biografias

Connor McDavid

Jogador de hóquei no gelo canadense

7 min01/01/2024
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Connor McDavid chegou ao mundo do hóquei como um fenômeno tão raro que a própria liga precisou criar uma categoria especial para acomodá-lo. Nascido em Richmond Hill, Ontario, em 13 de janeiro de 1997, filho de Brian e Kelly McDavid, ele calçou os primeiros patins aos três anos de idade e começou a jogar hóquei organizado aos quatro — com os pais escondendo sua verdadeira idade para que ele pudesse participar de ligas que exigiam no mínimo cinco anos. Desde cedo, era evidente que aquele menino não pertencia ao grupo etário comum.

Quando tinha seis anos, a associação de hóquei de Newmarket se recusou a colocá-lo em categorias acima da sua idade, então seus pais o inscreveram em uma equipe de Aurora, onde ele competia contra crianças de até nove anos. Mais tarde, McDavid se juntou ao York-Simcoe Express, time comandado pelo próprio pai, que conquistaria quatro títulos da Ontario Minor Hockey Association. A decisão de abandonar o Express em 2011 para ingressar no Toronto Marlboros custou amizades tanto para Connor quanto para seu pai Brian, mas era um passo necessário para o crescimento competitivo do atleta.

O desempenho de McDavid no nível de menores era de outro planeta. Na temporada de 2011-12, atuando pelo Marlboros na categoria Midget, ele anotou 79 gols e 130 assistências em 88 jogos — números que seriam extraordinários para qualquer atleta adulto. A Hockey Canada, reconhecendo talento absolutamente excepcional, concedeu a ele o status oficial de "Jogador Excepcional", uma distinção raríssima que permitia sua entrada no Priority Selection da OHL um ano antes do permitido, aos 15 anos. Apenas dois atletas tinham recebido esse status anteriormente: John Tavares, em 2005, e Aaron Ekblad, em 2011.

O Erie Otters o selecionou como primeira escolha geral no Priority Selection de 2012, e McDavid rapidamente mostrou que a reputação não era exagero. Em sua estreia pela OHL, marcou pontos em quinze jogos consecutivos a partir do segundo jogo da temporada e terminou com 66 pontos, quebrando o recorde de novatos da franquia. Foi eleito o melhor calouro da liga e ganhou o Prêmio Família Emms. O gerente geral do Dallas Stars, Jim Nill, declarou que McDavid era um verdadeiro jogador de franquia, capaz de ser a peça central de um clube por quinze ou vinte anos.

Com o passar das temporadas na OHL, a narrativa só se intensificou. McDavid venceu o Troféu William Hanley pela melhor conduta esportiva e o Troféu Bobby Smith como estudante do ano — mostrando que sua excelência não se limitava ao gelo. Na temporada de 2014-15, já como capitão do Erie Otters, sofreu uma fratura na mão após uma briga em quadra, mas mesmo assim terminou como terceiro pontuador da liga nas partidas disputadas. Nos playoffs daquele ano, dominou com 21 gols e 28 assistências, uma exibição de domínio individual raramente vista no hóquei juvenil canadense.

No plano internacional, McDavid representou o Canadá em todos os níveis e nunca saiu sem ouro. Venceu medalhas douradas no Campeonato Mundial Sub-18, nos Mundiais de Juniores e no Campeonato Mundial principal — uma sequência impecável que revelava não apenas habilidade individual, mas também a capacidade de elevar o coletivo em torneios de alta pressão.

O Draft de 2015 da NHL foi uma formalidade. O Edmonton Oilers, uma equipe que havia acumulado anos de desempenho medíocre e com isso ganhou escolhas de draft no topo, selecionou McDavid como primeira escolha geral. A cidade de Edmonton recebeu o prospecto com uma expectativa enorme — talvez exagerada para qualquer ser humano, mas que McDavid tratou como simples combustível.

Em sua segunda temporada completa na NHL, o atleta exploriu. Venceu o Troféu Art Ross como maior pontuador da liga, o Troféu Memorial Hart como o jogador mais valioso para sua equipe, e o Prêmio Ted Lindsay, concedido pelos próprios jogadores ao melhor da temporada — uma tríade de prêmios que simbolizava reconhecimento tanto institucional quanto dos pares. A combinação de velocidade de patinação e visão de jogo que ele demonstrava era frequentemente comparada à de Sidney Crosby, seu ídolo de infância, mas executada em velocidades ainda mais altas.

Crescendo no sul de Ontario, McDavid torcia pelo Toronto Maple Leafs, pelo Toronto Raptors e pelo Toronto Blue Jays, mas tinha nos Pittsburgh Penguins uma segunda paixão, nutrida pela admiração pelo jogo de Crosby. Em 2015, quando perguntado qual jogador da NHL mais se parecia com ele, McDavid citou Tyler Bozak dos Maple Leafs pela boa patinação e pela mentalidade de "passar primeiro" — uma descrição modesta para um atleta que já era, na época, amplamente reconhecido como o melhor do mundo.

A carreira de McDavid como capitão do Oilers representou uma reviravolta na trajetória da franquia. Uma organização que havia se tornado sinônimo de instabilidade e decepção começou a construir uma identidade competitiva ao redor de seu astro. Ele elevou os jogadores ao seu redor, criou espaço para jovens talentos se desenvolverem e colocou Edmonton de volta no mapa do hóquei profissional de alto nível.

Internacionalmente, além das conquistas juvenis, McDavid continuou a representar o Canadá em competições adultas, mantendo o padrão de excelência que o definiu desde a infância. A seleção canadense, historicamente avara com escalações de jovens, o incluiu como peça central sem hesitação — reconhecimento implícito de que alguns jogadores simplesmente transcendem as hierarquias normais do esporte.

O legado de McDavid vai além dos troféus e das estatísticas. Ele redefiniu o que significa patinar em nível profissional, combinando explosão de aceleração, mudança de direção e inteligência de jogo de uma forma que analistas e ex-jogadores afirmam nunca ter visto em conjunto na história da NHL. O cotejo com Gretzky, o fantasma perene de Edmonton, passou a ser feito não como exagero jornalístico, mas como análise séria de capacidade de impacto sobre o jogo.

Uma curiosidade que resume bem a trajetória de McDavid: quando seus pais mentiram sobre sua idade para que ele pudesse patinar com crianças mais velhas, estavam na verdade colocando-o no nível competitivo adequado para alguém que, anos depois, superaria todos os adversários independentemente da idade. O que era uma pequena transgressão burocrática revelou-se uma profecia involuntária sobre um atleta que passou a vida inteira jogando além das expectativas de qualquer faixa etária.

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