biografias

William B. Davis

Ator canadiano

6 min01/01/2024
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William Bruce Davis nasceu em 13 de janeiro de 1938 em Toronto, no Canadá, filho de um advogado e de uma psicóloga, em um ambiente doméstico que favorecia tanto a disciplina intelectual quanto a sensibilidade artística. Ainda criança, em 1949, deu seus primeiros passos no mundo da atuação por meio de dramatizações no rádio e no teatro, uma iniciação precoce que seria decisiva para moldar uma carreira de décadas. Seus primos Murray e Donald Davis, proprietários da The Straw Hat Players no final dos anos 1940, costumavam ensaiar no porão da casa da família, e quando precisaram de um menino para um papel, deram a William sua primeira oportunidade profissional.

Ao longo da infância e da adolescência, Davis construiu uma carreira como ator mirim na rádio da Canadian Broadcasting Corporation, trabalho que durou até que sua voz mudou com a puberdade. Em 1955, ingressou na Universidade de Toronto para estudar filosofia, onde travou amizade com Donald Sutherland, que também perseguia uma carreira artística. Formou-se em 1959 com um bacharelado em filosofia, mas sua atenção estava cada vez mais voltada para a direção teatral.

Em 1960, Davis cruzou o Atlântico para se aperfeiçoar na London Academy of Music and Dramatic Art, uma das mais prestigiosas escolas de artes cênicas do mundo. Durante os cinco anos seguintes trabalhou no Reino Unido como diretor em teatros de repertório, chegando a ocupar o cargo de diretor artístico da Dundee Repertory Theatre. O ápice desse período britânico foi sua atuação como assistente de direção no Royal National Theatre, sob o comando do lendário Laurence Olivier, trabalhando ao lado de atores da envergadura de Albert Finney, Maggie Smith e Derek Jacobi.

De volta ao Canadá em 1965, Davis foi nomeado diretor artístico da Seção Inglesa de Atuação do National Theatre School of Canada, cargo que assumiu aos 28 anos. Em 1971, juntou-se ao recém-criado Departamento de Drama da Universidade Bishop, em Lennoxville, Quebec, onde fundou o Festival de Lennoxville, um festival de teatro profissional de verão que se tornaria uma referência regional. Quando a carreira de diretor exigiu que voltasse a atuar para entender melhor o processo criativo de seus alunos, Davis retomou a interpretação após quase duas décadas de afastamento.

A década de 1980 trouxe novas mudanças. Após uma passagem pela Vancouver Playhouse Acting School, Davis fundou sua própria escola de atuação em Vancouver, o William Davis Centre for Actors Study, que se tornaria o espaço de formação de várias futuras estrelas, entre elas Lucy Lawless. Os papéis em cinema e televisão foram se tornando mais frequentes, até que surgiu a oportunidade que transformaria sua imagem pública para sempre.

The X-Files estreou em 1993 e rapidamente se tornou um dos fenômenos televisivos mais importantes dos anos 1990. Davis interpretou o Homem Fumante, personagem misterioso e sombrio cuja identidade completa e motivações eram reveladas aos poucos ao longo das temporadas. Era um vilão sem rosto claro, um arquiteto de conspirações, a personificação de um poder oculto que manipulava eventos a partir das sombras. Durante nove anos, o personagem foi um dos mais discutidos e especulados da televisão norte-americana.

A ironia estava no contraste entre o personagem e o ator. Davis havia parado de fumar na década de 1970, muito antes de interpretar um personagem definido pelo cigarro. Quando The X-Files começou, ele teve de escolher entre cigarros de tabaco ou de erva para as cenas; optou inicialmente pelo tabaco, mas depois migrou para a erva por temer recair no vício. Utilizou sua notoriedade no programa para apoiar a Sociedade Canadense do Câncer e seus programas anti-tabagismo, transformando uma contradição aparente em uma plataforma de conscientização pública.

Além de ser ator, Davis era um cético declarado. Enquanto o programa explorava fenômenos paranormais e alienígenas, ele se envolvia com o movimento cético, dando palestras em universidades por toda a América do Norte. Em 2011, publicou suas memórias, intituladas Where There's Smoke: The Musings of a Cigarette Smoking Man, um título que brincava com a fusão entre o ator e o personagem. O livro revelou um homem de trajetória rica, profundamente intelectual, que construiu uma das carreiras mais diversificadas e imprevisíveis do teatro e da televisão canadenses e norte-americanos.

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