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Brenner Souza da Silva

Futebolista brasileiro

7 min01/01/2024
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A história de Brenner Souza da Silva é, antes de ser sobre futebol, sobre persistência. É a história de um menino de Cuiabá que começou num pequeno estádio de bairro, virou goleador lendário nas categorias de base e precisou atravessar fases de rejeição e desânimo antes de finalmente confirmar o talento que sempre existiu.

Brenner nasceu em 16 de janeiro de 2000 em Cuiabá, capital do Mato Grosso. Com cinco anos, já chutava bola num pequeno estádio do bairro Residencial Coxipó, onde cresceu. Com oito, ingressou na Escolinha do Profeta, ainda em Cuiabá. Foi lá que um olheiro do São Paulo foi observar jovens atletas e se impressionou o suficiente para incluí-lo entre os escolhidos para testes no clube paulista. Brenner foi aprovado e, aos onze anos, deixou Cuiabá para viver dentro das estruturas do maior clube do Estado de São Paulo.

Nas categorias de base, a quantidade de gols que o jovem atacante marcava era de outro nível. Em 2015, ainda no sub-15, fez 23 gols em 30 jogos, já sendo artilheiro da Copa Nike com sete tentos. Em 2016, pelo sub-17, conquistou cinco títulos: Copa Ouro Sub-17, Taça BH Sub-17, Salvador Cup Sub-16, Aspire Tri-Series Sub-19 e o Campeonato Paulista Sub-17. Mas foi 2017 que gravou seu nome em definitivo na memória da torcida tricolor: 44 gols em 21 jogos, uma média de mais de dois por partida, com artilharia no Campeonato Paulista Sub-17 com 28 gols, na Taça BH com seis e na Copa Santiago com oito, além do prêmio de melhor jogador desta última competição.

Números desse calibre atraíram a atenção do técnico Rogério Ceni, que chamou Brenner para treinar com os profissionais. Após apenas dois treinos entre os adultos, o jovem foi escalado para a estreia: entrou em campo em 21 de junho de 2017, com dezessete anos, na derrota de 1 a 0 para o Athletico Paranaense, pelo Campeonato Brasileiro. O salto do sub-17 para o Brasileirão em questão de dias era um voto de confiança raramente concedido com tanta pressa.

Em dezembro do mesmo ano, fez seu primeiro gol como profissional no empate de 1 a 1 com o Bahia, na última rodada do Brasileirão. Em setembro, havia renovado contrato com multa rescisória de cem milhões de reais para clubes brasileiros e cinquenta milhões de euros para times do exterior, valores que expressavam a crença do São Paulo no potencial do atacante.

O ano de 2018 começou bem, com Brenner sendo titular absoluto sob o comando de Dorival Júnior, marcando dois gols. Mas a chegada do técnico uruguaio Diego Aguirre mudou tudo. Brenner perdeu espaço, jogou apenas duas vezes, chegou a chorar no banco ao ser substituído numa dessas partidas e viu a diretoria chegar a discutir sua descida para o sub-20, ideia que recusou por sentir que seria uma forma de desvalorização. Foi integrado temporariamente ao sub-23, onde marcou quatro gols em três jogos, mas o impasse na equipe principal persistia.

Em 2019, com poucas chances sob o técnico Cuca, foi emprestado ao Fluminense em maio. A passagem foi curta e discreta: apenas seis partidas pelo time carioca. Ao final do ano, recusou um convite para disputar a Copa São Paulo pelo time principal do São Paulo, convicto de que participar do torneio de base seria um retrocesso. Naquele período, Brenner chegou a cogitar seriamente abandonar o futebol.

A salvação veio com Fernando Diniz, que assumiu o São Paulo em 2020 e deu a Brenner uma nova oportunidade. O atacante aproveitou cada minuto em campo. Formou com Luciano uma das duplas de ataque mais prolíficas vividas pelo clube naquela década. Na temporada, Brenner fez 18 gols, superando sozinho o número total de gols de todos os atacantes do São Paulo em 2019, que havia sido de 31. Também foi um dos quatro artilheiros da Copa do Brasil com seis gols.

Com essa vitrine, o futebol internacional bateu à sua porta. Em 2021, transferiu-se para o FC Cincinnati, da MLS norte-americana. Pelo clube dos Estados Unidos, foi artilheiro da temporada com oito gols e integrou a lista 22 Under 22 da liga, que reúne os melhores jovens talentos da competição, na 14ª posição. Era o reconhecimento de que o menino que quase desistiu havia chegado a um patamar que a maioria dos jogadores de base jamais alcança.

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