brasil

Marcelo Grohe

Futebolista brasileiro

8 min01/01/2024
Anúncio

Marcelo Grohe nasceu em Campo Bom, no Rio Grande do Sul, em 13 de janeiro de 1987, filho de uma família de descendência alemã típica da região serrana gaúcha. Desde criança, o futebol foi a paixão que o guiou, e aos doze anos ele deu o passo que mudaria sua vida: ingressou nas categorias de base do Grêmio, o clube tricolor de Porto Alegre que viria a ser sua casa por quatorze longas temporadas, construindo ali uma das carreiras mais longas e vitoriosas que a história do goleiro no Brasil tem registro.

Os primeiros anos de Grohe no clube foram de aprendizado e paciência. Quando iniciou sua carreira profissional em 2005, era o terceiro goleiro do elenco, atrás de Eduardo e Galatto. Essa posição exige de qualquer atleta um tipo especial de determinação: treinar com afinco sem a certeza de jogar, estar sempre pronto para uma oportunidade que pode demorar ou nunca chegar. No entanto, já em 2006 a situação começou a mudar. Com Galatto como titular único, a lesão do companheiro abriu espaço para Grohe, que não deixou passar a chance. Assumiu a titularidade e foi o guardião na final do Campeonato Gaúcho de 2006, enfrentando o Internacional, o maior clássico do futebol gaúcho.

A chegada do argentino Sebastián Saja em janeiro de 2007 recuou Grohe ao banco de reservas, mas ele continuou como opção imediata. Toda vez que Saja era suspenso ou se lesionava, o jovem gaúcho assumia. Foi assim que, no final daquele ano, Grohe voltou a ser titular após uma lesão muscular do argentino. A temporada de 2008 parecia prometer a consolidação definitiva, já que as saídas de Saja e Galatto deixaram aparentemente o caminho livre. Mas o Grêmio contratou Victor, goleiro que se tornaria titular absoluto e futuro protagonista de outros grandes clubes brasileiros, empurrando Grohe novamente para a reserva.

O ano de 2012 marcou a virada definitiva. Com a saída de Victor em 29 de junho para o Atlético Mineiro, Grohe assumiu a posição que nunca mais cederia por anos. Sua reestreia como titular foi exatamente contra o Atlético Mineiro, no dia 1 de julho, uma coincidência simbólica que o futebol às vezes constrói. Naquele mesmo ano, completou cem jogos pelo Grêmio, marco que celebrou com uma vitória por 1 a 0 sobre o Coritiba pela Copa Sul-Americana. A regularidade e as grandes defesas ao longo do Brasileirão de 2012 lhe valeram destaque nas seleções das rodadas.

Em 2013, o Grêmio trouxe Dida como reforço para a Libertadores da América, o lendário goleiro que havia sido titular da Seleção Brasileira por anos. A contratação parecia ameaçar o espaço de Grohe, mas o destino reservou uma reviravolta. Na primeira partida continental diante da LDU, no Equador, Dida se machucou ao se chocar com um adversário e precisou ser substituído. Grohe entrou, e o Grêmio terminou a partida perdendo por 1 a 0. O jogo de volta em Porto Alegre foi tenso: o tricolor precisava ao menos empatar para avançar, e assim foi. Com gol do meia Elano, o placar ficou em 1 a 0 também. Na decisão por pênaltis, Grohe defendeu a cobrança do zagueiro Morante e garantiu a classificação, construindo em campo uma das cenas mais marcantes de sua carreira naquele momento.

A temporada de 2014 foi a consagração plena. Grohe atingiu a marca de 803 minutos sem sofrer gols no Brasileirão, tornando-se o quinto goleiro com a maior série invicta de toda a história da competição. Em confronto contra o Fluminense naquele ano, realizou uma defesa que passou a ser comparada ao famoso lance de Gordon Banks contra Pelé na Copa do Mundo de 1970: diante de uma cabeçada à queima-roupa do centroavante Fred, Grohe se atirou e desviou a bola com o pulso direito, impedindo o gol em um reflexo sobrenatural. A temporada foi coroada com a Bola de Prata como melhor goleiro do Campeonato Brasileiro.

Em 2015, completou duzentas partidas pelo Grêmio numa partida contra o Avenida pelo Campeonato Gaúcho, e voltou a ser premiado com a Bola de Prata ao final do Brasileirão. Em 2016, renovou seu contrato até dezembro de 2020. Mas foi em 2017 que ocorreu o momento que transcenderia qualquer prêmio: na partida de ida da semifinal da Copa Libertadores contra o Barcelona de Guayaquil, Grohe executou uma defesa que o programa Bem, Amigos!, do SporTV, elegeu como a Melhor Defesa do Século XXI. O lendário goleiro inglês Gordon Banks, ao ver o lance, classificou-o como incrível. Grohe havia conquistado 870 minutos sem sofrer gols em 2018, o maior período sem gols da história do clube, além do recorde de 803 minutos em 2014.

Marcelo Grohe deixou o Grêmio após quatorze temporadas como um dos maiores ídolos da história do clube, ao lado de nomes como Danrlei, Mazarópi e Eurico Lara. Seguiu sua carreira no exterior, defendendo o Al-Shabab. Mais do que os títulos e os recordes, o legado de Grohe é o de um profissional que transformou paciência em consistência, e consistência em grandeza, tornando-se referência para qualquer goleiro que sonhe em defender as cores de um grande clube brasileiro por uma geração inteira.

Anúncio
Anúncio

Coming soon to the World in Stories app

Audio, offline download, no ads and more.

Learn about Premium

Related Stories