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Copa do Mundo FIFA de 2026

23.ª edição da Copa do Mundo FIFA

5 min de leitura24/07/2026
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A Copa do Mundo FIFA de 2026 entrou para a história como a primeira edição a ser disputada por 48 seleções, marcando uma mudança significativa no formato do torneio mais prestigiado do futebol mundial. Essa expansão, decidida pela FIFA em 2017, refletiu o desejo de democratizar a competição, permitindo que mais países das diferentes confederações tivessem a chance de participar. No entanto, a transição não foi simples: a implementação do novo modelo exigiu ajustes logísticos, como a ampliação de estádios e a organização de mais partidas, o que gerou debates sobre a viabilidade e o impacto na qualidade do espetáculo. Além disso, a novidade trouxe consigo desafios inéditos, como a necessidade de equilibrar o calendário e evitar desgastes físicos excessivos para os jogadores.

A escolha da sede foi um processo cercado de polêmicas e adiamentos. Originalmente prevista para 2015, a definição dos anfitriões foi adiada em meio a denúncias de corrupção que abalaram a reputação da FIFA, envolvendo até mesmo as edições de 2018 na Rússia e de 2020 no Catar. Somente em 2018, durante o 68.º Congresso da entidade em Kuala Lumpur, a candidatura conjunta do Canadá, México e Estados Unidos foi aprovada. Essa decisão não apenas coroou a primeira parceria tripartite na história da Copa, como também possibilitou que o México se tornasse o país a sediar o torneio pela terceira vez, superando recordes anteriores. A histórica América do Norte, já acostumada a grandes eventos esportivos, se preparou para receber uma festa do futebol que prometia unir culturas e promover o esporte em um continente conhecido por sua paixão pelo jogo.

O torneio foi disputado em dezesseis cidades, espalhadas pelos três países-sede, cada uma oferecendo uma experiência única aos torcedores. O Canadá, que nunca havia recebido uma partida da Copa, estreou como anfitrião com estádios modernos e infraestrutura preparada para receber multidões. Os Estados Unidos, que já haviam sediado a edição de 1994, repetiram o feito com estádios de grande capacidade, enquanto o México, com sua tradição de 1970 e 1986, trouxe o calor e a vibração de suas torcidas, criando um ambiente eletrizante em cada partida. A diversidade de sedes também permitiu que a competição alcançasse públicos de diferentes regiões, reforçando o caráter global do evento.

No entanto, a organização enfrentou críticas severas, especialmente devido às rígidas políticas de imigração dos Estados Unidos, que dificultaram a entrada de torcedores e equipes de alguns países. A participação do Irã, mesmo em meio a um conflito diplomático com os EUA e Israel, levantou questões sobre neutralidade e segurança, enquanto a adoção de preços dinâmicos de ingressos pela FIFA foi vista como uma estratégia comercial agressiva, afastando parte da base de fãs. Esses problemas expuseram as tensões entre os interesses econômicos da entidade máxima do futebol e os anseios dos torcedores, que muitas vezes se sentiram marginalizados em um evento cada vez mais dominado pelo marketing.

Do ponto de vista esportivo, a Copa de 2026 surpreendeu ao coroar a Espanha como campeã mundial pela segunda vez em dezesseis anos, um feito que só foi possível graças a uma campanha repleta de reviravoltas. Os espanhóis, que haviam perdido a Finalíssima de 2026 — um torneio proposto para ser disputado entre os campeões da Eurocopa e da Copa América — após desentendimentos com a Argentina, chegaram à decisão do Mundial com autoridade. Na final contra os argentinos, um gol de Ferran Torres na prorrogação selou o título, colocando fim a uma série de especulações sobre o futuro da *La Roja* e reafirmando a Espanha como uma potência do futebol moderno. Essa vitória ainda ganhou um sabor especial ao ser a primeira vez que um país conquistava o título mundial tanto no futebol masculino quanto no feminino em um intervalo tão curto, já que a seleção feminina havia sido campeã em 2023.

A Argentina, por sua vez, chegou à final após uma campanha marcada por controvérsias. A equipe, que já havia disputado duas finais consecutivas — uma façanha inédita desde os anos 1980 e 1990 —, foi alvo de questionamentos sobre possíveis favorecimentos da FIFA ao longo do torneio. Embora tenham chegado à decisão com um futebol espetacular, a derrota por 1 a 0 na prorrogação deixou um gosto amargo, especialmente após a eliminação da Inglaterra nas semifinais. Os ingleses, por sua vez, viveram um momento histórico ao alcançar o terceiro lugar, o melhor resultado desde seu único título em 1966, além de uma semifinal emocionante contra a Argentina. A partida contra a França pelo bronze, que terminou em 6 a 4, entrou para a história como uma das mais goleadoras de todas as edições da Copa, demonstrando o poder ofensivo das equipes naquele torneio.

Outras seleções tradicionais tiveram performances abaixo do esperado, refletindo crises internas ou transições geracionais. Alemanha, Brasil, Países Baixos e Uruguai amargaram suas piores campanhas em décadas, uma queda de produção que levantou debates sobre o estado atual do futebol nessas nações. Enquanto isso, a Inglaterra se consolidou como uma das surpresas positivas, não apenas pelo terceiro lugar, mas também pela capacidade de reerguer-se após anos de frustrações. A França, por sua vez, mesmo eliminada nas semifinais, mostrou um futebol ofensivo que deixou saudades, especialmente após a partida épica contra a Inglaterra.

A edição de 2026 também ficou marcada pela despedida de alguns dos maiores nomes do futebol mundial. Jogadores como Cristiano Ronaldo, Lionel Messi, Neymar e Luka Modrić encerraram suas trajetórias em seleções nacionais, deixando um legado inestimável para o esporte. Essa transição geracional trouxe à tona discussões sobre o futuro do futebol, especialmente em um momento em que a tecnologia, as mudanças táticas e a comercialização do esporte estão em constante evolução. A Copa de 2026 não foi apenas um torneio de futebol; foi um marco na história do esporte, repleto de lições, controvérsias e momentos inesquecíveis que continuarão a ser analisados por anos.

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