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Ary Fontoura

Ator, poeta, escritor e diretor brasileiro

4 min de leitura24/08/2026
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Ary Fontoura é um dos nomes mais versáteis e queridos da cultura brasileira, um verdadeiro polímata das artes cênicas que transcendeu os palcos, a tela e as páginas para se tornar um fenômeno digital. Nascido em Curitiba em 1933, filho de um professor de origem inglesa e portuguesa e de uma dona de casa italiana, Fontoura carregou desde cedo a herança de uma formação plural, que moldaria sua trajetória criativa. Seu nome completo, Ary Beira Fontoura, já prenuncia a mistura de culturas que sempre esteve presente em sua arte, seja na dicção precisa das palavras ou na capacidade de se reinventar diante das mudanças do tempo.

A carreira de Ary Fontoura é marcada por uma trajetória que começou ainda nos primórdios da televisão brasileira. Em 1961, participou de um episódio da série *O Vigilante Rodoviário*, produção pioneira que ajudou a pavimentar o caminho para as telenovelas que viriam a dominar a cultura popular. Desde então, o ator se tornou um dos rostos mais recorrentes da Rede Globo, com mais de 50 novelas no currículo, construindo personagens que iam do cômico ao dramático, do sinistro ao carismático. Sua habilidade em dar vida a figuras complexas fez dele um ator indispensável, capaz de cativar plateias com performances memoráveis.

Entre seus papéis mais emblemáticos estão o professor Baltazar Câmara de *O Espigão*, um homem de ciência que enfrentava os mistérios da natureza; o professor Aristóbolo Camargo de *Saramandaia*, um personagem tão excêntrico quanto memorável; e o prefeito Florindo "Seu Flô" Abelha de *Roque Santeiro*, uma figura que combinava malandragem e carisma. Cada um desses personagens revelava um aspecto diferente de seu talento, mas foi na pele do prefeito falido Isaías "Zazá" Junqueira, em *Morde & Assopra*, que Fontoura atingiu um dos picos de sua carreira. O personagem, casado com a fútil Minerva e pai de uma família caótica, tornou-se um ícone, tanto que o próprio ator o considera um dos principais de sua trajetória.

Além das telenovelas, Ary Fontoura também brilhou no teatro, onde sua versatilidade se manifestava em peças que iam do clássico ao contemporâneo. Em *Num Lago Dourado*, de Mark Rydell, ele foi indicado ao Prêmio Shell de Teatro na categoria Melhor Ator, prova de que sua arte não se limitava à televisão. No palco, Fontoura sempre demonstrou a mesma paixão que levou para as telas, construindo personagens com profundidade e nuances que cativavam o público. Sua presença no teatro, aliás, remonta aos anos 1960, quando participou de montagens que se tornaram marcos da cena cultural brasileira, como *Mister Sexo* e *Dr. Getúlio, Sua Vida, Sua Glória*.

Nos últimos anos, Ary Fontoura surpreendeu ao se tornar um fenômeno digital, especialmente durante a pandemia de COVID-19. Com o isolamento social, o ator decidiu compartilhar vídeos divertidos e registros cotidianos em suas redes sociais, transformando-se em um dos nomes mais populares entre os "blogueirinhos da terceira idade". Seu perfil no Instagram, onde acumulou mais de 1 milhão de seguidores, revelou um lado descontraído e próximo do público, que passou a vê-lo não apenas como um ator de novelas, mas como uma pessoa acessível e cheia de personalidade. Essa nova fase da carreira mostrou que Fontoura, mesmo aos 90 anos, ainda tinha energia e criatividade para conquistar novas gerações.

O reconhecimento por essa trajetória multifacetada veio com diversos prêmios ao longo dos anos. Três Prêmios APCA, um Troféu Imprensa, três Mambembes e duas indicações ao Grande Otelo são apenas alguns dos destaques de uma carreira repleta de honrarias. Em 2018, o Troféu Mário Lago pelo conjunto da obra coroou décadas de contribuição para a cultura brasileira, enquanto em 2025, aos 93 anos, ele foi agraciado com o prêmio IBest de "protagonista influenciador", demonstrando que sua capacidade de inovar e se adaptar não conhece limites de idade.

Fora das câmeras e dos palcos, Ary Fontoura sempre foi uma figura discreta, mas sua vida pessoal também ganhou destaque recentemente. Em 2020, após a atriz Maria Zilda revelar sua sexualidade, Fontoura assumiu publicamente sua homossexualidade, um gesto que, em um mercado tradicional como o das artes cênicas brasileiras, representa não apenas uma afirmação pessoal, mas também um marco de representatividade. Essa atitude reforçou a imagem de um artista que sempre prezou pela autenticidade, tanto em sua arte quanto em sua vida.

Sua filmografia, embora menos extensa do que sua presença na televisão, também é digna de nota. Ao longo das décadas, Ary Fontoura participou de produções que marcaram a história do cinema brasileiro, sempre com a mesma intensidade que levou aos palcos e às telas de TV. Cada projeto, seja ele uma novela, um filme ou uma peça teatral, foi marcado pela dedicação e pela busca pela excelência, características que definem sua carreira.

Hoje, aos 93 anos, Ary Fontoura segue como um exemplo de vitalidade e reinvenção. Sua trajetória é um testemunho de como a arte pode ser um campo de constante transformação, onde o talento e a paixão muitas vezes superam as expectativas impostas pela idade. Seja como ator, escritor, poeta ou influenciador digital, Fontoura continua a inspirar, provando que a criatividade não tem prazo de validade e que a capacidade de encantar o público é atemporal. Em um mundo onde as mudanças são cada vez mais rápidas, sua história serve como um lembrete de que a autenticidade e o compromisso com a arte são valores que transcendem o tempo.

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