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IFood

Plataforma brasileira de delivery

5 min de leitura02/08/2026
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O iFood é a maior plataforma de delivery de refeições da América Latina e um dos gigantes do mercado brasileiro, dominando 92% do setor no país. Com atuação exclusiva em território nacional, a empresa se consolidou como referência em conveniência, conectando consumidores a restaurantes por meio de um aplicativo intuitivo. Seu modelo de negócios, que inclui parcerias com estabelecimentos e uma rede de entregadores, transformou hábitos de consumo e impulsionou a digitalização do setor gastronômico. A plataforma não apenas facilita pedidos, como também influencia preços, logística e até mesmo a relação entre restaurantes e clientes, gerando debates sobre práticas comerciais e regulação do mercado.

A trajetória do iFood começou antes mesmo de sua fundação digital. Em 1997, foi lançada a Disk Cook, uma iniciativa pioneira que oferecia um guia impresso de cardápios e um sistema de pedidos por telefone. Quase quatorze anos depois, a ideia evoluiu para o meio digital e, em maio de 2011, nasceu o iFood como startup, fundada por empreendedores como Patrick Sigrist e Eduardo Baer. O projeto rapidamente chamou a atenção de investidores, recebendo aportes de fundos de capital de risco que impulsionaram sua expansão. Entre 2011 e 2014, a empresa passou por várias rodadas de financiamento, com participação de grupos como a Movile e a Just Eat, que viriam a se tornar peças-chave em seu crescimento.

Em 2014, um marco importante ocorreu: a Movile, empresa do grupo de Jorge Paulo Lemann, assumiu o controle majoritário do iFood. Naquele mesmo ano, a plataforma realizou uma fusão com a RestauranteWeb, unindo forças com uma gigante estrangeira e avaliando a empresa em cerca de um bilhão de reais. Essa movimentação estratégica permitiu ao iFood aumentar sua escala e diversificar serviços, além de acelerar aquisições no setor. Nos anos seguintes, a startup não apenas se manteve competitiva, como também se tornou um "unicórnio" — termo dado a empresas avaliadas em mais de um bilhão de dólares — e, em 2022, alcançou o título de startup mais valiosa do Brasil, ficando atrás apenas da mexicana Kavak na América Latina.

O crescimento do iFood não veio sem controvérsias. A empresa enfrentou processos antitruste movidos pelo CADE, o órgão regulador de defesa da concorrência no Brasil, devido a práticas de exclusividade com redes de restaurantes. Em 2020, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica determinou que o iFood suspendesse temporariamente a assinatura de novos contratos exclusivos com estabelecimentos, uma medida preventiva que durou até 2023. Naquele ano, as partes chegaram a um acordo, estabelecendo limites para tais cláusulas, especialmente em redes com pelo menos 30 unidades. A decisão refletiu a preocupação com a concentração de mercado e o impacto sobre a concorrência, um tema recorrente em um setor onde o poder de barganha da plataforma é significativo.

Além das disputas regulatórias, o iFood também tem sido alvo de críticas por seu impacto sobre os preços praticados pelos restaurantes. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL), os pedidos realizados via plataforma costumam ser 17,5% mais caros para o consumidor do que aqueles feitos diretamente no estabelecimento. Essa diferença, muitas vezes atribuída a taxas cobradas pelo iFood, levanta questionamentos sobre a justiça do modelo de negócios, que beneficia a plataforma em detrimento de pequenos comerciantes. A discussão envolve não apenas a precificação, mas também a dependência que muitos restaurantes desenvolveram em relação ao aplicativo para garantir visibilidade e volume de vendas.

O modelo de trabalho dos entregadores também tem sido um ponto de atenção. Em 2022, o iFood ajustou os valores pagos aos profissionais, aumentando em 13% o mínimo por rota e em 50% o mínimo por quilômetro rodado, uma resposta à inflação e ao aumento no custo dos combustíveis. No mesmo ano, o governo brasileiro iniciou estudos para criar um modelo que incluísse os trabalhadores de aplicativos na Previdência Social sem retirar sua autonomia, um debate que ganhou força diante da crescente popularidade do delivery. Em paralelo, a empresa investiu em inovação sustentável, incorporando motos elétricas à sua frota por meio de parcerias, como a com a Voltz, visando reduzir o impacto ambiental do serviço.

A expansão internacional do iFood, no entanto, teve trajetória curta. A plataforma operou no México por meio da SinDelantal até 2020, quando decidiu encerrar as atividades no país para focar exclusivamente no Brasil. Essa decisão estratégica reforçou a posição da empresa como líder local, permitindo que ela concentrasse recursos em um mercado onde já detinha participação dominante. No front doméstico, o iFood continuou a bater recordes: em agosto de 2024, atingiu a marca de 100 milhões de pedidos em um único mês, um volume que reflete a popularidade crescente do serviço, especialmente após a pandemia.

Em 2025, a empresa anunciou um ambicioso plano de investimentos de 17 bilhões de reais no Brasil, com previsão de 1.100 novas contratações até 2026. Nesse mesmo ano, o iFood registrou um recorde de 500 mil entregadores ativos e destinou 744 milhões de reais a iniciativas de apoio à categoria, como treinamentos e benefícios. Os números demonstram não apenas o crescimento da plataforma, mas também sua capacidade de influenciar o mercado de trabalho. Em outubro, a empresa contabilizou 160 milhões de pedidos e 13 bilhões de reais em vendas em um mês, enquanto novembro fechou com 180 milhões de pedidos, um aumento de 58% em relação ao ano anterior.

Outra movimentação estratégica recente foi a integração com a Uber. Em maio de 2025, os dois aplicativos anunciaram uma parceria que permite aos usuários solicitar corridas da Uber pelo iFood e vice-versa. A integração, implementada gradualmente a partir de novembro de 2025, começou em Belo Horizonte e se expandiu para outras capitais, combinando dois gigantes do transporte e do delivery. Essa união não apenas amplia as opções dos consumidores, como também pode redefinir a dinâmica da mobilidade urbana e do comércio local, consolidando ainda mais o papel do iFood como player central na economia digital brasileira.

Com um portfólio de aquisições que inclui desde empresas de tecnologia até plataformas de gestão para restaurantes, o iFood tem buscado diversificar suas operações e fortalecer sua infraestrutura. Adquiriu a SpoonRocket, focada em entregas rápidas, e a PedidosJá no Brasil, além de incorporar startups de inteligência artificial e e-commerce. Essas movimentações refletem uma estratégia de longo prazo para manter a liderança no setor, seja por meio de inovação, seja pela aquisição de concorrentes. Enquanto o mercado de delivery continua a evoluir, o iFood se posiciona como um dos principais responsáveis por moldar o futuro da alimentação e do comércio no país.

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