O Condado de Nortúmbria foi uma das mais instáveis e disputadas unidades políticas da Inglaterra medieval, um título cujos detentores se sucederam numa cadência marcada por assassinatos, invasões e traições que refletiam a turbulência do período de formação da monarquia inglesa. Situado no norte da Inglaterra, o condado tinha suas raízes nos antigos reinos anglo-saxões de Bernícia e Deira, que no século VII haviam se unido para formar o reino de Nortúmbria, um dos mais poderosos da Heptarquia saxã. A chegada dos viquingues, no entanto, destruiu essa estrutura em 867, transformando a região num campo de forças em conflito permanente entre saxões, dinamarqueses e, mais tarde, normandos.
Após a destruição do reino pelo ataque viking, o que restara de Nortúmbria se fragmentou. A parte sul, correspondente à antiga Deira, tornou-se o Reino de Iorque, controlado pelos invasores escandinavos. Ao norte, os condes ingleses continuaram governando a antiga Bernícia a partir de sua base em Bamburgo, enquanto a porção mais setentrional da Bernícia foi gradualmente perdida para os escoceses, provavelmente ainda no século X. Essa fragmentação criou um vácuo de poder que seria preenchido de forma incompleta e precária pelos condes que vieram a seguir.
O primeiro a reunificar o que restava do condado sob autoridade única foi Utredo, o Temerário, em 1006. O rei Etelredo, o Despreparado, o nomeou conde não apenas de Bamburgo mas também de Iorque, reunindo sob um único título toda a área de Nortúmbria ainda sob controle inglês. A reunificação foi breve: Utredo foi assassinado em 1016, no contexto das guerras entre saxões e dinamarqueses que culminariam na conquista da Inglaterra por Canuto da Dinamarca. O assassinato de Utredo era sintomático da violência endêmica que marcaria o título pelo século seguinte.
Canuto nomeou Eirik Håkonsson como seu conde em Iorque, mas a família de Utredo manteve o controle da Bernícia até 1041, quando o condado foi novamente reunido. A lista dos condes que se seguiram é um catálogo de vidas violentas e destinos trágicos: Sivardo governou de 1031 a 1055; Tostigo, de 1055 a 1065, foi expulso por uma rebelião do próprio povo nortúmbrio que culminou na nomeação de Morcar, de 1065 a 1066. A chegada de Guilherme, o Conquistador, após a batalha de Hastings em 1066, trouxe nova instabilidade: Copsi, nomeado conde em 1067, foi assassinado semanas depois; Osulfo II, seu sucessor, também foi morto no mesmo ano.
Gospatrico, descendente de Utredo, foi nomeado por Guilherme em 1067 como uma tentativa de estabilizar a região com alguém de sangue local. A estratégia fracassou: o rei normando o expulsou em 1072 após insurreições persistentes. Gospatrico encontrou refúgio na Escócia, onde recebeu terras, e seus descendentes se tornaram condes de Dunbar, perpetuando o nome nortúmbrio sob bandeira escocesa. O Massacre do Norte, a devastação sistemática imposta por Guilherme como punição pelas revoltas, deixou o condado vazio de liderança e a região, segundo relatos contemporâneos, reduzida a um deserto humano. Estimativas de historiadores medievais apontam para morte de dezenas de milhares de pessoas e a destruição de aldeias, celeiros e lavouras em escala que deixou partes do Yorkshire inabitadas por anos.
O período normando assistiu a uma série de condes de duração breve e destinos variados. Roberto de Comines foi nomeado em 1068 e morto com seus soldados numa revolta em 1069. Valdevo II governou de 1072 a 1075 e foi executado. Guilherme Walcher, que acumulava os títulos de conde e príncipe-bispo de Durham de 1075 a 1080, foi assassinado por uma multidão irritada. Aubrey de Coucy, de 1080 a 1086, foi expulso. Roberto de Mowbray, de 1086 a 1095, foi aprisionado após uma rebelião e passou o restante de sua vida em cativeiro.
Após décadas de vacância e instabilidade, o condado foi utilizado como peça de barganha política nas disputas entre a monarquia inglesa e o reino escocês. O rei Estêvão de Inglaterra cedeu o título a Henrique da Escócia em 1139, que o manteve até 1152. Guilherme, o Leão, filho de Henrique, herdou o título e o manteve até 1157, quando Henrique II de Inglaterra privou os escoceses do condado e das terras associadas, numa afirmação de supremacia da coroa inglesa sobre as pretensões escocesas no norte.
A história do Condado de Nortúmbria termina, em sentido prático, com sua dissolução no início do período normando, quando foi desmembrado nos condados de Iorque e Northumberland, com extensas terras indo para o príncipe-bispado de Durham. O título sobreviveu marginalmente: em 1189, Hugo de Puiset, bispo de Durham, chegou a comprá-lo, ocupando-o por pouco tempo. Durante a Primeira Guerra dos Barões, no início do século XIII, os barões do norte prestaram homenagem ao rei Alexandre II da Escócia como conde da região, de 1215 a 1217, antes que o controle inglês fosse restabelecido definitivamente por Henrique III. O condado foi então dissolvido para sempre, deixando como herança os condados modernos que ainda hoje dividem o norte da Inglaterra.