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Haroldo V da Noruega

Rei da Noruega (1937–2026)

5 min de leitura29/08/2026
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Haroldo V, o sétimo rei da Noruega moderna e o primeiro monarca nascido no país a assumir o trono desde o século XIV, marcou uma era de transição e resiliência na história escandinava. Nascido em 21 de fevereiro de 1937 na propriedade de Skaugum, sua vida esteve desde cedo entrelaçada com os destinos da nação, mas também com os desafios de uma Europa dilacerada pela guerra. Filho único do então príncipe herdeiro Olav e da princesa Marta da Suécia, Haroldo cresceu em um ambiente de privilégio real, mas sua infância seria profundamente moldada pela ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Enquanto seu avô, o rei Haakon VII, e seu pai permaneciam na Noruega para liderar simbolicamente a resistência, Haroldo, sua mãe e suas duas irmãs fugiram para a Suécia, enfrentando resistência inicial antes de serem transferidos para os Estados Unidos, onde viveram em Washington, D.C. até o fim do conflito. Essa experiência, que incluiu até mesmo testemunhar a posse de Franklin D. Roosevelt em 1945, deixou marcas duradouras, como um leve sotaque americano ao falar inglês.

O retorno à Noruega em 1945 não trouxe apenas a paz, mas também a perda. A morte de sua mãe, a princesa Marta, em 1954, quando ele tinha apenas 17 anos, foi um golpe duro para o jovem príncipe. A figura materna, que havia sido fundamental durante o exílio, deixou um vazio que Haroldo carregaria por décadas. Sua educação, no entanto, seguiu um caminho tradicional para um herdeiro real: estudos na Oslo katedralskole, treinamento militar na Befalsskolen for kavaleriet e na Academia Militar Norueguesa. Seu ingresso na vida adulta coincidiu com um momento crucial: a morte de seu avô, Haakon VII, em 1957, que o tornou príncipe herdeiro aos 20 anos. A transição para essa nova fase não foi apenas simbólica, mas também prática, pois ele passou a ser preparado para assumir as responsabilidades de um futuro monarca, ainda que seu pai, Olav V, continuasse a reinar por mais três décadas.

A vida pessoal de Haroldo também esteve no centro das atenções quando, em 1968, ele rompeu com as tradições da monarquia ao se casar com Sônia Haraldsen, uma plebeia e filha de um lojista de Oslo. O relacionamento enfrentou resistência inicial, especialmente por parte de setores conservadores da sociedade norueguesa, que questionavam a adequação de uma rainha sem linhagem aristocrática. No entanto, o tempo provou que o amor do casal transcendia as expectativas: juntos, eles tiveram dois filhos, Marta Luísa e Haakon, consolidando uma família real que, aos poucos, ganhou a aceitação popular. Essa união não apenas modernizou a imagem da monarquia norueguesa, mas também aproximou a instituição do povo, que passou a ver nos reis um reflexo de suas próprias vidas.

Haroldo ascendeu ao trono em 1991, após a morte de seu pai, Olav V, encerrando um reinado de 33 anos. Sua coroação foi um marco não só por ser o primeiro rei nascido na Noruega desde o século XIV, mas também por representar a continuidade de uma dinastia que, há mais de um século, tem sido um símbolo de unidade nacional. Durante seu governo, ele enfrentou inúmeros desafios, desde crises políticas até problemas de saúde que, em várias ocasiões, obrigaram seu filho, Haakon, a atuar como regente. Haroldo, no entanto, manteve-se firme em seus deveres, equilibrando a tradição com a modernidade. Seu entusiasmo pelo esporte, especialmente pela vela, foi outra faceta que o tornou próximo dos noruegueses, pois ele não apenas praticava o esporte, mas também representou o país em três edições olímpicas — 1964, 1968 e 1972 — e se tornou um patrono influente da Federação Internacional de Vela.

Os últimos anos de sua vida foram marcados por uma saúde frágil, que culminou em breves períodos de regência para seu filho entre 2003 e 2026. Em 2024, ele superou seu próprio pai como o monarca reinante mais velho da Noruega, um feito simbólico que refletia sua longevidade e dedicação. Ainda mais notável foi o título de monarca europeu mais idoso após a morte de sua prima distante, a rainha Isabel II, em 2022. Sua morte, ocorrida em 28 de agosto de 2026 em Oslo, aos 89 anos, encerrou não apenas uma vida, mas um período de 35 anos no trono, durante os quais ele testemunhou transformações profundas na Noruega e no mundo. Seu legado, no entanto, permanece vivo na figura de seu filho, Haakon, que herdou não só a coroa, mas também o compromisso de manter a monarquia como um elo entre o passado e o futuro da nação.

O reinado de Haroldo V foi um testemunho de como a monarquia pode se adaptar sem perder sua essência. Ele governou em uma época em que as monarquias europeias enfrentavam questionamentos sobre sua relevância, mas conseguiu preservar a imagem da Casa de Glücksburgo como uma instituição estável e próxima aos cidadãos. Seu apoio a causas sociais, sua participação em eventos esportivos e sua presença constante em cerimônias nacionais reforçaram o papel simbólico da realeza na Noruega moderna. Além disso, sua trajetória pessoal — desde o exílio na infância até a liderança em tempos de incerteza — serviu como um lembrete de que os reis também são humanos, com suas fraquezas e superações.

Haroldo também deixou sua marca na cultura norueguesa. Seu interesse pela arte, pela literatura e pela história do país se refletiu em inúmeras iniciativas patrocinadas pela coroa, incluindo exposições, concertos e apoio a artistas locais. Ele foi um defensor da preservação da língua e das tradições norueguesas, especialmente em uma era de globalização crescente. Seu reinado coincidiu com o fortalecimento da identidade nacional, e sua figura, muitas vezes discreta mas sempre presente, foi um ponto de referência para os noruegueses em momentos de alegria ou luto.

Em retrospecto, Haroldo V representou uma ponte entre eras. Nasceu em um mundo pré-guerra, cresceu em meio ao conflito, governou durante a Guerra Fria e a era digital, e deixou um legado que transcende as fronteiras da Noruega. Seu nome será lembrado não apenas como o de um rei, mas como o de um homem que, com dignidade e determinação, cumpriu seu papel em um dos períodos mais dinâmicos da história escandinava. A monarquia norueguesa, que já enfrentou ceticismo e resistência, ganhou com ele um novo capítulo de legitimidade e respeito, graças a um monarca que soube equilibrar a pompa do cargo com a simplicidade de um cidadão comum.

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