Pompeia era uma cidade romana vibrante, encravada na fértil planície da Campânia, a apenas 22 quilômetros de Nápoles, às sombras do monte Vesúvio. Fundada por volta dos séculos VI e VII antes da era cristã pelos oscos, um povo da Itália central, a cidade surgiu num ponto estratégico de cruzamento entre Cumas, Nola e Estábia. Antes mesmo dos oscos, gregos e fenícios já utilizavam aquele litoral como porto seguro, reconhecendo o valor natural do local.
Ao longo de seus primeiros séculos, Pompeia passou por mãos distintas. Os etruscos deixaram marcas em inscrições e numa necrópole do século VI antes da era cristã. Entre 525 e 474 antes da era cristã, a colônia grega de Cumas, aliada a Siracusa, tomou o controle da cidade. No século V, os sâmnios reconquistaram toda a região de Campânia e impuseram seu estilo arquitetônico, ampliando e remodelando o núcleo urbano. Com o fim das Guerras Samnitas, Pompeia foi forçada a aceitar o status de cidade aliada de Roma, mantendo ainda assim certa autonomia linguística e administrativa.
O general romano Lúcio Cornélio Sula cercou e submeteu a cidade em 89 antes da era cristã, e ela se rendeu definitivamente em 80, quando passou a ser chamada oficialmente de Colônia Cornélia Venéria dos Pompeianos. Veteranos de guerra de Sula receberam terras na região, e os opositores a Roma foram expulsos de seus lares. A partir daí, Pompeia cresceu como um importante corredor comercial entre o mar Tirreno e o interior da Itália, com produtos que seguiam pela vizinha Via Ápia. A produção de vinho, água e agricultura tornou-se pilar da economia local.
No século I da era cristã, a cidade tinha cerca de 20 mil habitantes e era um lugar cosmopolita e agitado. Um sofisticado aqueduto, construído em 20 antes da era cristã por Agripa como ramal do Água Augusta, abastecia cerca de 25 fontes espalhadas pelas ruas. O sistema de distribuição era controlado por um castelo d'água, o Castellum Aquae, cuja estrutura permaneceu bem preservada para os arqueólogos. Havia anfiteatro, palestra com piscina central, pelo menos quatro banhos públicos, um fórum ativo e dezenas de domus elegantes.
Os afrescos pompeianos representam um capítulo especial na história da arte do mundo antigo. As chamadas pinturas dos quatro estilos pompeianos evoluíram ao longo dos séculos, capturando desde imitações de mármores e perspectivas arquitetônicas até cenas mitológicas e paisagens naturalistas. Alguns aspectos da cultura local eram marcadamente eróticos, incluindo a veneração ao falo como símbolo de fertilidade e proteção. Uma vasta coleção de objetos e imagens com conotação sexual foi reunida, mas por ser considerada obscena, ficou trancada num gabinete secreto do Museu Arqueológico Nacional de Nápoles até 1967.
O grafite nas paredes revela um retrato íntimo e autêntico da cidade. Nas ruas, os muros exibiam declarações de amor, críticas políticas, anúncios de espetáculos de gladiadores e xingamentos cotidianos, tudo escrito no latim vulgar falado pelo povo, bem diferente da língua formal dos textos literários. No chão de uma casa comercial estava gravado "Salve, lucru", ou seja, "Bem-vindo, dinheiro". Jarras de vinho traziam um trocadilho com o nome do Vesúvio, combinando as palavras latinas para o vulcão e para a bebida.
Os moradores de Pompeia já conheciam a instabilidade geológica do solo. Em 62 da era cristã, um terremoto severo danificou parte da cidade, e muitas construções ainda estavam em restauração quando o destino finalmente se cumpriu. Em 79 da era cristã, uma série de tremores de pequena intensidade antecedeu a catástrofe. Os habitantes estavam acostumados com essas oscilações e não perceberam os sinais de alerta.
No dia 24 de agosto do ano 79, o Vesúvio entrou em erupção com uma violência devastadora. Uma coluna de cinzas, gases e fragmentos vulcânicos elevou-se por quilômetros na atmosfera antes de colapsar sobre a cidade numa chuva mortífera de pômice e piroclastos. O historiador Plínio, o Jovem, que testemunhou a erupção de longe, descreveu em detalhes o pânico e a escuridão que se abateram sobre a região. O soterramento foi rápido e completo: Pompeia desapareceu sob metros de cinzas e detritos vulcânicos em questão de horas.
Por quase 1.600 anos, a cidade permaneceu oculta, preservada inadvertidamente pela mesma catástrofe que a destruíra. Em 1748, trabalhadores realizando obras na região encontraram, por acaso, os primeiros vestígios da antiga Pompeia. As escavações sistemáticas que se seguiram revelaram um espetáculo arqueológico sem paralelo: ruas, casas, lojas, templos e até cardápios de tabernas estavam intactos, congelados no momento exato da erupção.
Um dos aspectos mais comoventes e perturbadores das escavações foi a descoberta dos moldes dos corpos das vítimas. As cinzas endurecidas formaram uma espécie de cápsula ao redor dos corpos, que apodreceram com o tempo, deixando vazios perfeitos na rocha. No século XIX, o arqueólogo Giuseppe Fiorelli teve a ideia de injetar gesso líquido nesses ocos, revelando as posições exatas em que as pessoas morreram: alguns em fuga, outros abraçados, outros simplesmente sentados, talvez sem entender o que estava acontecendo.
Hoje, Pompeia é Patrimônio Mundial da UNESCO, juntamente com Herculano e Torre Annunziata, e recebe cerca de 2,5 milhões de visitantes por ano, tornando-se uma das atrações turísticas mais populares da Itália. As escavações continuam revelando segredos: camadas mais profundas do solo apontam para eventos vulcânicos e sísmicos anteriores, com datação por radiocarbono indicando que a área já sofrera catástrofes naturais nos séculos VIII ao VI antes da era cristã. Pompeia não é apenas uma cidade soterrada; é um retrato vivo de Roma Antiga, capturado num instante único e irrepetível da história humana.