Miguel, também conhecido como Micael ou Mīkhā'īl, é um arcanjo que desempenha papéis significativos nas doutrinas religiosas judaicas, cristãs e islâmicas. Na Bíblia Hebraica, Miguel é mencionado três vezes no Livro de Daniel, onde se referem a ele como "um dos primeiros príncipes" (Daniel 10:13–21) e como um "grande protetor que defende o povo de Deus". A ideia de Miguel como um defensor de Israel se tornou tão prevalente que, apesar da proibição rabínica contra apelar aos anjos como intermediários entre Deus e seu povo, ele acabou tomando um lugar importante na liturgia judaica.
Na Bíblia do Novo Testamento, Miguel é citado novamente em Apocalipse 12:7–9, onde lidera os exércitos de Deus contra as forças de Satã e seus anjos. Este texto descreve a guerra no Céu, com Miguel vencendo essa luta. Além disso, na Epístola de Judas (versículos 9), Miguel é chamado explicitamente de "arcanjo", referindo-se à frase "O Senhor te repreenda" quando Satanás discutiu sobre o corpo de Moisés.
As adorações a Arcanjo Miguel começaram no século IV, com santuários cristãos em sua honra surgindo. Ele foi visto como um anjo de cura e posteriormente como protetor e líder do exército divino contra as forças do mal. A devotamento a Miguel se espalhou tanto no Oriente quanto no Ocidente, com seu papel evoluindo ao longo dos séculos.
Miguel é conhecido pelo nome de origem hebraica "Mi-kha-‘el", que pode ser traduzido como "Quem como Deus?" ou "Aquele/Quem como Deus?". A palavra "mi" na frente do nome em hebraico sugere uma pergunta inquisitiva. Esta interpretação se espalhou além da comunidade judaica, sendo adotada por cristãos e muçulmanos também.
A palavra "arcângeu", que significa "líder dos mensageiros" ou "capitão dos anjos", foi formada a partir do grego "archángelo". O prefixo "arch" (ἀρχ) deriva de "arkhe", que pode significar "começo, princípio" e "suprema substância subjacente". A adição do sufixo "angelos" (άγγελος), que significa "mensageiro", define o papel central deste anjo.
Em Daniel 12:1, Miguel é descrito como uma figura crucial na defesa dos filhos do povo de Deus durante a época de tribulação. Esta visão reflete a importância dele em momentos cruciais da história religiosa judaica e cristã.
Ao longo das gerações, as perspectivas sobre Miguel evoluíram. Nos séculos medievais, ele se tornou uma figura central na luta contra o mal, com sua imagem sendo frequentemente adornada em pinturas e estátuas nas igrejas cristãs. A devoção a Miguel continua até hoje, refletindo sua importância duradoura em várias tradições religiosas.
Miguel é visto como um símbolo de humildade perante Deus, contrapondo-se ao caráter invejoso de Lúcifer. Sua figura transcende as religiões, representando uma força divina na luta contra o mal e defendendo os interesses do povo de Deus.