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The Times

Jornal Britânico fundado em 1785, de tiragem nacional e internacional

4 min01/01/2024
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O The Times é um dos jornais mais antigos e influentes do mundo, com uma história que remonta ao final do século XVIII e que atravessou revoluções tecnológicas, transformações políticas profundas e mudanças radicais nos hábitos de leitura da sociedade. Fundado em 1785 na cidade de Londres, sob o título original de The Daily Universal Register, o periódico passou por uma transformação de identidade logo em seguida, adotando o nome pelo qual seria universalmente reconhecido a partir de 1 de janeiro de 1788.

A origem do jornal está inserida em um período de efervescência intelectual e política na Grã-Bretanha. O final do século XVIII era uma época em que a imprensa escrita começava a consolidar seu papel como instrumento de formação da opinião pública, e Londres, então uma das maiores cidades do mundo ocidental, oferecia um ambiente fértil para publicações que ambicionavam alcançar leitores além das elites aristocráticas. O The Times nasceu nesse contexto, com a ambição de cobrir os assuntos do dia de maneira abrangente e confiável.

Ao longo do século XIX, o jornal firmou-se como referência incontornável do jornalismo britânico e europeu. Sua cobertura de eventos históricos cruciais, desde guerras napoleônicas até debates parlamentares, passando por crises diplomáticas e avanços científicos, conferiu-lhe uma autoridade que poucos veículos de informação conseguiram igualar. A reputação de seriedade editorial e rigor factual tornou-se a marca mais valiosa do periódico.

Uma das contribuições mais duradouras do The Times ao mundo além do jornalismo foi a criação de um tipo de letra que até hoje permanece onipresente. O Times Roman, desenvolvido por Stanley Morison em colaboração com a Monotype Corporation, surgiu das necessidades tipográficas internas do próprio jornal, que buscava uma fonte que combinasse legibilidade com economia de espaço em página impressa. O resultado foi uma das fontes mais utilizadas na história da tipografia ocidental, presente em documentos oficiais, livros, relatórios acadêmicos e publicações de todo tipo ao redor do globo. Em novembro de 2006, o jornal passou a adotar o Times New Roman em suas manchetes.

O nome The Times exerceu uma influência simbólica extraordinária sobre o jornalismo mundial. O periódico londrino foi o primeiro a adotar essa denominação, e a partir de então inúmeros jornais em todos os continentes se inspiraram nele, incorporando a palavra "Times" em seus títulos como sinal de credibilidade e seriedade. The Times of India, fundado em 1838, The New York Times, de 1851, The Straits Times de Singapura, de 1845, Los Angeles Times, de 1881, e dezenas de outros periódicos espalhados pela Ásia, África, Oceania e Américas carregam esse DNA nominal até hoje.

A relação do The Times com a política britânica sempre foi complexa e, por vezes, contraditória. Considerado por muito tempo um jornal de orientação moderada e com inclinações favoráveis ao Partido Conservador, o periódico surpreendeu parte de seu público ao apoiar o Partido Trabalhista nas eleições gerais de 2001 e 2005, demonstrando uma capacidade de reavaliação política que nem todos os jornais tradicionais conseguem manter.

A estrutura editorial do The Times sofreu uma transformação fundamental em 1981, quando o jornal passou a ser publicado pela Times Newspapers, subsidiária da News UK, pertencente ao grupo News Corp de Rupert Murdoch. A partir desse momento, o The Times e seu jornal irmão, o The Sunday Times, que havia sido fundado de forma independente em 1821, passaram a ter o mesmo dono, embora mantivessem equipes editoriais completamente separadas. A propriedade comum dos dois títulos remontava a 1967, mas foi a chegada de Murdoch que marcou uma nova era para o grupo.

O formato físico do jornal também passou por mudanças relevantes. Durante 219 anos, o The Times foi impresso no chamado formato standard, com páginas amplas que se tornaram símbolo do jornalismo sério e abrangente. Em 2004, porém, a publicação decidiu migrar para o formato compacto, menor e mais manuseável, numa decisão estratégica voltada a tornar o jornal mais acessível para jovens leitores e para os trabalhadores que utilizam o transporte público. O The Sunday Times manteve o formato tradicional.

O conteúdo do The Times sempre foi marcado por uma ampla variedade de suplementos e cadernos especiais. O times2, publicado com todas as edições exceto as de sábado, reúne colunas sobre comportamento, passatempos como sudoku e palavras cruzadas, além de espaços dedicados à vida cotidiana. Nos sábados, uma série de suplementos assume o espaço, incluindo o Books, dedicado à crítica literária, o The Times Magazine, com pautas sobre celebridades e comportamento, o The Knowledge, focado em entretenimento cultural, e o Money, voltado à economia doméstica.

A circulação do jornal, que chegou a cerca de 396 mil exemplares diários em janeiro de 2015, reflete a trajetória de adaptação de um veículo centenário a um ambiente midiático radicalmente transformado pela internet e pelas plataformas digitais. O The Times apostou cedo no modelo de paywall, exigindo assinatura para acesso ao conteúdo online, uma decisão que gerou debate mas que garantiu uma base de leitores pagantes em um momento em que muitos jornais buscavam modelos de sustentabilidade viáveis.

A disponibilidade de um arquivo histórico digitalizado completo fez do The Times uma fonte preciosa para historiadores, acadêmicos e pesquisadores em todo o mundo. A consulta a edições de séculos passados tornou-se possível de forma sistemática, revelando como o jornal cobriu eventos que hoje são considerados marcos da história moderna, desde revoluções políticas até descobertas científicas. Esse acervo transforma o periódico em um documento vivo da história britânica e mundial.

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