José Sarney de Araújo Costa, nascido José Ribamar Ferreira de Araújo Costa no dia 24 de abril de 1930 em Pinheiro, Maranhão, foi um político brasileiro de grande destaque na história política do país. Advogado e jornalista, Sarney ingressou cedo na cena política, inicialmente como deputado federal aos 15 anos, ocupando uma suplência após a eleição de 1954. Em 1965, foi escolhido governador do Maranhão pelo Partido Social Democrático (PSD), posteriormente se associando à União Democrata Nacional (UDN) e mais tarde à Aliança Renovadora Nacional (ARENA).
Sarney desempenhou um papel crucial durante o período da ditadura militar, quando assumiu a liderança do partido ARENA em 1979. Em 1984, ele se afastou desta formação e fundou a Frente Liberal junto com outros líderes políticos. No ano seguinte, foi escolhido vice-presidente na chapa presidencial de Tancredo Neves para as eleições de 1985, derrotando o candidato situacionista Paulo Maluf.
Tancredo Neves venceu a eleição contra Maluf, mas sua saúde se deteriorou rapidamente após a posse. Em um cenário de turbulência política, Sarney assumiu a presidência em 1985 e concluiu o mandato do então presidente, tornando-se formalmente o 31º presidente do Brasil.
Durante seu governo, Sarney enfrentou desafios significativos. Seguindo um cenário de forte inflação herdados do governo de João Figueiredo, implementou planos econômicos como o Cruzado e Cruzado II, que buscavam congelar preços para controlar a hiperinflação. Apesar dos esforços, esses planos não deram os resultados esperados. Em 1986, Sarney lançou outros projetos, incluindo o Plano Bresser e o Plano Verão, mas todos falharam na sua meta de estabilizar a economia.
Em nível político, Sarney presidiu a Assembleia Nacional Constituinte em 1987 que resultou no novo texto constitucional de 1988. Este marco legal redefiniu os fundamentos políticos do país, substituindo a Constituição militar de 1967.
Na área internacional, Sarney buscou aproximar o Brasil de países comunistas e assinou a Declaração do Iguaçu em 1985, iniciando um projeto para implementar o Mercado Comum do Sul. Também estabeleceu relações diplomáticas com Cuba, que haviam sido suspensas desde o início da ditadura militar.
Após seu mandato presidencial, Sarney se manteve politicamente ativo. Em 1990, foi eleito senador pelo estado do Amapá e assumiu a presidência do Senado Federal em três ocasiões. Ao longo de mais de seis décadas na vida pública, Sarney acumulou experiências variadas que permitiram uma abordagem multifacetada à política brasileira.
Sua gestão presidencial foi marcada por ambiguidades e controvérsias, especialmente no campo econômico. Acusações de corrupção envolvendo superfaturamento em concorrências públicas e favorecimento político nas concessões de emissoras de rádio e TV estremeceram sua popularidade.
Com a recessão econômica que se instalou ao final do seu mandato, Sarney deixou o cargo com uma taxa de reprovação elevada. No entanto, suas decisões e políticas tiveram profundas consequências na estrutura política e econômica do Brasil nos anos subsequentes.