventiva após Bolsonaro ter violado as condições impostas pelo uso de tornozeleira eletrônica.
Mesmo atrás das grades, sua influência política não desapareceu. O movimento bolsonarista continuou a mobilizar milhões de seguidores, enquanto o ex-presidente manteve sua postura de vítima de perseguição judicial, uma narrativa que reforça a polarização. Em novembro de 2025, sua prisão definitiva foi transferida para a sede da Polícia Federal em Brasília, e em janeiro de 2026, foi realocado para uma unidade de segurança máxima dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, conhecida como Papudinha, onde cumpre pena até hoje.
Sua trajetória, que mescla militarismo, conservadorismo radical e uma retórica de confronto, reflete os desafios enfrentados pela democracia brasileira nas últimas décadas. Bolsonaro não foi apenas um produto de seu tempo, mas também um agente que ajudou a redefinir as fronteiras do debate político no país, deixando um legado de divisões profundas e questionamentos sobre os limites da liberdade de expressão e da responsabilidade política. Seu nome, agora associado a processos judiciais e condenações, continua a ser um símbolo das tensões entre autoritarismo e democracia na política brasileira contemporânea.