Maria Luísa da Bulgária nasceu em 13 de janeiro de 1933 em Sófia, filha primogênita do rei Bóris III da Bulgária e de sua consorte, a princesa Joana de Saboia. Cresceu cercada pelos rituais e protocolos da realeza balcânica, em um país que vivia sob a tensão crescente das pressões geopolíticas que marcariam o século XX. Seu pai, o czar Bóris III, tentou manter a Bulgária em uma posição de equilíbrio durante a Segunda Guerra Mundial, mas o país acabou sendo arrastado para a órbita do Eixo. Seu irmão mais novo, que viria a ser conhecido como Simeão II, nasceu em 1937.
A morte do rei Bóris III em 1943, em circunstâncias ainda hoje envoltas em mistério, deixou a família real em posição vulnerável. A jovem Maria Luísa, então com apenas dez anos, viu seu irmão assumir o trono como Simeão II sob a regência de um conselho que logo seria dominado pelas forças comunistas que se instalaram no poder com o avanço soviético. A monarquia búlgara, enfraquecida politicamente, sobrevivia apenas como símbolo.
Em 15 de setembro de 1946, a monarquia foi abolida por meio de referendo. No dia seguinte, a princesa Maria Luísa, sua mãe e seu irmão Simeão partiram para o exílio, deixando para trás o país onde haviam nascido. O primeiro destino foi o Egito, onde a família encontrou abrigo temporário em meio à turbulência política do pós-guerra. Posteriormente, estabeleceram-se na Espanha, país que sob Francisco Franco mantinha uma postura relativamente receptiva às famílias reais europeias exiladas.
Na Espanha, Maria Luísa cresceu em um ambiente de aristocracia exilada, rodeada de outras famílias reais que haviam perdido seus tronos às turbulências da guerra e das revoluções. Foi nesse contexto que organizou sua vida adulta, preservando os títulos e a identidade dinástica mesmo sem o suporte de um Estado. Em 14 de janeiro de 1957, em cerimônia civil em Amorbach, e depois em cerimônia religiosa em 20 de fevereiro do mesmo ano em Cannes, casou-se com o príncipe Carlos Vladimiro de Leiningen, nascido em 1928, filho da Grã-Duquesa Maria Kirillovna da Rússia. O casamento lhe conferiu o título de princesa de Leiningen.
Da união com Carlos Vladimiro nasceram dois filhos: o príncipe Carlos Boris Francisco Markwart de Leiningen, nascido em 1960, e o príncipe Hermann Frederico de Leiningen, nascido em 1963. O casamento, porém, não resistiu ao tempo, e o casal se separou em 1968, encerrando a fase de Maria Luísa como princesa de Leiningen.
Em 16 de novembro de 1969, em Toronto, no Canadá, a princesa contraiu novo matrimônio com o cidadão polonês Bronisław Tomasz Andrzej Chrobok, nascido em 1933. Desse segundo casamento nasceram outros dois filhos: a princesa Alexandra-Nadejda, nascida em 1970, que se casaria em 2001 no Estoril, em Portugal, com Jorge Champalimaud Raposo de Magalhães, e o príncipe Pawel Chrobok de Koháry, nascido em 1972. Em 2012, seu irmão Simeão cedeu-lhe o título de princesa de Koháry, estendendo-o a ela e aos descendentes de seu segundo casamento, mantendo assim viva a continuidade dinástica da família real búlgara no exílio.
A vida de Maria Luísa não se limitou ao papel protocolar de uma princesa em exílio. Ela construiu uma trajetória profissional significativa no campo da educação, tornando-se membro do conselho diretivo da Universidade Americana da Bulgária. Em 13 de maio de 2012, recebeu o doutoramento honorário em Letras Humanas dessa instituição, reconhecimento de seu engajamento com o desenvolvimento acadêmico e cultural de seu país de origem, que finalmente reconquistou a democracia após décadas de regime comunista.
A trajetória de Maria Luísa da Bulgária é o retrato de uma mulher que viveu a experiência do exílio com dignidade, construindo uma vida plena em terra estrangeira enquanto mantinha os laços com uma herança dinástica que o século XX tentou apagar. Sua história entrelaça a grande política europeia com as escolhas pessoais de uma mulher que soube adaptar-se sem perder a identidade, legando a seus filhos e netos uma linhagem que atravessou guerras, revoluções e décadas de diáspora.
