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Ian Holm

Ator britânico, conhecido por interpretar Bilbo Bolseiro em O Senhor dos Anéis

4 min01/01/2024
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Ian Holm Cuthbert, um dos atores britânicos mais respeitados do século XX, deixou uma marca profunda no teatro, na televisão e no cinema ao longo de mais de seis décadas de carreira. Nascido em Goodmayes, no condado de Essex, na Grande Londres, em 12 de setembro de 1931, e filho de um enfermeiro e de um psiquiatra de origem escocesa, Holm construiu uma reputação sólida como intérprete de personagens complexos antes de se tornar mundialmente conhecido pelas grandes produções de Hollywood.

Sua formação artística se deu no teatro britânico, e foi no palco que ele firmou suas primeiras credenciais como performer de exceção. Holm tornou-se uma estrela consagrada da Royal Shakespeare Company, onde desenvolveu a técnica e a sensibilidade que o acompanhariam por toda a vida. Em 1965, chamou atenção nacional ao interpretar Ricardo III na serialização da peça Wars of the Roses pela BBC, produção baseada no trabalho da RSC. Ao longo da segunda metade dos anos 1960 e início dos anos 1970, foi acumulando papéis menores em filmes como Oh! What a Lovely War (1969), Nicholas and Alexandra (1971), Mary, Queen of Scots (1971) e Young Winston (1972).

O reconhecimento teatral de mais alto nível veio em 1967, quando Holm ganhou o Tony Award de melhor ator coadjuvante em uma peça por sua interpretação de Lenny em The Homecoming, texto do dramaturgo Harold Pinter. O prêmio foi um marco em sua trajetória, atestando a qualidade de um trabalho que até então era admirado principalmente nos círculos especializados do teatro britânico.

A transição definitiva para o cinema de grande impacto veio com o papel do androide traiçoeiro Ash no filme de terror e ficção científica Alien, dirigido por Ridley Scott e lançado em 1979. A performance de Holm naquele filme, que se tornaria um clássico absoluto do cinema, foi elogiada pela capacidade de criar uma criatura mecânica dotada de frieza perturbadora. Dois anos depois, em 1981, seu papel no drama histórico Chariots of Fire lhe rendeu não apenas um prêmio especial no Festival de Cannes, mas também uma indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante e um BAFTA de melhor ator coadjuvante, seu primeiro prêmio da academia britânica de artes cinematográficas.

Os anos 1980 foram especialmente férteis em papéis memoráveis. Esteve em Time Bandits (1981), a fantasia surreal de Terry Gilliam, em Greystoke — A Lenda de Tarzan (1984), onde interpretou o Capitão Philippe D'Arnot, e no cult Brazil (1985), também de Gilliam. Neste período demonstrou uma capacidade notável de transitar entre gêneros e registros completamente distintos, algo que poucos atores conseguem com a mesma naturalidade. Em 1985 interpretou ainda Lewis Carroll, o autor de Alice no País das Maravilhas, na fantasia televisiva Dreamchild, dirigida por Gavin Millar com roteiro de Dennis Potter.

Em 1989 veio uma indicação ao BAFTA pela série de televisão Game, Set, and Match, baseada nas novelas de espionagem de Len Deighton, na qual interpretou um agente de inteligência que descobre que sua própria esposa é uma espiã inimiga. Continuou ativo no universo shakespeariano, aparecendo com Kenneth Branagh no filme Henry V (1989) e como Polônio na adaptação de Hamlet dirigida por Mel Gibson em 1990.

O ano de 1997 marcou uma nova fase de visibilidade para Holm. Interpretou o padre Vito Cornelius, um personagem estressado mas gentil e fundamentalmente humano, no estrondoso sucesso de ficção científica O Quinto Elemento. No mesmo ano esteve em The Sweet Hereafter, drama intimista do canadense Atom Egoyan, que lhe valeu elogios da crítica mundial. Em 2001 viveu o físico sir William Withey Gull no noir vitoriano From Hell, estrelado por Johnny Depp.

Mas foi também em 2001 que Holm entrou para a memória permanente da cultura popular ao interpretar o hobbit Bilbo Bolseiro na adaptação de Peter Jackson para O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel. Curiosamente, Holm já havia atuado como o sobrinho de Bilbo, Frodo Bolseiro, na adaptação radiofônica da BBC de O Senhor dos Anéis em 1981, numa espécie de inversão geracional. Ao longo da trilogia e posteriormente no filme O Hobbit, ele emprestou ao personagem uma combinação de ternura e melancolia que conquistou públicos de todas as idades. Com os demais integrantes do elenco, dividiu o prêmio SAG de melhor performance de um elenco por cada um dos filmes.

Holm foi casado quatro vezes. A terceira esposa foi a reconhecida atriz Penelope Wilton, com quem se casou em 1991 e ao lado de quem trabalhou no filme inglês para a televisão The Borrowers, de 1993. O casal se separou em 2001. Holm teve cinco filhos com as três primeiras esposas. Em 2001, tratou-se de um câncer de próstata. Recebeu o título de Comandante da Ordem do Império Britânico em 1990 e foi elevado a cavaleiro em 1998, em reconhecimento aos seus serviços ao teatro britânico.

Ian Holm morreu em Londres em 19 de junho de 2020, aos oitenta e oito anos, em decorrência da doença de Parkinson. Sua morte representou o encerramento de uma carreira extraordinária que abarcou todos os formatos e gêneros possíveis, do Shakespeare clássico à ficção científica de grande orçamento, deixando para trás um acervo de performances que continuará a ser apreciado por gerações futuras de cinéfilos e amantes do teatro.

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