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Constantino II da Grécia

Rei da Grécia de 1964 a 1973

7 min01/01/2024
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No dia 2 de junho de 1940, nasceu no Palácio de Psychikó, nos subúrbios de Atenas, o filho único homem do rei Paulo I e da rainha Frederica de Hanôver. A chegada de Constantino foi celebrada com alívio e alegria pela família real grega, que aguardava com ansiedade um herdeiro masculino. O batismo do príncipe ocorreu em 20 de julho de 1940, em pleno Palácio Real de Atenas, em meio a uma Europa em chamas: a Segunda Guerra Mundial havia explodido, a França fora varrida pela Blitzkrieg, e a Itália fascista acabara de declarar guerra. Poucos meses depois do nascimento de Constantino, em outubro de 1940, a Itália de Benito Mussolini emitiu um ultimato ao governo grego exigindo a ocupação de posições estratégicas no território. A Grécia recusou, iniciando a chamada Guerra Ítalo-Grega. O mundo em que o príncipe nasceu era instável e violento.

Constantino cresceu carregando sobre si o peso de uma herança dupla: era príncipe de uma monarquia constitucional que enfrentava adversários internos e externos, e por descendência agnática do rei Cristiano IX da Dinamarca, também ostentava o título de Príncipe da Dinamarca desde o nascimento. Sua educação combinava a formação militar com a consciência das tradições dinásticas europeias. Quando seu pai, o rei Paulo I, morreu, Constantino ascendeu ao trono em 1964, ainda jovem, herdando um país marcado pela instabilidade política crônica e por tensões entre os poderes civis e militares.

O início de seu reinado coincidiu com uma Grécia em ebulição. O país oscilava entre forças políticas rivais, e a relação entre a monarquia e o governo eleito era tensa. Em 1965, Constantino interveio diretamente nos assuntos do governo, o que resultou em uma prolongada crise constitucional que ficou conhecida como a "apostasia" — episódio em que o rei contribuiu para a queda do governo do primeiro-ministro Georgios Papandreou. A interferência real no jogo político foi vista por muitos gregos como uma violação dos princípios constitucionais e provocou manifestações populares contrárias à monarquia. A crise criou um vácuo que os militares aproveitaram.

Em 21 de abril de 1967, um grupo de oficiais do Exército Grego tomou o poder por meio de um golpe de Estado, instaurando uma junta militar que ficaria conhecida como o regime dos "Coronéis". Constantino permaneceu nominalmente como rei sob o regime militar, mas sua posição era precária e sua autoridade, praticamente nula. Incapaz de aceitar passivamente o fim do governo civil, o monarca tentou organizar um contragolpe em dezembro de 1967, buscando apoio em unidades militares nas regiões do norte do país. A iniciativa fracassou completamente. Sem base de suporte suficiente e com o golpe mal coordenado, Constantino foi forçado a fugir do país com a família, exilando-se inicialmente em Roma.

O exílio marcou o início de uma longa fase de impotência política. Constantino passou anos tentando articular pressão internacional sobre a junta, mas sem resultados significativos. Com a queda da ditadura militar em 1974, após o desastre da invasão de Chipre patrocinada pelos Coronéis, o governo provisório de Karamanlis convocou um referendo para decidir a forma de governo da Grécia. Cerca de 70% dos eleitores votaram pela república, selando o fim da monarquia. Constantino alegou que não lhe foi permitido retornar à Grécia para fazer campanha em defesa do regime monárquico, mas o resultado foi aceito sem maiores contestações. A Grécia se tornava oficialmente uma república.

Ao longo das décadas seguintes, Constantino viveu na maior parte do tempo em Londres, transformado em uma figura distante e cada vez mais desconectada da realidade grega. As propriedades da família real foram confiscadas pelo Estado grego, o que gerou longos e custosos litígios judiciais entre o ex-monarca e o governo de Atenas. As disputas patrimoniais, que envolviam especialmente a propriedade conhecida como Tatói, nas proximidades de Atenas, arrastaram-se por anos pelos tribunais internacionais, tornando-se um símbolo permanente do conflito entre o ex-rei e o país que governara. Pesquisas de opinião realizadas em 2007 revelavam que apenas 12% da população grega tinha imagem favorável do ex-monarca — índice que refletia o distanciamento histórico entre Constantino e a sociedade grega.

Em seus últimos anos de vida, Constantino II voltou a residir na Grécia, estabelecendo-se em Atenas. Morreu na capital grega em 10 de janeiro de 2023, aos 82 anos. As reações oficiais foram notadamente discretas. A presidente da Grécia, Katerina Sakellaropoulou, não emitiu qualquer declaração pública sobre o falecimento, postura que falou mais do que qualquer nota poderia dizer sobre o lugar que Constantino ocupava na memória pública do país. O último rei da Grécia foi sepultado no cemitério real da propriedade de Tatói, ao lado dos avós, pais e demais familiares, em uma cerimônia a que o Estado grego deliberadamente não deu caráter oficial.

O reinado de Constantino II foi o mais curto e turbulento da monarquia grega moderna. Em pouco mais de três anos de governo efetivo, foi simultaneamente agente e vítima de uma crise política que o ultrapassou. Sua trajetória é inseparável das convulsões que marcaram a Grécia no século XX, da ocupação nazista à ditadura dos Coronéis, da restauração democrática à consolidação republicana. Ficou para a história como o monarca que tentou salvar o trono e acabou contribuindo, ainda que involuntariamente, para selar o destino da própria monarquia.

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