biografias

Nicklas Bendtner

Futebolista dinamarquês

4 min01/01/2024
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O futebol europeu raramente produz figuras tão contraditórias quanto Nicklas Bendtner. Natural de Copenhague e nascido em 16 de janeiro de 1988, o centroavante dinamarquês possuía talento físico e técnico suficiente para construir uma carreira entre os maiores do mundo, mas um temperamento explosivo e uma vida fora dos gramados repleta de polêmicas fizeram com que sua trajetória ficasse marcada tanto pelo que realizou quanto pelo que deixou de realizar.

Os primeiros passos de Bendtner no futebol foram dados pelo Tårnby Boldklub, antes de sua contratação pelo KB ainda na adolescência. O centroavante mostrava uma combinação rara de estatura física imponente com agilidade e senso de gol, qualidades que chamaram a atenção do Arsenal no verão de 2004. Cruzar o Canal da Mancha com menos de 17 anos para se juntar a um dos clubes mais tradicionais da Premier League era um salto enorme, mas Bendtner parecia preparado para ele.

A estreia pelo time principal do Arsenal aconteceu em 25 de outubro de 2005, pela Copa da Liga Inglesa contra o Sunderland, onde Bendtner substituiu Quincy Owusu-Abeyie nos minutos finais. A caminho de se consolidar como jogador dos Gunners, o dinamarquês foi emprestado ao Birmingham City para a temporada 2006-07. No clube de Birmingham, Bendtner tornou-se titular absoluto e artilheiro do time na segunda divisão inglesa, contribuindo para o acesso do clube à Premier League. A temporada foi um sucesso inegável e reforçou a expectativa de que o centroavante tinha tudo para se firmar no Arsenal.

O retorno à equipe londrina, no entanto, não foi o que se esperava. Nas temporadas 2007-08 e 2008-09, Bendtner atuou frequentemente como substituto de jogadores como Emmanuel Adebayor e Robin van Persie, nomes que se consolidavam como titulares incontestáveis. A competição era dura e o espaço, limitado. Em 2009, o atacante optou por mudar seu número de camisa, deixando o 26 e passando a usar o 52 — seu número da sorte, segundo ele. A mudança gerou curiosidade e algum deboche, mas era indicativa de uma personalidade que nunca deixou de ser protagonista, mesmo quando o técnico não o escolhia como titular.

Em agosto de 2011, Bendtner foi emprestado ao Sunderland pela segunda vez em sua carreira. O retorno ao nordeste da Inglaterra foi mais um capítulo em uma história de oportunidades desperdiçadas dentro do Arsenal. Em 31 de agosto de 2012, foi cedido à Juventus, a equipe italiana que vivia um renascimento sob o comando de Antonio Conte. Na Velha Senhora, Bendtner disputou a Liga dos Campeões da UEFA, competição que o clube retomava após algumas temporadas de ausência, e ao final do ano conquistou o título da Serie A de 2012-13 — um troféu de peso inegável no currículo.

Mas a parceria com os Gunners chegava ao fim. Após apenas 14 jogos na temporada 2013-14, seu contrato não foi renovado, e Bendtner deixou o Arsenal em julho. O clube alemão Wolfsburg foi seu destino seguinte, com um contrato anunciado em 15 de agosto de 2014. No futebol alemão, o dinamarquês conquistou a Copa da Alemanha de 2014-15 e a Supercopa da Alemanha de 2015, acrescentando mais dois troféus a uma coleção que já incluía títulos relevantes. Em setembro de 2016, assinou com o Nottingham Forest por duas temporadas.

Fora dos gramados, Bendtner construiu uma reputação à parte — e nem sempre positiva. Em 18 de junho de 2012, durante a Eurocopa, marcou o segundo gol da Dinamarca na derrota por 3 a 2 para Portugal e celebrou exibindo a marca de um patrocinador na cueca. A UEFA aplicou uma multa de 100 mil euros, uma das mais altas já impostas por publicidade não autorizada em campo. Em março de 2013, foi pego dirigindo em estado de embriaguez e ficou suspenso pela Federação Dinamarquesa por seis meses. Em setembro de 2018, uma briga com um taxista resultou em prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica — episódio que o próprio jogador documentou em foto nas redes sociais.

Depois de uma passagem vitoriosa pelo Rosenborg da Noruega, onde conquistou dois títulos nacionais, duas Supertaças e uma Copa entre 2017 e 2018, além de ser artilheiro do campeonato norueguês em 2017, Bendtner encerrou a carreira com um balanço ambíguo. Em um documentário lançado em fevereiro de 2024, ele reconheceu com lucidez o peso que sua própria reputação exerceu sobre suas escolhas de carreira, afirmando que treinadores o admiravam, mas evitavam contratá-lo pelo histórico de polêmicas. O futebolista dinamarquês do ano de 2009, ganhador do Gol Dinamarquês do Ano na mesma temporada, ficou para a história como um talento imenso que nunca chegou onde poderia ter chegado.

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