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Civilização Minoica

Civilização antiga na ilha de creta

7 min de leitura01/01/2024
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Civilização Minoica foi uma civilização egeia em Creta, a maior ilha do mar Egeu, que floresceu aproximadamente entre o século XXX e XV a.C. Foi redescoberta no começo do século XX durante as expedições arqueológicas do britânico Arthur Evans. O historiador Will Durant refere-se à civilização como "o primeiro elo da cadeia europeia". Os primeiros habitantes de Creta remontam a pelo menos 128 000 a.C., durante o Paleolítico Médio. No entanto, os primeiros sinais de práticas agrícolas não surgiram antes de 5 000 a.C., caracterizando então o começo da civilização. Com a introdução do cobre em torno de 2 700 a.C. foi possível o início da manufatura de bronze. A partir deste marco a civilização desenvolveu-se gradativamente pelos séculos seguintes, irradiando sua cultura para boa parte dos povos do Mediterrâneo Oriental. Sua história apresentou períodos de conturbação interna, possivelmente causados por desastres naturais, que culminaram na destruição da maior parte de seus centros urbanos. Por volta de 1 400 a.C., enfraquecidos internamente, os minoicos foram totalmente assimilados pelos habitantes do continente grego, os micênicos, que repovoaram alguns dos principais assentamentos na ilha e fizeram com que esta prosperasse por mais alguns séculos.

Com uma economia baseada principalmente no comércio externo, a Civilização Minoica moldou todos os aspectos que a caracterizam de modo a atender a demanda do mercado externo. Por Creta ser pobre em jazidas principalmente de metais, os minoicos produziram excedentes agrícolas e de produtos manufaturados que venderam para obter metais do Chipre, Egito e Cíclades. Para facilitar tais trocas comerciais os minoicos desenvolveram um completo sistema de pesos e medidas que utilizava lingotes de cobre e discos de ouro e prata com pesos pré-determinados. A arte minoica foi extremamente fértil e engloba elementos adquiridos com os contatos com povos estrangeiros, assim como elementos autóctones. Havia produções utilizando barro (cerâmica), pedras semipreciosas (arte lítica) e metais. Em todos os casos os artefatos produzidos apresentam gradativa evolução à medida que a civilização ia especializando-se. Os motivos artísticos incorporados nestas produções, assim como nos afrescos, em suma valorizam cenas que representem a natureza e/ou elementos da mesma (animais, plantas), procissões e/ou rituais religiosos, seres mitológicos, etc. A religião minoica era matriarcal. Diferente dos micênicos, os minoicos tinham santuários em locais naturais (fontes, cavernas, elevações) ou nos palácios onde havia diversos espaços dedicados a práticas cultuais. Os minoicos desenvolveram inicialmente um sistema de escrita hieroglífico, possivelmente originado dos hieróglifos egípcios, que evoluiu para a escrita Linear A, que por sua vez evoluiu para a Linear B, que foi incorporada pelos micênicos para escrever sua forma arcaica de grego.

O termo "minoico" foi cunhado por Arthur Evans e deriva do nome do rei mítico "Minos". Este foi associado ao mito grego do labirinto, que Evans identificou como o sítio de Cnossos. Por vezes argumenta-se que a placa egípcia chamada "Keftiu" (Káftiu kftiw) e as semíticas "Caftor" e "Kaptara" nos arquivos de Mari referem-se à ilha de Creta; "Por outro lado alguns fatos conhecidos sobre Caftor/Keftiu dificilmente podem ser associados com Creta", observa John Strange. Na Odisseia, composta séculos depois da destruição da Civilização Minoica, Homero chama os nativos de Creta de eteocretenses ("verdadeiros cretenses").

Os chamados palácios minoicos (anaktora) são as mais bem acabadas construções conhecidas já escavadas na ilha. São construções monumentais servindo para propósitos administrativos, o que é evidenciado por grandes arquivos de documentos desenterrados por arqueólogos. Cada um dos palácios escavados até agora tem características únicas, mas eles também compartilham características que os distinguem de outras estruturas.

Aparentemente o povo minoico não era indo-europeu e nem sequer era aparentado com os habitantes pré-gregos da Grécia continental e da Anatólia Ocidental, os chamados pelasgos. No entanto, uma análise das sequências do genoma dos minoanos e micênicos antigos, que viveram há 3 000 a 5 000 anos, eram geneticamente similares, tendo pelo menos três quartos de sua ascendência dos primeiros agricultores neolíticos. Eles provavelmente migraram de Anatólia para a Grécia e Creta milhares de anos antes da Idade do Bronze. A Civilização Minoica foi muito mais avançada e sofisticada que a contemporânea civilização heládica durante a Idade do Bronze. A escrita minoica (Linear A) não foi ainda decifrada, mas há indícios de que represente uma língua egeia, não relacionada com qualquer língua indo-europeia. A partir do período neolítico, Creta passou a estar entre os dois fluxos culturais que conduziam ao oeste: o frente-asiático e o norte africano. Aparentemente, a Creta minoica permaneceu livre de qualquer invasão por muitos séculos e conseguiu desenvolver uma civilização auto-sustentável distinta, que foi provavelmente a mais avançada no Mediterrâneo durante a Idade do Bronze.

Em vez de associar datas do calendário absoluto (embora, por vezes, isso também seja utilizado) para o período minoico, os arqueólogos usam dois sistemas de cronologia relativa. O primeiro, criado por Evans e modificado depois por outros arqueólogos, baseia-se em estilos na produção cultural, os estilos de cerâmica. Ele divide o período minoico em três eras principais – Minoano Antigo (MA), Minoano Médio (MM) e Minoano Recente (MR). Estas eras são subdivididas, por exemplo, em Minoano Antigo I, II e III (MAI, MAII e MAIII). Outro sistema de datação, também cultural, proposto pelo arqueólogo grego Nicolaos Platon, é baseado no desenvolvimento dos complexos arquitetônicos conhecidos como palácios de Cnossos, Festo, Mália e Cato Zacro, e divide o período minoico em pré-palaciano, protopalaciano, neopalaciano e pós-palaciano. A relação entre estes sistemas é dada na tabela abaixo com as datas do calendário aproximado extraídas de Warren e Hankey (1989).

A erupção do vulcão Santorini ocorreu durante uma fase avançada do período Minoano Recente IA. A data da erupção vulcânica é extremamente controversa. A datação por radiocarbono indica o final do século XVII a.C.; no entanto essa estimativa entra em conflito com as de arqueólogos que sincronizam a erupção com a cronologia convencional egípcia e obtêm uma data de cerca de 1 530 - 1 500 a.C. A erupção é frequentemente identificada como um evento natural catastrófico para a cultura, levando possivelmente ao fim da civilização.

Por intermédio de uma antiga profecia que afirmava que Cronos seria destronado por um de seus filhos, este começa a devorá-los um a um após estes serem concebidos por sua mulher e irmã, Reia. O último deles, Zeus, foi poupado deste fim trágico, pois foi enviado para Creta para ser criado pela cabra Amalteia. Anos depois, a cabra revela a Zeus o fim de seus irmãos e este, então, é acometido por intensa fúria. Alia-se com sua tia, a titânide Métis que da a ele uma poção que seu pai deveria tomar para vomitar seus parentes; ao tomá-la, Cronos regurgita seus filhos já crescidos que, juntos a Zeus, iniciam a guerra cósmica contra seu pai, a Titanomaquia. De um lado estava os deuses liderados por Zeus, do outro os titãs liderados por Cronos e Atlas (participou da guerra, pois os deuses destruíram Atlântida, seu reino). No fim do conflito os titãs foram completamente derrotados e uma nova ordem cósmica foi estabelecida: Zeus reinou sobre os céus e a terra, Posidão sobre os mares e Hades sobre o Tártaro.

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