Alison Brendom Alves dos Santos, conhecido como Piu, é um dos maiores nomes do atletismo brasileiro e mundial na prova dos 400 metros com barreiras. Nascido em São Joaquim da Barra, interior de São Paulo, em 2000, ele rapidamente se destacou como uma promessa do esporte ao dominar uma modalidade que exige resistência, técnica e velocidade. Desde cedo, seu talento chamou a atenção, e hoje, com pouco mais de duas décadas de vida, ele já coleciona títulos históricos, quebras de recordes e coloca o Brasil no topo do cenário global do atletismo.
A trajetória de Piu ganhou notoriedade internacional quando, ainda com 19 anos, conquistou o ouro nos 400 metros com barreiras nos Jogos Pan-Americanos de 2019, em Lima. Na ocasião, ele não apenas levou a medalha de ouro, mas também estabeleceu um novo recorde pessoal de 48,46 segundos, um feito que o projetou como uma das grandes promessas do esporte. Pouco depois, na Universíade de Verão daquele mesmo ano, reforçou sua ascensão ao faturar o título mundial universitário na mesma prova, consolidando-se como um atleta de elite.
Sua estreia em Mundiais ainda em 2019, no Catar, foi um marco. Piu chegou à final dos 400 metros com barreiras, algo que não acontecia com um brasileiro desde 1999, quando Eronilde Araújo alcançou a mesma fase. Embora tenha terminado em sétimo lugar, ele deixou claro que estava pronto para brigar entre os melhores do mundo, com um tempo de 48,28 segundos, a apenas 0,25 segundos do bronze. Esses resultados iniciais já demonstravam que um novo gigante do atletismo brasileiro estava surgindo, capaz de rivalizar com os melhores do planeta.
O ano de 2021 foi decisivo para a carreira de Piu. Em abril, ele quebrou o recorde brasileiro sub-23, mas foi em maio que sua carreira deu um salto histórico. Primeiro, ele derrubou o recorde sul-americano, que pertencia ao panamenho Bayano Al Kamani desde 2005, com a marca de 47,68 segundos. Poucos dias depois, em Doha, melhorou ainda mais sua própria marca, cravando 47,57 segundos. Esses tempos o colocaram entre os 22 melhores corredores da história da prova, um feito impressionante para um atleta tão jovem. Em julho, ele superou a si mesmo mais duas vezes, chegando a 47,38 segundos em Oslo e 47,34 segundos em Estocolmo, consolidando-se como um dos principais nomes da modalidade e abrindo caminho para as Olimpíadas de Tóquio.
A participação de Piu nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 foi um dos momentos mais memoráveis de sua carreira. Na final dos 400 metros com barreiras, ele não só conquistou a medalha de bronze, mas também quebrou seu próprio recorde sul-americano, registrando 46,72 segundos. A prova entrou para a história por ser a mais rápida de todos os tempos, com os três medalhistas olímpicos — incluindo o norueguês Karsten Warholm, que quebrou o recorde mundial, e o norte-americano Rai Benjamin — superando o antigo recorde de Kevin Young, que resistia desde 1992. Piu, aos 21 anos, tornou-se o terceiro homem mais rápido da história na prova, um feito que o colocou entre os grandes nomes do atletismo mundial.
Nos anos seguintes, Piu continuou a colecionar vitórias e recordes. Em 2022, sagrou-se campeão mundial em Eugene, nos Estados Unidos, com um tempo de 46,29 segundos, quebrando o recorde sul-americano e também o recorde do Campeonato Mundial. Esse ouro foi histórico: não apenas foi o primeiro título mundial masculino do Brasil em provas de pista, mas também o segundo ouro geral do país em Mundiais de atletismo, após a conquista de Fabiana Murer em 2011. A vitória foi ainda mais significativa por ter sido obtida em cima de Warholm e Benjamin, dois dos maiores nomes da modalidade, que até então dominavam as pistas.
A temporada de 2024 marcou um novo capítulo na carreira de Piu, com um início promissor. Ele venceu a etapa de Doha da Diamond League com 46,86 segundos e, em seguida, derrotou Warholm em casa, na Noruega, cravando 46,63 segundos nos Bislett Games. Esses resultados o colocaram novamente entre os favoritos para os Jogos Olímpicos de Paris, onde ele buscava repetir ou superar sua medalha de bronze de Tóquio. Apesar de enfrentar dificuldades nas eliminatórias, ele chegou à final e conquistou mais uma medalha de bronze, com o tempo de 47,26 segundos.
Após os Jogos de Paris, Piu não parou. Em setembro de 2024, ele sagrou-se campeão da Diamond League ao vencer a prova em Bruxelas, com a marca de 47,93 segundos. Esse título coroou uma temporada consistente, na qual ele manteve seu nível de elite, mesmo após anos de competições intensas. Para 2025, ele chegou ao Campeonato Mundial de Tóquio com o objetivo de defender seu título, mas enfrentou um percurso mais complicado. Nas eliminatórias e semifinais, seus tempos não foram tão expressivos, mas na final, com uma arrancada impressionante na reta final, ele recuperou-se de um quarto lugar para conquistar a medalha de prata, com 46,84 segundos.
O futuro de Piu promete continuar brilhante. Com apenas 25 anos em 2025, ele ainda tem muitos anos pela frente para buscar novos recordes e títulos. Sua capacidade de superação, aliada à sua técnica refinada e resistência física, o torna um forte candidato a dominar a prova dos 400 metros com barreiras nos próximos anos. Além disso, seu sucesso inspira uma nova geração de atletas brasileiros, mostrando que, mesmo em um esporte dominado por potências como os Estados Unidos e a Noruega, o Brasil pode figurar entre os melhores do mundo. Com cada prova, Piu não só representa seu país, mas também contribui para elevar o nível do atletismo global.