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André Mendonça

Advogado brasileiro, ministro do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral

4 min de leitura02/09/2026
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André Luiz de Almeida Mendonça é uma figura que tem se destacado no cenário jurídico e político brasileiro nos últimos anos, ocupando cargos de extrema relevância tanto no âmbito da administração pública quanto no Poder Judiciário. Nascido em Santos, no litoral paulista, em 27 de dezembro de 1972, Mendonça construiu uma trajetória marcada pela formação acadêmica sólida, atuação como jurista, magistrado e, de forma não menos importante, como pastor presbiteriano. Sua carreira profissional reflete uma trajetória que mescla a defesa do Estado de Direito com uma visão religiosa que, embora não seja exercida de forma remunerada, permeia sua conduta pessoal e pública.

Formado em ciências jurídicas e sociais pelo Centro Universitário de Bauru, Mendonça aprofundou seus estudos em direito público pela Universidade de Brasília, onde também se especializou. No entanto, foi no exterior que ele consolidou sua expertise, obtendo mestrado e doutorado em direito pela Universidade de Salamanca, na Espanha. Sua dissertação de mestrado abordou o tema da corrupção e sua relação com o Estado de Direito, enquanto sua tese de doutorado, avaliada com nota máxima, versou sobre governança global e o fortalecimento das instituições jurídicas. Essa formação internacional colocou-o em um patamar diferenciado entre os juristas brasileiros, especialmente em um contexto onde a luta contra a corrupção e a defesa das instituições democráticas são pautas centrais.

Além da carreira jurídica, Mendonça também se dedicou à teologia, cursando formação na Faculdade Teológica Sul Americana e se credenciando como pastor presbiteriano. Sua atuação religiosa ocorreu de forma voluntária na igreja presbiteriana "Esperança", no Distrito Federal, onde liderava cultos dominicais realizados de maneira improvisada em um auditório de escola pública, reunindo cerca de sessenta fiéis. A partir de 2025, passou a atuar como pastor colaborador na Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo, ao lado de nomes como o reverendo Arival Dias Casimiro e Hernandes Dias Lopes. Essa dualidade entre a fé e a profissão jurídica chama atenção, especialmente em um país onde a laicidade do Estado é um princípio constitucional, mas onde a religião muitas vezes influencia debates públicos.

A trajetória de Mendonça no serviço público começou ainda na década de 1990, quando atuou como advogado da BR Distribuidora antes de ingressar na carreira de advogado da União. Ao longo dos anos, ocupou diversos cargos na Advocacia-Geral da União (AGU), incluindo o de corregedor-geral e diretor de Patrimônio Público e Probidade Administrativa. Um de seus feitos mais notáveis nesse período foi coordenar o Grupo Permanente de Atuação Pró-Ativa da AGU, que contribuiu para a recuperação de recursos desviados em casos de corrupção, como o esquema envolvendo o juiz Nicolau dos Santos Neto e o então senador Luiz Estevão. Seu trabalho foi reconhecido nacionalmente em 2011, quando a AGU recebeu o Prêmio Innovare por suas práticas inovadoras no combate à corrupção.

Em 2016, Mendonça assumiu o cargo de assessor especial do ministro da Controladoria-Geral da União, Wagner Rosário, durante o governo Michel Temer. Essa experiência o aproximou ainda mais das discussões sobre transparência e controle de gastos públicos, temas que viriam a ser centrais em sua trajetória posterior. Em 2018, já no governo Jair Bolsonaro, foi nomeado advogado-geral da União, cargo que ocupou até abril de 2020, quando foi efetivado como ministro da Justiça e Segurança Pública. Sua passagem pelo Ministério da Justiça, entretanto, foi marcada por polêmicas, especialmente devido à abertura de inquéritos contra críticos do governo, como políticos e jornalistas, sob acusações de calúnia e injúria contra o presidente. Além disso, seu nome esteve envolvido na produção de um dossiê sobre supostos membros do "movimento antifascista" entre servidores públicos, o que gerou críticas por possíveis ilegalidades na produção do relatório.

Após deixar o Ministério da Justiça em março de 2021, Mendonça retornou à AGU por um breve período, mas logo pediu exoneração do cargo. No entanto, sua trajetória no serviço público não se encerrou aí. Em julho de 2021, Bolsonaro o indicou para o Supremo Tribunal Federal (STF), onde assumiu o cargo em dezembro daquele ano. Desde então, Mendonça tem participado ativamente de julgamentos que envolvem temas como a constitucionalidade de leis, direitos fundamentais e a própria estrutura do Estado brasileiro. Em junho de 2024, passou a integrar também o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sucedendo o ministro Alexandre de Moraes, o que reforçou ainda mais seu protagonismo no cenário jurídico nacional.

O que torna Mendonça uma figura de destaque vai além de seus cargos ocupados ou de sua formação. Sua trajetória reflete as tensões entre a defesa das instituições democráticas e a polarização política que marcou o Brasil nos últimos anos. Enquanto alguns enxergam nele um defensor intransigente do Estado de Direito, outros criticam suas posturas como excessivamente alinhadas ao governo que o indicou para cargos estratégicos. Independentemente das opiniões, é inegável que Mendonça representa um ponto de encontro entre o direito, a fé e a política, um trio que, no Brasil, raramente é discutido de forma tão pública e simultânea.

Sua atuação no STF e no TSE certamente será acompanhada de perto, especialmente em um momento em que o Judiciário brasileiro enfrenta pressões para equilibrar independência, transparência e a crescente demanda por respostas rápidas a crises institucionais. Seja como pastor ou como magistrado, Mendonça segue como um personagem que desperta curiosidade e, muitas vezes, controvérsia, justamente por encarnar essa multiplicidade de papéis em um país onde a laicidade e a fé, o direito e a política, se entrelaçam de maneiras complexas.

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