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Império Britânico

Estados e domínios governados pelo Reino Unido

7 min01/01/2024
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No final do século XVI, quando Portugal e Espanha já haviam construído vastos impérios ultramarinos, a Inglaterra dava seus primeiros e vacilantes passos rumo à expansão colonial. Sir Francis Drake circumnavegou o globo entre 1577 e 1580; Sir Humphrey Gilbert reivindicou a Terra Nova em 1583; Sir Walter Raleigh tentou estabelecer uma colônia na Virgínia em 1587. Todas essas tentativas iniciais fracassaram ou tiveram curta duração, sufocadas pela falta de recursos, conflitos com populações locais e a rivalidade com a poderosa Espanha. A fundação efetiva do Império Britânico só viria no século seguinte.

A colônia de Jamestown, estabelecida na Virgínia em 1607, foi o ponto de partida real. Nas décadas seguintes, colonos ingleses instalaram-se ao longo da costa leste da América do Norte, criando a Nova Inglaterra, Maryland, Carolina e outras províncias. Ao mesmo tempo, a Companhia das Índias Orientais, fundada em 1600, estabelecia entrepostos comerciais na Índia e no Extremo Oriente. No Caribe, ilhas como Barbados, Jamaica e Antígua tornaram-se colônias produtoras de açúcar que gerariam riqueza imensurável — mas à custa do tráfico e da escravidão de africanos em escala industrial. Em 1670, a Inglaterra tinha um império coerente, ainda que disperso, dos trópicos americanos ao subcontinente asiático.

As guerras com a Holanda e a França nos séculos XVII e XVIII determinaram quem herdaria a supremacia colonial europeia. A Inglaterra foi construindo sua liderança naval e comercial, derrotando os holandeses numa série de conflitos que lhe garantiram o controle das rotas atlânticas, e depois travando as longas guerras com a França que culminaram na Guerra dos Sete Anos (1756–1763), o primeiro conflito verdadeiramente global. A vitória britânica foi esmagadora: a França foi expulsa do Canadá e da Índia, e a supremacia colonial britânica tornara-se inquestionável.

O maior revés do primeiro período imperial veio de dentro: em 1776, as Treze Colônias da América do Norte declararam independência após anos de conflito com a metrópole sobre taxação e representação política. A derrota britânica na Guerra da Independência Americana, reconhecida no Tratado de Paris de 1783, privou a Grã-Bretanha de suas colônias mais antigas e populosas. A resposta foi orientar a expansão para outras direções: o capitão James Cook já havia explorado a Austrália e a Nova Zelândia, e em 1788 começou a deportação dos primeiros prisioneiros britânicos para a Austrália, iniciando a colonização daquele continente.

A derrota de Napoleão em 1815 inaugurou o que historiadores chamam de "século imperial britânico". Sem rival naval ou colonial à altura, a Grã-Bretanha adotou uma política de livre-comércio global sustentada pelo poder da sua marinha — a Pax Britannica. Enquanto a Revolução Industrial transformava o país na maior potência econômica e manufatureira do mundo, o Império crescia sistematicamente: a Índia foi gradualmente incorporada sob controle direto da Coroa após a Revolta dos Cipaios de 1857 e a dissolução da Companhia das Índias Orientais; a África foi partilhada com outras potências europeias na Conferência de Berlim de 1884–1885; territórios na Ásia, no Pacífico e no Caribe foram absorvidos um a um.

No apogeu, atingido por volta de 1920, o Império Britânico dominava cerca de 458 milhões de pessoas — um quarto da população mundial — e se estendia por mais de 35 milhões de quilômetros quadrados, quase 24% da superfície terrestre. Era literalmente verdade que o sol nunca se punha no Império Britânico: quando anoitecia na Austrália, amanhecia no Canadá; quando escurecia na África, havia luz no subcontinente indiano. A frase tornou-se o símbolo de uma hegemonia sem precedentes na história.

Esse domínio, porém, repousava sobre estruturas que a violência sustentava. A escravidão, que enriqueceu o Império por séculos, foi abolida apenas em 1833. Os povos colonizados na Índia, na África, na Austrália e em dezenas de outras regiões sofreram expropriações de terra, supressão cultural, trabalho forçado e violência sistemática. Famines provocadas por políticas econômicas britânicas mataram milhões de indianos no século XIX. A Rebelião dos Boxer na China, o massacre de Amritsar em 1919 na Índia, as guerras dos Bôeres na África do Sul — a história imperial britânica é inseparável de episódios de brutalidade que seus contemporâneos frequentemente celebravam como "civilização".

A Primeira Guerra Mundial foi o começo do fim. O esforço financeiro foi devastador, e embora o Império ainda crescesse territorialmente após 1918, com a incorporação de mandatos alemães e otomanos, o poder econômico relativo da Grã-Bretanha estava em declínio irreversível frente aos Estados Unidos e à Alemanha. A Segunda Guerra Mundial acelerou o processo: a ocupação japonesa das colônias britânicas no Sudeste Asiático destruiu o mito da invencibilidade imperial, e a Índia conquistou sua independência em 1947. Nas duas décadas seguintes, o processo de descolonização se acelerou em toda a África e na Ásia. A devolução de Hong Kong à China em 1997 foi o símbolo mais visível do encerramento definitivo do Império.

O legado imperial britânico é onipresente e contestado. O inglês tornou-se a língua franca global; o direito e as instituições parlamentares britânicas moldaram dezenas de países; a Comunidade das Nações agrupa 53 Estados que partilham uma história comum. Mas esse mesmo legado inclui fronteiras artificiais que geraram conflitos persistentes, extermínios de populações indígenas, exploração econômica que contribuiu para desigualdades que persistem até hoje, e um racismo institucionalizado que demorou décadas a ser reconhecido. O Império Britânico foi o maior da história — e uma das mais complexas heranças que o século XX precisou enfrentar.

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