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Oceano Atlântico

Oceano do planeta Terra

7 min01/01/2024
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O Oceano Atlântico não é apenas o segundo maior oceano do planeta — é o palco sobre o qual boa parte da história moderna da humanidade foi escrita. Com uma área de aproximadamente 106,4 milhões de quilômetros quadrados, o Atlântico corresponde a cerca de um quinto da superfície total da Terra. É o oceano que separa dois mundos: a Europa e a África a leste, as Américas a oeste. Seu nome deriva de Atlas, o titã da mitologia grega condenado a sustentar o céu sobre os ombros, e a menção mais antiga ao nome do oceano é encontrada nas Histórias de Heródoto, por volta de 450 a.C.

Antes que os europeus mapeassem outros oceanos, o termo "oceano" era sinônimo das águas que circundavam a Europa Ocidental, tidas pelos gregos como um grande rio que cingiam toda a Terra. Na Idade Média, o Atlântico foi chamado de "Mar Ocidental" ou "Mar do Norte" — expressão que hoje designa apenas um de seus mares anexos. Foi o geógrafo Gerard Mercator quem restabeleceu o nome Atlântico ao incluí-lo em seu célebre mapa-múndi de 1569, a partir de quando a nomenclatura medieval foi gradualmente aposentada.

O Atlântico tem uma característica geométrica notável: sua linha costeira descreve um S alongado no sentido norte-sul. Ao norte, comunica-se com o Oceano Ártico pelo Estreito da Islândia; ao sudoeste, conecta-se com o Pacífico; ao sudeste, com o Índico; e ao sul, os limites com o Oceano Antártico são traçados por convenção geográfica. O equador divide o Atlântico nos hemisférios Norte e Sul, e ao longo de suas margens setentrionais se aglomeram mares secundários de grande importância histórica e econômica: o Mediterrâneo, o Mar do Norte, o Báltico e o Mar das Caraíbas.

Nenhum outro oceano banha tantos países. Pelas suas margens diretas ou pelos mares que o compõem, o Atlântico toca as costas do Canadá, dos Estados Unidos, do Brasil, do Uruguai, da Argentina, de todos os países da costa ocidental africana, das nações litorâneas da Europa Ocidental e báltica, e ainda — pelo Mediterrâneo — do sul europeu, do norte africano e do oeste asiático. Essa centralidade geopolítica explica por que o Atlântico foi durante séculos a principal via de circulação do poder mundial.

O fundo do Atlântico revela uma arquitetura impressionante. A plataforma continental é ampla ao largo das costas da Europa, da América do Norte e da porção meridional da América do Sul, mas se estreita nas costas da África e do Brasil. No centro do oceano corre a Dorsal Meso-Atlântica, uma cadeia de montanhas submarinas que se estende de norte a sul ao longo de toda a bacia oceânica. Essa crista é cortada em toda a sua extensão por uma grande fossa tectônica — o rift —, zona de intensa instabilidade geológica alimentada pela constante emissão de material ígneo do manto terrestre. Em vários pontos, a dorsal emerge acima do nível do mar, formando ilhas: Jan Mayen, Islândia, Açores, Ascensão, Tristão da Cunha. Nas latitudes equatoriais, falhas transversais determinam fossas abissais como a Fossa de Romanche, com cerca de 7.758 metros de profundidade. A fossa mais profunda do Atlântico, porém, está no Caribe, próxima a Porto Rico, com impressionantes 9.218 metros.

A origem da Dorsal Atlântica está diretamente ligada à tectônica de placas. As placas Sul-Americana e Africana se afastam entre si a uma velocidade de aproximadamente quatro centímetros por ano, impulsionadas pelas correntes de convecção do magma no manto. Esse movimento contínuo é o motor que cria o fundo oceânico e que está, lentamente, alargando o Atlântico. O processo remonta à fragmentação do supercontinente Pangeia, há mais de cem milhões de anos, quando o que seria o Atlântico era apenas uma fissura entre massas de terra unidas.

As águas do Atlântico são as mais salgadas entre todos os oceanos, com salinidade média de 37,5 partes por mil. Essa particularidade resulta da intensa evaporação nas baixas latitudes e da chegada de grandes volumes de sedimentos fluviais. Rios como o Amazonas, o Mississippi e o São Lourenço despejam enormes quantidades de água doce e sedimentos, formando cones aluvionais sobre a plataforma continental e contribuindo para a fertilidade das águas costeiras. O Atlântico abriga sistemas de correntes complexos: correntes frias, como a do Labrador no norte e a das Falkland no sul, descem pelas costas americanas, enquanto a Corrente de Benguela percorre a costa africana em direção ao equador. Em sentido oposto, correntes quentes como a do Brasil, a Equatorial e a poderosa Corrente do Golfo transportam águas tropicais em direção às latitudes temperadas, moderando os invernos do noroeste europeu de maneira decisiva.

Essa circulação das águas oxigena os oceanos e alimenta as cadeias alimentares marinhas, criando zonas pesqueiras de grande importância econômica — as costas do sul do Brasil, a plataforma norte-americana, os bancos pesqueiros da Europa do Norte. Mas é também pelo Atlântico que chegam os ciclones tropicais formados no Caribe, os furacões que devastam as ilhas e as costas continentais da América Central e do Norte toda temporada.

Ao longo da história, o Atlântico foi barreira e estrada. Barreira que isolou as Américas da Eurásia por milênios; estrada que, a partir do século XV, tornou possível o comércio triangular, a colonização, a escravidão, a migração em massa e as guerras que redesenharam o mapa do mundo. Hoje, cabos de fibra ótica no seu fundo transmitem a maior parte das comunicações digitais entre a Europa e as Américas, e suas rotas marítimas continuam sendo as mais movimentadas do planeta. O Atlântico foi e continua sendo o oceano do qual a modernidade nasceu.

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