A história do futebol brasileiro é repleta de jovens que despontam nas categorias de base e carregam o peso de expectativas enormes antes mesmo de completar dezoito anos. Gabriel Morais Silva Bontempo é um desses nomes que o Santos passou a tratar com cuidado e esperança desde cedo, e que deu seus primeiros passos concretos no futebol profissional com uma história que já acumula capítulos promissores.
Gabriel nasceu em Uberaba no dia 16 de janeiro de 2005 e deu os primeiros chutes numa bola nas escolinhas de sua cidade natal. O talento foi notado suficientemente cedo para que, aos dez anos, em 2015, fosse recrutado pela base do Santos, clube paulista com uma das histórias mais ricas do futebol nacional e internacional. Lá, sob o sol da Baixada Santista e dentro de uma tradição de revelações que incluiu nomes como Pelé, Robinho e Neymar, o jovem meia-atacante começou a lapidar suas qualidades.
As categorias de base do Peixe foram o cenário de conquistas que sinalizavam um potencial acima da média. Quando integrava o time sub-12, Gabriel fez parte de um grupo que disputou e venceu um torneio internacional na Coreia do Sul, experiência que além do troféu proporcionou ao jovem atleta o contato com o futebol em nível internacional numa idade em que a maioria dos meninos ainda está descobrindo o jogo. Na sequência, o título na Copa Ouro na categoria sub-13 reforçou a trajetória vitoriosa na base santista.
O interesse de clubes europeus no meia-atacante chegou enquanto ele ainda era menor de idade, um indicativo da reputação que havia construído dentro e fora do Brasil. Esse assédio externo não impediu que o Santos avançasse na formalização do vínculo: em 8 de julho de 2022, Gabriel assinou seu primeiro contrato profissional com o clube. A multa rescisória estipulada no documento era de cem milhões de euros, equivalente a aproximadamente quinhentos e cinquenta milhões de reais na cotação da época, um valor que expressava com clareza a avaliação que o clube fazia do potencial do atleta.
Na categoria sub-17, Gabriel mostrou consistência ofensiva ao marcar seis gols no Campeonato Brasileiro da categoria, e ao longo de 2023 percorreu as divisões sub-20 e sub-23 com regularidade. Em quarenta e quatro partidas nessas categorias, contribuiu com seis gols e três assistências, números que revelavam um jogador capaz de participar ativamente do jogo tanto na finalização quanto na criação.
Em 2024, o Santos vivia o drama do rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro, uma queda que sacudiu o clube e colocou em xeque seus projetos de todas as naturezas. Gabriel foi relacionado para alguns jogos na segunda divisão naquele ano, mas não chegou a entrar em campo. Em outubro, mesmo no contexto adverso da Série B, o clube optou por renovar o vínculo com o jovem até o fim de 2026, sinal de que a aposta no jogador não havia sido abanada pelos ventos difíceis que o clube enfrentava.
A estreia profissional veio em 25 de janeiro de 2025, numa derrota por 2 a 1 diante do Velo Clube pelo Campeonato Paulista. Debutar numa derrota raramente é o cenário ideal, mas o que veio logo depois apagou qualquer sabor amargo daquela primeira aparição. Em 1º de fevereiro, no clássico contra o São Paulo, Gabriel protagonizou um momento que entrou para a história do clube: deu o passe para Guilherme marcar o gol de número 13.000 na história do Santos e ainda balançou as redes aos 25 minutos do segundo tempo, com assistência de Yeferson Soteldo.
O desempenho naquele jogo acelerou as negociações por uma nova renovação. Em 4 de fevereiro de 2025, apenas três dias após a partida contra o São Paulo, o Santos antecipou um novo contrato com Gabriel, desta vez estendendo o vínculo até o final de 2027. Para um jogador de vinte anos que havia acabado de marcar seu primeiro gol como profissional em uma partida de alta visibilidade, a sequência de acontecimentos era o tipo de impulso que pode definir carreiras.
O caminho de Gabriel Bontempo ilustra tanto as promessas quanto os desafios que cercam jovens talentos no futebol brasileiro. Formado numa das maiores vitrines do país, com contratos que refletem expectativas elevadas e com momentos iniciais que confirmaram parte do potencial que os observadores já enxergavam, o meia-atacante de Uberaba ainda tem muito por escrever numa história que começou com gols históricos e renovações de contrato aceleradas pela qualidade do próprio jogo.
