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Louis François de Boufflers

Militar francês

4 min01/01/2024
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Louis François de Boufflers nasceu em 10 de janeiro de 1644 em Crillon, na França, e ingressou no exército francês em 1662, num momento em que o reino de Luís XIV consolidava sua posição como a maior potência militar e cultural da Europa. A carreira militar que se abria diante do jovem Boufflers seria longa, marcada por campanhas em múltiplos teatros de guerra e por uma especialização crescente nas complexas operações de sítio e defesa de praças fortes que dominavam a arte da guerra no século dezessete. Num período em que o engenheiro militar Vauban transformava a arquitetura defensiva em ciência, Boufflers se revelaria um dos discípulos mais hábeis dessa escola.

Sua iniciação em combate aconteceu na Guerra Franco-Holandesa, que durou de 1672 a 1678. Nesse conflito, Luís XIV tentou esmagar as Províncias Unidas dos Países Baixos numa combinação de poder militar, diplomacia e pressão econômica, e os exércitos franceses cruzaram o Reno numa ofensiva que inicialmente pareceu avassaladora. Boufflers participou das operações desse período, acumulando experiência nas peculiaridades do combate numa região de canais, polders e cidades fortificadas onde a logística e a paciência eram tão decisivas quanto a bravura. Essa formação o prepararia para os conflitos mais exigentes que viriam a seguir.

A Guerra da Grande Aliança, travada de 1688 a 1697, foi o grande laboratório da carreira de Boufflers. Essa coalizão reuniu a maior parte da Europa contra a França, num esforço coletivo para conter as ambições expansionistas de Luís XIV. Foi nesse contexto que Boufflers demonstrou a capacidade defensiva que se tornaria sua especialidade. Em 1693, foi promovido ao posto de marechal da França, o mais alto grau militar do reino, reconhecimento de uma carreira que havia transcendido a bravura individual para alcançar a competência estratégica. Naquele mesmo período, sua habilidade nas guerras de sítio ficou evidente na defesa de Namur contra as forças holandesas. A praça resistiu por três meses ao cerco de um inimigo numeroso e determinado, e embora eventualmente tenha sido forçada a capitular, a duração e a organização da resistência demonstraram que Boufflers sabia extrair o máximo de cada posição defensiva.

O último capítulo de sua carreira, contudo, seria o mais dramático e o que consolidaria definitivamente sua memória histórica. A Guerra de Sucessão Espanhola, que eclodiu em 1701 após a morte do rei Carlos II da Espanha sem herdeiros diretos, envolveu novamente a maior parte da Europa numa coalizão contra a França, desta vez aliada à Espanha Bourbon. Os adversários principais eram Eugênio de Saboia, o brilhante general austríaco, e John Churchill, primeiro Duque de Marlborough, o comandante britânico que seria considerado um dos maiores estrategistas militares da história.

Em 1708, Boufflers foi encarregado da defesa de Lille, uma das praças fortes mais importantes do norte da França. A situação era extremamente adversa: os aliados dispunham de um exército de cem mil homens comandado conjuntamente por Eugênio de Savoia e Marlborough, uma força impressionante para o padrão da época, muito superior em número aos defensores. O sítio durou três meses, durante os quais Boufflers organizou a resistência com uma energia e inventividade que impressionaram até os sitiantes. Quando a situação tornou-se insustentável e a capitulação inevitável, ele negociou a rendição em termos que preservavam a honra dos defensores, saindo da praça com todas as honras militares e frustrando efetivamente os planos estratégicos aliados para aquele ano de campanha. Uma derrota honrosa pode, em certas circunstâncias, ter o valor prático de uma vitória.

No ano seguinte, em 1709, Boufflers protagonizou um momento ainda mais dramático e igualmente revelador de seu caráter. Na Batalha de Malplaquet, que seria um dos confrontos mais sangrentos de toda a Guerra de Sucessão Espanhola, o Duque de Villars, comandante das forças francesas, foi gravemente ferido durante o combate. Num momento em que a perda do comandante poderia ter precipitado a desintegração total do exército, Boufflers assumiu espontaneamente o comando das forças e conduziu uma retirada ordenada para uma nova posição defensiva, impedindo que os aliados transformassem a vitória tática que haviam obtido numa destruição completa do exército francês. A habilidade com que executou essa retirada foi reconhecida por contemporâneos e historiadores como uma demonstração exemplar de controle e liderança em circunstâncias extremamente adversas.

Louis François de Boufflers morreu em 22 de agosto de 1711 em Fontainebleau, encerrando uma carreira militar de quase cinquenta anos que havia percorrido as principais guerras do reinado de Luís XIV. Sua especialização na guerra de posição, a paciência com que conduzia defesas prolongadas e a dignidade com que aceitava as capitulações inevitáveis tornaram-no uma figura emblemática da arte militar francesa do Grand Siècle. Num século em que Vauban elevou a engenharia militar a uma forma de ciência, Boufflers foi o comandante que soube habitar as praças que aquela ciência havia construído e extrair delas, até o limite do possível, o valor que mereciam.

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